Um blogue pessoal mas... transmissível

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Jul 09

 

 

Neste fim-de-semana, eu e o R. decidimos fazer uma incursão na noite gay da Cidade Invicta. Confesso que há muito tempo que não frequentava a "cena gay" porque de cada vez que o fazia sentia que estava a desperdiçar o meu tempo e que aquele ambiente estereotipado pouco tinha a ver comigo.

 

Além disso, não sou grande apologista de locais que se podem confundir facilmente com guetos para onde se procuram atirar as pessoas indesejadas com o intuito de as ocultar da vista do comum dos mortais. É por estas e outras que a homossexualidade passa quase despercebida à grande maioria das pessoas. Sabem que existe mas encaram os homossexuais como alienígenas que se encontram regularmente em locais muito estranhos e obscuros. E por isso a homofobia continua a campear, especialmente nos pequenos meios, onde os homossexuais ainda têm mais propensão a "esconder-se" em locais como esses. Para mim, a homossexualidade tem de vir cada vez mais para a luz do dia e os homossexuais têm de "misturar-se" com todas as outras pessoas. Mas isto daria assunto para outro post/pensamento.

 

O que é certo é que o R. propôs-me uma noite de sábado diferente e desta vez eu acedi. De tudo o que pude observar nos locais por onde passámos - primeiro um bar gay friendly e seguidamente uma disco gay - é que realmente pouca coisa muda com o passar dos anos. À primeira vista, o ambiente até pode ser descontraído e agradável, mas rapidamente apercebemo-nos que a imensa maioria dos gays está ali com um propósito bem definido: engatar. Não interessa quem. O que interessa é engatar alguém para aquela noite ou para o que resta dela. É um autêntico "mercado de carne"... Acresce que muitas destas pessoas têm uma propensão doentia para opinar sobre a vida dos amigos, conhecidos, ex-namorados. Comenta-se sobre quem anda com quem, sobre o facto de A. e B. terem rompido, que C. anda à procura de nova relação, que D. veste mal, que E. engordou...

 

Posso estar a ser exagerado e a tomar a parte pelo todo, mas causa-me imensa confusão ver toda aquela gente com o único propósito de engatar alguém para uma noite de sexo. Acho que cada um deve ser livre de fazer o que quiser com a sua vida desde que isso não afecte a vida de terceiros. No entanto, questiono-me sempre sobre a razão de ser de um comportamento tão promíscuo. Será que ninguém tem expectativas mais elevadas em relação à sua vida sentimental? Parece que nestes meios tudo gira em torno do sexo e que para além dele nada mais existe. Eu gosto muito de sexo mas no estádio actual da minha existência já não me contento com sexo puro e duro. Para mim, actualmente, sexo sem amor não faz qualquer sentido. Porque sexo sem amor é um acto puramente mecânico sem aquele misto de sentimentos que só o sexo entre duas pessoas que se amam pode oferecer.

 

Depois ninguém se lembra que, por alguma razão, o sexo pode acabar de um dia para o outro, e nesse caso não fica mais nada. Não existe amor, carinho, companheirismo. Fica apenas solidão, carência, vazio. E frequentemente isso é a porta aberta para o suicídio. Por outro lado, também os gays envelhecem e quantas vezes, no meio da solidão e do desespero, procuram construir aquilo que na juventude e meia-idade não quiseram ou não foram capazes de construir. Parece que ninguém ou quase ninguém quer investir numa relação estável e duradoura que possa oferecer segurança e bem-estar na velhice.

 

E para não me alongar mais neste pensamento, diria que depois desta noite a minha opinião sobre estes locais em nada mudou. Apesar de estar acompanhado pelo meu namorado, fui insistentemente penetrado pelos olhares de quem ali se encontrava e por duas vezes até fui apalpado. Então quando o R. foi apalpado quase me passei! Por isso, resolvemos sair dali e procurar um local menos "obscuro" para acabar a noite...

 


Eu há muito não frequento a noite gay, aqui em Lisboa; e parece segundo oiço dizer que não tenho perdido nada, não só porque nada de novo existe, mas também porque as pessoas que, como eu, aí iam para se encontrarem e darem dois dedos de conversa, fizeram como eu, e deixaram de ir; agora encontramos-nos nuns agradáveis jantares em nossas casa ou em sítios públicos, o que é muito mais salutar.
Concordo inteiramente que, acaba sempre por ser o engate o motivo da ida a esses sítios e como penso exactamente como tu, que o sexo pode ser a melhor coisa do mundo, mas feito com quem se ama, acho um desperdício ir a esses sítios; aliás, já fui, quando mais novo e estava "solteiro", frequentador assíduo de um bar e posso dizer que as vezes que entrei sozinho e saí com companhia não ultrapassaram os dedos de uma mão; nunca ia para engatar e muitas vezes até ficava frustrado por ter eventualmente desperdiçado algum encontro com pessoas interessantes.
No Porto frequentei muito o famoso "Moinho de Vento", que parece ainda existir, até porque era a dois passos do meu hotel.
Abraço.
pinguim a 28 de Julho de 2009 às 02:18

Pinguim, concordo com o que dizes. É sempre preferível escolher outros locais para se estar entre amigos.

