Um blogue pessoal mas... transmissível

11
Ago 09

 

 

Regressado da semana de férias que passei "fora cá dentro", volto ao meu cantinho com a promessa de o manter actualizado com a regularidade possível. Quanto aos dias que eu e o R. passámos no Alentejo, tudo correu como esperado, a não ser uma indisposição que atingiu o R. durante a nossa estadia em Évora e o tratamento pouco simpático (creio que homofobia mal disfarçada) que recebemos dos funcionários de uma certa residencial daquela cidade, onde ficámos alojados duas noites. E como as férias continuam, também a boa música é uma companhia incontornável nos dias e noites quentes deste período do ano. Por isso, vou recomendar mais algumas músicas que estou a ouvir por estes dias.

 
Ainda na onda electrónica do último post queria falar dos Fischerspooner, um duo nova-iorquino formado em 1998 por Warren Fischer e Casey Spooner. Descontentes com o panorama artístico que os rodeava, decidiram criar um projecto musical em que aliaram música dançável com um forte cáracter retro a lembrar os anos 80, alguma influência glam no visual, muita inteligência no uso da estética e uma grande dose de irreverência. Responsáveis pela febre do electroclash em 2001, os Fischerspooner regressaram em Maio deste ano com o lançamento de "Entertainment", um disco complexo, a alternar habilmente entre o universo pop/rock, o electro mais dançável e o mais psicadélico e o downtempo. Na minha opinião, um disco altamente recomendável mas provavelmente pouco compreendido pelas massas. Para ouvir, escolhi o single "We Are Electric".
 
 
 
Nesta incursão pela música electrónica, uma das minhas músicas do momento pertence aos Holy Ghost!, mais um duo nova-iorquino, formado pelos DJ’s Alex Frankel e Nick Millhiser. Do seu currículo fazem parte remisturas para artistas como Moby, Phoenix, Cut Copy, Jazzanova, entre outros. Em 2007, lançaram um EP com o tema "Hold On", que obteve um grande sucesso. Voltam agora com o single "I Will Come Back", numa interessante releitura visual e musical da noite nova-iorquina dos anos 80. O vídeo que acompanha o tema é mesmo uma homenagem a "Confusion" dos New Order, de 1983. A sonoridade do tema posiciona-se algures entre a disco music e o house e as harmonias vocais fazem lembrar os Joubert Singers. Aguarda-se álbum para o ano que vem. Entretanto, delicio-me a ouvir este "I Will Come Back".
 
 
 
Para terminar mais este post essencialmente musical, escolhi os Kings of Leon. Embora a família Followill tenha formado a banda no ano 2000, o seu primeiro álbum apenas foi lançado em 2003. Tanto nos Estados Unidos como na Europa, este primeiro registo musical, intitulado "Youth and Young Manhood", alcançou um enorme sucesso. O grande boom surge, no entanto, em 2007, com "Because Of The Times", um disco muito bem recebido pela crítica, onde se percebe claramente a evolução criativa da banda. Com "Only By The Night", lançado em Setembro de 2008, os Kings of Leon atingem o ponto alto da sua carreira e conquistam finalmente o público norte-americano, alcançando o quarto lugar nos tops de vendas. Vêem ainda o disco liderar as vendas no Reino Unido e a ser eleito o melhor do ano por diversos órgãos especializados. A banda é então nomeada para diversas categorias em vários prémios de música pelo mundo, incluindo três nomeações para os Grammys. Para ouvir, seleccionei uma faixa deste último álbum, intitulada "Sex On Fire".
 

 

 

publicado por Pensador Insuspeito às 23:02

01
Ago 09

 

 

1.º de Agosto, primeiro dia de férias do R.. Estando a viagem ao México posta definitivamente de lado por causa da famigerada gripe A, decidimos "ir para fora cá dentro". Escolhemos o Alentejo, uma região que ambos conhecemos mal. Entre a monumentalidade de Évora e as excelentes praias da costa alentejana, prevejo uma semana em grande!

 

E porque o verão não é só férias mas também muita e boa música, resolvi falar de alguns artistas e grupos e escolher alguns temas que me deixam bem disposto e que gosto de ouvir com o sol a escaldar ou numa noite quente de verão...

