Um blogue pessoal mas... transmissível

16
Mar 09

 

Diz-se que os deputados da nação andam muito preocupados com a saúde dos portugueses e vai daí toca a cortar no sal que é utilizado no pão que se consome neste jardim à beira-mar plantado. Já aqui escrevi sobre a tentação dos legisladores em imiscuir-se na liberdade individual dos cidadãos. E neste caso em particular, essa tentação vem ao de cima de forma quase anedótica. Mesmo que seja em nome da "saúde pública", que é inegavelmente um bem a acautelar por todos, a começar pelo Estado. No entanto, e correndo o risco de me repetir, entendo esta atitude como uma espécie de asfixia que o Estado impõe ao indivíduo. Não está em causa saber se menos quantidade de sal no pão é mais benéfico ou não para a saúde dos portugueses. Está antes em saber se uma regulação desta natureza compete ao Estado. Será que o Estado pode determinar em todos os casos a forma como dispomos da nossa saúde ou do nosso corpo? Que lugar pode existir para a liberdade individual? Creio que ao Estado compete apenas disponibilizar aos cidadãos toda a informação necessária para que estes possam tomar as decisões que acharem melhores para si. Registo que num universo de 230 deputados, apenas 5 (!) deputados votaram contra. Tal facto não é de estranhar mas é profundamente revelador. Será que os deputados que votaram a favor, contra tudo o que habitualmente defendem, acham que o Estado deve regular assuntos que pertencem ao foro íntimo da vida dos cidadãos? Ou será que isso nem sequer lhes passou pela cabeça? Por estas e por outras, começo a pensar que se hoje é o sal no pão, amanhã será o açúcar nos bolos, a cafeína no café, o cacau no chocolate, e assim por diante. Quando o Estado não se consegue auto-regular, as suas decisões começam a raiar os limites do absurdo…

 

publicado por Pensador Insuspeito às 16:58

Eu já li algures que Portugal é um dos países Europeus que mais sal utiliza! E o teor de sal utilizado no pão vendido é elevado em relação aos outros países da União Europeia.
Sinceramente até acho correcto porque eles não estão a controlar o pão caseiro...apenas as padarias, e numa padaria não vais perguntar o sal utilizado para o pão! LOL

A... a 16 de Março de 2009 às 19:16

A..., o que aqui está em causa não é a bondade da medida mas a questão de fundo: até onde pode ir o Estado na regulação da vida dos cidadãos? Na minha perspectiva, a função do Estado é a de disponibilizar informação correcta aos cidadãos e responsabilizá-los pelas decisões que tomarem. Antes de todas as medidas profilácticas deste tipo, seria importante criar nos cidadãos hábitos de vida saudável. Porque senão é o Estado a assumir uma função paternalista, a guiar os cidadãos pela mãozinha e a dizer-lhes o que eles podem ou não fazer...

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