E sim, o Moinho de Vento continua a existir e a ser um espaço de referência na noite gay portuense. Para quem gosta, claro!

Abraço!

Tudo bem os meios gay (bares e discos) são só engate e pouco mais, concordo!
Mas não é uma exclusividade gay, os bares e discotecas são quase sempre engate, já foram ao docks a um sábado a noite? Ou a Santos? A noite é leviana! abraços
sóJoao a 29 de Julho de 2009 às 14:58

João, claro que o engate é independente dos locais e da orientação sexual das pessoas que os frequentam. Mas tens de concordar que nos bares e discos gay tudo é feito mais à descarada e num piscar de olhos estamos na cama com alguém de quem nem sequer sabemos o nome. Este não sou eu a falar lol!

Abraço!

concordo com o facto de que engate é em todo o lado, mas a escala é que muda! Note-se que em bares hetero ninguém se despe, e nem sequer existem televisões a passarem filmes porno....
J.Coelho a 30 de Julho de 2009 às 09:15

J. Coelho, como disse na resposta ao comentário anterior, nos meios gay existe uma propensão maior para o engate. A meu ver, existem duas razões que o justificam. Por um lado, não há que fazer o habitual esforço para perceber se A ou B é gay, e por outro, nesses locais as pessoas sentem-se mais à vontade, inclusive para trocarem um beijo ou um gesto de maior intimidade. Mas também é verdade que em alguns bares "gay friendly" ainda há quem seja incomodado por ter um gesto mais ousado para com o seu namorado ou companheiro...

Abraço!

Não sei se posso dizer que sou um frequentador da noite, mais ainda da noite gay. Mas gosto de ir dançar pelo menos 1/2x por mês. Nunca perdi este hábito que se tornou mais forte com oa idade.

Nunca gostei de discotecas gay porque em 1993 quando comecei a sair, se via muito engate puro e duro. A Internet, penso, veio mudar isso bastante. Hoje em dia, o engate que se vê nas disco gay é igual ao engate existente nas disco hetero (no Blues Café cheguei a ver gente sair para dar a queca no carro e voltar para o próximo ataque).

Discotecas gay só conheço o Frágil e o Trumps. O Frágil tem excelente música (para o meu gosto pessoal) e quando saio vou com amigos gay+hetero que saem mesmo para dançar. Confesso que gostamos tanto de dançar e de música quem nem olhamos para o lado e nunca somos incomodados também.

O Trumps era a tal disco que eu considerava terrível, onde fui duas vezes há muitos anos e nunca á mais voltei. No ano passado o meu companheiro convenceu-me a ir lá porque sempre gostou da musica de uma das pistas. Fui. Fiquei agradavelmente surpreendido, na medida em que ficamos os dois a dançar 5 horas de seguida e sempre na nossa. Sem problemas. Voltei lá umas 4 vezes, ora com os ditos amigos de dança ora com o companheiro. Estive sempre à vontade, na minha. É claro que está lá gente para engatar, mas isso está em todo o lado. No café, na universidade, no trabalho, etc. Só que a nossa predisposição para o ver não é tão grande porque não associamos os ditos ambientes a engate. A discoteca é associada a engate e aí vemos, porque estamos à espera de o ver.

Quando vou ao Frágil e/ou ao Trumps, sei que o engate está lá (como em todo o lado) mas não o vejo porque não me predisponho a isso. Eu faço o que quero fazer lá aproveitar a música e divertir-me com os amigos ou com o meu companheiro (que felizmente gosta tanto de música e de dançar como eu). É tudo uma questão de segurança e atitude, creio. Quando saio é mesmo para me divertir e gosto tanto do meu grupo de amigos (com quem também há jantaradas em casa e conversa até às tantas) que os meus olhares se concentram neles apenas, acho que uma forma inata.

Contudo e a respeito de engates de discoteca não sou moralista ao ponto de pensar que uma relação monogâmica e duradoura não pode sair de um engate na discoteca. Duas das relações mais bonitas que conheço começaram assim e uma já leva 12 anos. Depois claro que há muitos miúdos com as hormonas aos saltos, mas todos tivemos hormonas aos saltos com 18-25 anos (apesar de eu ter canalizado as minhas para relacionamentos estáveis e nunca ter tido um one night stand ou uma curte, mas são estilos e o mundo tem lugar para todos).

Acho que já me alonguei demasiado, mas este post dava "pano para mangas" e tratá-lo por escrito é sempre redutor e talvez chato. Peço por isso as minhas desculpas.

ps. Nunca fui apalpado a não ser 2x por mulheres em discotecas straight. E uma das vezes quase levantei voo tal foi o meter da mão. Os meninos portam-se bem comigo, talvez seja o ar de jogador de rugby e pensem que podem levar "um pêro"

pss. Outra vez no Bedroom, no bairro, estava a dançar com o meu companheiro e vieram duas raparigas dançar connosco de forma mais "espevitada". Aceitamos a intromissão e dançamos com elas. Foram embora uns 20 minutos depois. Eram inglesas, desejaram-nos uma boa noite, agradeceram, e disseram que tinhamos boa energia. A noite também pode ser isto. :-)



Silvestre a 31 de Julho de 2009 às 11:53

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Gostei imenso do teu texto.Parabéns! Abraço.
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