 

 

Para começar esta selecção musical, escolhi os Cut Copy. Este trio australiano formado por Dan Whitford (voz, guitarra, teclas), Tim Hoey (baixo, guitarra) e Mitchell Dean Scott (bateria), apresenta um estilo musical largamente influenciado por referências de rock alternativo e música electrónica. O lançamento do seu segundo álbum, "In Ghost Colours", em 2008, foi muito aplaudido, sendo para muitos os sucessores naturais dos New Order, dadas as semelhanças que facilmente se reconhecem no género de música que as duas bandas cultivam. Para ouvir, escolhi "Hearts On Fire", um single extraído do álbum "In Ghost Colours". Excelente!

 

 

 

E como estamos numa onda de música electrónica, queria falar de uma das meninas bonitas da nova pop britânica. Little Boots é o nome escolhido pela cantora e compositora britânica Victoria Hesketh para se lançar a solo no universo electro-pop. O seu álbum de estreia, "Hands", revela-nos uma fazedora de canções bem acima da média, que tanto se deixa enredar pelo poderoso ataque dos sintetizadores como é capaz de projectar habilmente o forte sentido melódico da sua voz. "Earthquake" é um dos meus singles preferidos e faz parte do referido álbum. Um autêntico terramoto!
 

 

 

Para terminar esta selecção musical e como estamos também numa época em que por todo o lado se multiplicam as festas de verão, escolhi mais um hit do momento. Miss Kittin é uma cantora/DJ de origem francesa. O seu género musical move-se entre a música electrónica, techno e electro-pop. Com um estilo inconfundível, Miss Kittin tornou-se uma das DJ’s mais requisitadas em todo o mundo. Para ouvir, escolhi uma música pertencente ao segundo álbum de originais de Miss Kittin & The Hacker (ou, se preferirem, Caroline Hervé e Michel Amato), editado no passado mês de Abril. O sucessor de "First Album", de 2001, tem em "1000 Dreams" o seu single de avanço. Electrizante!

 

 

 

E hoje fico por aqui. Espero que gostem!

 

publicado por Pensador Insuspeito às 13:45

30
Jul 09

 

 

Há dias pude ler no Público a opinião de um leitor devidamente identificado que dizia sentir-se incomodado com o "destaque excessivo" que o referido diário tem conferido nos últimos tempos aos temas relacionados com a homossexualidade. Não sou fundamentalista e detesto todos os tipos de fundamentalismos. Por conseguinte, não me vou colocar aqui na posição de muitas pessoas que por serem objecto de uma opinião contrária parece quererem instaurar imediatamente a censura na boa tradição das ditaduras de todos os quadrantes políticos. Aliás, estamos num país livre e democrático (até ver…) e todas as opiniões são bem-vindas, desde que devidamente fundamentadas e não fruto de uma visão distorcida da realidade envolvente. Porque, como diz o nosso povo, "o pior cego é aquele que não quer ver".

 

Pois bem, o que me leva a escrever este post/pensamento é o facto de o referido leitor considerar verdadeiramente "inusitada" a visibilidade que hoje em dia é dada aos homossexuais e aos temas que abordam essa realidade. Pode-se perguntar então porque motivo é que o mesmo leitor não se queixa do destaque excessivo que é dado à heterossexualidade em todos os órgãos de informação. Parece-me que o referido jornal, ao abordar essa temática, mais não faz do que acompanhar a evolução social e cultural dos tempos, tendo como único objectivo fazer bom jornalismo e por isso mesmo não discriminando ou abafando uma realidade que pelos vistos não agrada a muitos leitores, mas à qual é preciso conferir cada vez maior visibilidade, sobretudo se tal visibilidade for aproveitada para que os homossexuais possam ver reconhecidos os mais elementares direitos de cidadania.

