Um blogue pessoal mas... transmissível

24
Jan 09

 

 

Escrevo um poema no teu corpo
Escrevo-o com palavras-mãos
Soletrando as palavras
Desejo lascívia
Carícia e prazer
Não vou pontuar o meu poema
Nada de vírgulas
Pontos finais
Mudanças de parágrafo
Não quero pausas
No meu poema-corpo
Escrevo-o sem parar
Sem respirar
De cima para baixo
Subvertendo a palavra crescendo
Risco cravo o poema
No teu corpo-página
Até ficares preenchido
Coberto repleto
De traços riscos e letras
Até só haver espaço
Para a palavra orgasmo
E não faltar escrever
Senão a palavra
Fim
publicado por Pensador Insuspeito às 11:42
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22
Jan 09

 

E não é que me lançaram outro desafio! Desta vez foi o Ray. A menos de duas semanas de este blog ter sido inaugurado, direi que isto promete...

 

Este desafio é bem interessante, pois consiste em avaliarmos a nossa pessoa na sua relação com os sete pecados mortais. É uma espécie de introspecção...

 

As regras do desafio são muito simples:

    o Revelar a nossa relação com os pecados capitais;
    o Nomear outros oito blogs para responder ao desafio.

 

E agora aqui vai a resposta, que se faz tarde:

 

Gula: Já teve o seu tempo. Hoje nem por isso. Impus a mim próprio regras muito severas a esse respeito. E quando me excedo (porque todos temos os nossos dias de excessos), digo a mim próprio: "Comeste. Pois agora vais ter de sofrer!". E toca a castigar o corpinho no ginásio...

 

Avareza: Por este não vou parar às "profundas" do Inferno. Não vou mesmo! Gosto mais de dar do que de receber. E se pudesse dava muito mais. E ainda tenho os meus delírios consumistas. Mas só de vez em quando!

 

Inveja: Não, não sou invejoso. E se por vezes sinto uma pontinha de inveja é quando vejo um gajo a passar com o carro dos meus sonhos. Sim, é verdade, gosto de carros e não queria ter apenas um carro melhor, queria ter "aquele carro". Mas passa-me depressa... e se o dito cujo for a 180 km/hora ainda me passa mais depressa...

 

Ira: Só quando estou à beira de um ataque de nervos... e só quando nada, mas mesmo nada, na minha vida parece correr bem...

 

Soberba/Orgulho: Ora aqui está outro que não me levará ao Inferno! Não sou nada orgulhoso. Tenho apenas o meu amor próprio, às vezes bem fraco por sinal... Acho que o orgulho é um sentimento muito negativo que só puxa para baixo...

 

Luxúria: Já tive dias piores... ou melhores. Depende das perspectivas. Quando estou numa relação sou mais fiel do que um pastor alemão mas quando estou fora tenho de me fazer à vida...

 

Preguiça: Por vezes este possui-me com toda a força. É que o dolce fare niente sabe tão bem! Acreditem!...

 

E os nomeados para responder ao desafio, se o aceitarem, são apenas dois:

 

Refúgio

 

Uma Imensa Minoria

 

publicado por Pensador Insuspeito às 23:01
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20
Jan 09

 

Não gosto de política nem de políticos mas a tomada de posse de Barack Obama como 44.º Presidente dos Estados Unidos da América merece bem este post. É o primeiro afro-americano a chegar à Casa Branca em 232 anos de história daquele país. Depois da presidência desastrosa de George W. Bush, Obama prometeu restituir a esperança ao povo norte-americano e, porque não dizê-lo, ao mundo.

 

I like that man! Good luck, President Obama!

publicado por Pensador Insuspeito às 22:52
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Ontem, nas minhas deambulações nocturnas pela net e ao entrar num conhecido fórum de discussão sobre a actualidade, deparei-me com a questão inevitável do casamento homossexual, a propósito do compromisso (?) assumido por José Sócrates de avançar com o casamento entre pessoas do mesmo sexo na próxima legislatura. Perante a baixeza da linguagem e a pobreza dos argumentos, apeteceu-me logo escrevinhar uns pensamentos a propósito do assunto e que agora quero partilhar convosco.