 

Refere-se o leitor à recente reportagem sobre a homossexualidade no Estado Novo, afirmando nomeadamente que o Público insiste de forma "desconchavada" em tais matérias. Torna-se por demais evidente que o leitor, e como ele muitos outros neste país de brandos costumes, não conseguiu ler criteriosamente essa e outras reportagens e artigos, pois se o tivesse feito, livre de preconceitos e afins, dar-se-ia conta que revelam, na minha opinião de simples leitor, uma apurada investigação jornalística. Também não parecem ser obra de um qualquer lobby gay como muitas pessoas obstinadamente acusam todos aqueles que tratam essas matérias livres de ideias e opiniões preconcebidas. Neste sentido, pergunto-me se um tal artigo de opinião corresponde àquilo a que habitualmente chamamos "direito de opinião" ou se, pelo contrário, é revelador daquela homofobia larvar de que ainda enferma grande parte da sociedade portuguesa.

 

Outra coisa interessante é a comparação que o leitor faz entre o diário português e o jornal espanhol El País. A meu ver, a comparação é perfeitamente desajustada. Isto porque os dois jornais se inscrevem em realidades sociais bem distintas. Por um lado, a realidade nacional em que a conquista plena dos direitos de cidadania pelos homossexuais ainda está por fazer, e se assim é nunca será excessivo o destaque que é conferido a essa temática. Por outro lado, o contexto do país vizinho em que essa consagração já foi alcançada, sendo por isso perfeitamente compreensível que já não faça tanto sentido falar dos assuntos que tanto incomodam o referido leitor. Aliás, a este respeito não é só na Península Ibérica que as coisas andam a duas velocidades. Por contraste, ainda recentemente a Suécia tornou-se no 7.º país a legalizar os casamentos homossexuais enquanto que, do outro lado do mar Báltico, a Lituânia aprovou legislação no sentido de proibir a divulgação da homossexualidade...

 

E não será pelo facto de estarmos a viver a chamada silly season que tudo parece valer, como diz o indignado leitor no seu artigo. Nunca será demais pugnar pela defesa dos direitos de cidadania que há demasiado tempo são negados a um grupo de pessoas pelo simples facto de possuírem uma orientação sexual diferente da maioria da população. Whatta fuck!? Afinal em que medida é que a minha orientação sexual pode afectar a vida do pacato leitor e de tantos outros por esse país fora? O que o deveria afectar em consciência é a forma como os homossexuais ainda são tratados na sociedade portuguesa. Isso sim deveria constituir um grave problema na consciência de muitas pessoas, especialmente na consciência de todos aqueles que com as suas posições públicas mais não fazem do que alimentar o preconceito homofóbico e acrescentar sofrimento a muitos homossexuais. Mas para todos aqueles que se preocupam realmente com que a democracia seja uma realidade neste país será de louvar que jornais como o Público tratem com o destaque merecido a homossexualidade e outros temas que saem dos padrões da dita "normalidade" para que, um dia destes e de uma vez por todas, esses temas deixem de merecer o "destaque excessivo" de que se queixa o referido leitor.

 


28
Jul 09

 

 

Neste fim-de-semana, eu e o R. decidimos fazer uma incursão na noite gay da Cidade Invicta. Confesso que há muito tempo que não frequentava a "cena gay" porque de cada vez que o fazia sentia que estava a desperdiçar o meu tempo e que aquele ambiente estereotipado pouco tinha a ver comigo.

 

Além disso, não sou grande apologista de locais que se podem confundir facilmente com guetos para onde se procuram atirar as pessoas indesejadas com o intuito de as ocultar da vista do comum dos mortais. É por estas e outras que a homossexualidade passa quase despercebida à grande maioria das pessoas. Sabem que existe mas encaram os homossexuais como alienígenas que se encontram regularmente em locais muito estranhos e obscuros. E por isso a homofobia continua a campear, especialmente nos pequenos meios, onde os homossexuais ainda têm mais propensão a "esconder-se" em locais como esses. Para mim, a homossexualidade tem de vir cada vez mais para a luz do dia e os homossexuais têm de "misturar-se" com todas as outras pessoas. Mas isto daria assunto para outro post/pensamento.

 

O que é certo é que o R. propôs-me uma noite de sábado diferente e desta vez eu acedi. De tudo o que pude observar nos locais por onde passámos - primeiro um bar gay friendly e seguidamente uma disco gay - é que realmente pouca coisa muda com o passar dos anos. À primeira vista, o ambiente até pode ser descontraído e agradável, mas rapidamente apercebemo-nos que a imensa maioria dos gays está ali com um propósito bem definido: engatar. Não interessa quem. O que interessa é engatar alguém para aquela noite ou para o que resta dela. É um autêntico "mercado de carne"... Acresce que muitas destas pessoas têm uma propensão doentia para opinar sobre a vida dos amigos, conhecidos, ex-namorados. Comenta-se sobre quem anda com quem, sobre o facto de A. e B. terem rompido, que C. anda à procura de nova relação, que D. veste mal, que E. engordou...

 

Posso estar a ser exagerado e a tomar a parte pelo todo, mas causa-me imensa confusão ver toda aquela gente com o único propósito de engatar alguém para uma noite de sexo. Acho que cada um deve ser livre de fazer o que quiser com a sua vida desde que isso não afecte a vida de terceiros. No entanto, questiono-me sempre sobre a razão de ser de um comportamento tão promíscuo. Será que ninguém tem expectativas mais elevadas em relação à sua vida sentimental? Parece que nestes meios tudo gira em torno do sexo e que para além dele nada mais existe. Eu gosto muito de sexo mas no estádio actual da minha existência já não me contento com sexo puro e duro. Para mim, actualmente, sexo sem amor não faz qualquer sentido. Porque sexo sem amor é um acto puramente mecânico sem aquele misto de sentimentos que só o sexo entre duas pessoas que se amam pode oferecer.

 

Depois ninguém se lembra que, por alguma razão, o sexo pode acabar de um dia para o outro, e nesse caso não fica mais nada. Não existe amor, carinho, companheirismo. Fica apenas solidão, carência, vazio. E frequentemente isso é a porta aberta para o suicídio. Por outro lado, também os gays envelhecem e quantas vezes, no meio da solidão e do desespero, procuram construir aquilo que na juventude e meia-idade não quiseram ou não foram capazes de construir. Parece que ninguém ou quase ninguém quer investir numa relação estável e duradoura que possa oferecer segurança e bem-estar na velhice.

 

E para não me alongar mais neste pensamento, diria que depois desta noite a minha opinião sobre estes locais em nada mudou. Apesar de estar acompanhado pelo meu namorado, fui insistentemente penetrado pelos olhares de quem ali se encontrava e por duas vezes até fui apalpado. Então quando o R. foi apalpado quase me passei! Por isso, resolvemos sair dali e procurar um local menos "obscuro" para acabar a noite...

 


18
Jul 09

 

 

É sempre muito animador quando se recebe um prémio de um blogue de referência como o Felizes Juntos. Aproveito assim este post/pensamento para agradecer esse gesto e sobretudo as palavras que o Paulo escreveu sobre este blogue e que considero imerecidas. Nos últimos meses, não tenho tido muito tempo para blogar nem para acompanhar o Felizes Juntos e outros blogues que habitualmente gostava de ler. Aliás, só descobri que tinha recebido este prémio a partir do comentário deixado pelo Pinguim ao post anterior. Pode ser que, passadas as férias, volte a arranjar mais tempo e disposição para retirar da letargia este blogue semi-moribundo e para voltar a acompanhar e a comentar regularmente os outros blogues que costumo seguir desde o início desta aventura pela blogosfera. Prometo um esforço da minha parte e peço compreensão da parte dos que habitualmente me acompanham.

 

Dada a notoriedade do prémio, decidi que ele deveria ficar alojado aqui ao lado, em lugar de destaque, na barra lateral esquerda. Além disso, não resisto a transcrever para aqui (com alguma imodéstia da minha parte, confesso) as palavras que o Paulo escreveu sobre este blogue: "Com alguma modéstia, reconheço no Insuspeito uma escrita do melhor, ideias do melhor. Talvez por ser Pensador. Tudo excelente. Tivesse-o descoberto antes e teria tido uma daquelas mais do que merecidas entradas a destacá-lo (como fiz aqui em Fevereiro com outros blogues)". Pronto, confesso, é verdade: sinto-me completamente babado!!!

 

publicado por Pensador Insuspeito às 12:47
sinto-me: premiado

16
Jul 09

 

 

No fim-de-semana passado, depois de jantarmos em casa do amigo de que falei no post anterior, eu e o R. fomos assistir ao concerto que os Deolinda deram numa cidade vizinha. Confesso que não ia com grandes expectativas, uma vez que não conhecia praticamente nada do repertório do grupo. Todavia, fui lendo críticas muito positivas a seu respeito e por isso mesmo quis constatar pessoalmente o sucesso que o grupo vem alcançando por toda a parte onde tem actuado.

 

Infelizmente, a sala não estava cheia mas ainda assim o ambiente era caloroso. À medida que o concerto se ia desenvolvendo, foram sendo vencidas as minhas resistências à novidade que constitui um grupo cujas canções se inspiram no fado mas também nas marchas populares e noutros sons urbanos menos recentes. Para isso contribuiu em muito a presença, o timbre de voz e os rasgos de falsa agressividade da vocalista Ana Bacalhau e a qualidade técnica dos músicos que a acompanham. Acresce dizer que o concerto, à semelhança das letras das músicas e do próprio tratamento gráfico dado ao CD, conduz-nos a um certo imaginário lisboeta, representado pela personagem Deolinda, e que no espectáculo ao vivo é subtilmente aludido pela presença da mesinha e das camilhas, que no entanto poderá passar despercebida aos mais desatentos.

 

O concerto foi assim uma agradável surpresa pela sonoridade e forma de estar diferentes dos Deolinda, o que constitui uma autêntica lufada de ar fresco no panorama musical português da actualidade. Para ouvir, escolhi "Clandestino", uma das faixas do álbum "Canção ao Lado", o álbum de estreia do grupo, editado em Abril do ano passado.

 

 

 


11
Jul 09

 

 

Depois de um longo período de ausência, motivado por questões pessoais e profissionais, volto a este meu cantinho para agradecer aos internautas que, apesar disso, continuam a visitar-me por aqui e para homenagear uma pessoa extraordinária que tenho o prazer de contar no meu círculo de amigos e do qual, por razões que a seguir compreenderão, não mencionarei sequer a inicial do nome próprio. É que este amigo tão especial é seropositivo e apenas um número muito restrito de pessoas sabem desse facto.

 

O meu amigo completa hoje mais um aniversário. Foi infectado há apenas dois anos quando ainda se encontrava numa relação que entretanto terminou. O namorado foi tão desumano e cruel que, quando o meu amigo fez os testes que se vieram a revelar positivos e lhe comunicou os resultados, simplesmente lhe respondeu: "E o que é que eu tenho a ver com isso?". Perante esta situação, o meu amigo ficou completamente desorientado, a ponto de pensar suicidar-se.

 

Felizmente que o apoio dos poucos amigos a quem ele entretanto revelou esse "segredo" foi determinante para que ele desse a volta por cima. E hoje é ele que dá uma lição de vida a todos nós, os amigos que o acompanham desde o início nesta luta. Porque o valor da amizade verdadeira é muito mais importante que todas as contingências da nossa vida. Nesta situação de grande vulnerabilidade, é importante a presença dos amigos. Todos sabemos que a discriminação reina, mesmo nos ambientes gay, e as pessoas nesta situação são facilmente atiradas para "guetos". Todos temem alguém que saibam ser seropositivo. Para a maior parte das pessoas, é um caso perdido. Mas infelizmente a vida pode pregar-nos partidas inesperadas. De facto, quantas vezes alguém que rejeita relacionar-se com um seropositivo, acaba por fazê-lo com uma pessoa que lhe esconde a sua seropositividade e como ambos gostam de o fazer "ao natural" não se protegem. E eis como alguém que teme o que conhece, ganha um "bónus de vida" de um desconhecido que na maior parte dos casos nunca mais verá...

 

Aproveito assim este meu post/pensamento para homenagear o meu amigo e todos aqueles que, neste deserto de hipocrisia e desumanidade, são capazes de amar apesar de todas as discriminações e preconceitos, sabendo que os seropositivos vivem o dia-a-dia com uma força e desejo de viver que os outros por vezes não compreendem...

 


04
Mai 09

 

Já não vinha aqui há um mês. De facto, não tenho tido tempo nem disposição para blogar. Hoje resolvi passar por aqui para postar uma música que actualmente me enche as medidas. E porque é também a música preferida do meu Amor, aqui fica o vídeo de "Gaivota" do álbum "Amália Hoje", um projecto que resultou da vontade de trazer os clássicos da diva do fado para a arena da pop e que juntou Nuno Gonçalves e Sónia Tavares dos The Gift, Fernando Ribeiro dos Moonspell e Paulo Praça, ex-Turbojunkie e responsável de projectos como os Plaza. Simplesmente fantástico!!!

 

AMO-TE R.!!!

 

 

 

 

publicado por Pensador Insuspeito às 17:54

02
Abr 09

 

 

Parece que os líderes mundiais reunidos na cimeira do G20 chegaram hoje a um "acordo de acção global" para reactivar a economia internacional, que passará pela reforma do sistema bancário, a qual deverá incluir a penalização dos paraísos fiscais, um gigantesco pacote de estímulo financeiro, a renovação das instituições internacionais, o apoio ao comércio global e a criação de novos fundos para o combate à pobreza.

 

A propósito destas medidas e da crise global que as despoletou é interessante notar que foi precisamente a tendência suicidária de um crescimento infinito, que se foi gerando nas maiores economias mundiais, que acabou por conduzir-nos à crise de que agora todos se lamentam, qual coro de velhas carpideiras. Se pensarmos bem, tem-se vivido há demasiado tempo na sombra desta tendência suicidária. Toda a gente nos convenceu que era preciso consumir mais, cada vez mais. E para isso era necessário produzir mais, cada vez mais… E de crise em crise, chegou-se à beira do precipício. Até que o suicídio aconteceu mesmo… Parece que esta tendência suicidária de um crescimento infinito é conhecida há muitos anos mas só agora é que se lhe reconheceu o carácter de catástrofe. E o panorama é penoso de se ver. Os políticos lamentam-se e inventam mil e uma soluções para a crise. Os economistas de serviço choramingam e prevêem cenários apocalípticos. No fim de contas, quem terá de suportar a crise global será mesmo o "zé povinho" que todos os dias se debate para assegurar o seu sustento mensal e assim poder pagar as suas contas…

 

publicado por Pensador Insuspeito às 22:30

 

Diz-se que "o Governo socialista fez aprovar, em 2006, alterações à lei que permitem aos grupos financeiros a isenção total dos rendimentos das suas filiais". Perante isto, apraz-me dizer que ninguém pode acusar o Governo de não acautelar atempadamente o futuro e os interesses dos que agora se entretêm a desgovernar o país e dos que, fora do Governo, se agitam irrequietamente em busca de benesses, privilégios e isenções fiscais. De facto, a maneira mais expedita de saquear o Estado é colocar um político sem escrúpulos no Governo. Uma vez chegado ao poder, esse político de ocasião transforma-se numa versão travestida de Robin dos Bosques e passa a ocupar boa parte do seu tempo a desviar o dinheiro para os que estão fora e se movem em torno do poder, como os banqueiros e os empreiteiros de obras públicas. No final desta operação, o que foi para político deixa o Governo e passa a desfrutar impunemente do seu saque. Infelizmente, o esquema é tão antigo e tão usado, que já só mudam os nomes dos políticos que vão para dentro do Estado, uma vez que os outros, os da banca e das obras públicas, estão comodamente instalados e têm o esquema montado para todos os Governos. Ou seja, transitam de Governo para Governo e limitam-se a escolher os assalariados que vão para dentro do Estado. Para estes, o político não tem outra função senão a de inventar formas expeditas de desviar o dinheiro para os que estão cá fora. Enquanto isso, o povo entretém-se com o folclore da propaganda politica e das promessas que os Governos sistematicamente nunca cumprem…

 

publicado por Pensador Insuspeito às 19:46

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