 

1.º Nenhuma pessoa se deve sentir discriminada em função da sua orientação sexual. Por conseguinte, o casamento é um direito que deve ser garantido a qualquer cidadão, para que possa decidir em liberdade e responsabilidade o que fazer. Não é pelo facto de o casamento homossexual vir a ser legalizado que todos os gays e lésbicas se verão obrigados a casar. Por mim falo...

 

2.º Não vejo como a legalização do casamento homossexual possa ameaçar a família tradicional. De facto, não vejo como o casamento dos meus pais, que já passou dos 40 anos, possa ser afectado por isso. E também não vejo como um homem e uma mulher que se queiram casar possam deixar de o fazer pelo simples facto de o casamento entre duas pessoas do mesmo sexo ser legal...

 

3.º Não compreendo nem aceito que se diga que o casamento homossexual contribui para a diminuição dos nascimentos e o progressivo extermínio da humanidade. Uniões homossexuais sempre as houve e haverá e se os casais heterossexuais não têm mais filhos é porque não podem ou não querem. Além disso, nenhum homossexual está impedido de procriar...

 

4.º Qualquer casamento civil, independentemente do sexo das pessoas que o contraem, é um simples contrato, com direitos e obrigações para ambas as partes, como qualquer outro contrato. Por isso, não entendo o stress provocado pelo nome que se deve atribuir ao instituto, quando se trata de pessoas do mesmo sexo. Já o matrimónio é outra coisa. É sacramento, pertence ao domínio da Igreja, e não é isso que está em causa.

 

Depois de todos os comentários que pude ler, começo a achar que Portugal merece estar na cauda da Europa. É que o último lugar assenta-lhe tão bem!


19
Jan 09

 

De quem é o olhar
Que espreita por meus olhos?
Quando penso que vejo,
Quem continua vendo
Enquanto estou pensando?
Por que caminhos seguem,
Não os meus tristes passos,
Mas a realidade
De eu ter passos comigo ?

Às vezes, na penumbra
Do meu quarto, quando eu
Por mim próprio mesmo
Em alma mal existo,
Toma um outro sentido
Em mim o Universo —
É uma nódoa esbatida
De eu ser consciente sobre
Minha idéia das coisas.

Se acenderem as velas
E não houver apenas
A vaga luz de fora —
Não sei que candeeiro
Aceso onde na rua —
Terei foscos desejos
De nunca haver mais nada
No Universo e na Vida
De que o obscuro momento
Que é minha vida agora!

Um momento afluente
Dum rio sempre a ir
Esquecer-se de ser,
Espaço misterioso
Entre espaços desertos
Cujo sentido é nulo
E sem ser nada a nada.
E assim a hora passa
Metafisicamente.

 

Fernando Pessoa


status quo

 

Ao apresentar domingo a moção que vai levar ao congresso do PS, José Sócrates garantiu que a consagração dos direitos de uma minoria social [a homossexual] representará a vitória de toda a sociedade portuguesa, porque se traduzirá em mais tolerância e dignidade individual. De acordo com o primeiro-ministro, o debate sobre os casamentos homossexuais será feito "em nome da liberdade, da igualdade e da dignidade individual e da luta contra todos os tipos de discriminação". Até aqui tudo bem. Mas afinal o que é que mudou desde o dia 10 de Outubro de 2008? Não será que a caça ao voto já começou? Pelo sim pelo não, recomendo a todos os gays e lésbicas que queiram casar que votem em partidos mais sérios...


18
Jan 09

 

 

Hoje senti-me assim... molhado até aos ossos! Pois é. Quem anda à chuva, molha-se... Palavras para quê?! Por hoje não digo mais nada!
publicado por Pensador Insuspeito às 23:01

Apesar de já não ver o M. há quase um mês (e que falta me faz...), posso dizer-vos que este fim-de-semana começou bem. Diria mesmo que começou muito bem... É que na sexta-feira garanti que vou finalmente concretizar algo que devia ter feito há muito tempo. Este ano promete... pelo menos nesse aspecto!

 

Ontem resolvi fazer uma arrumação ao escritório. Eram papeis e mais papeis que me enchiam a secretária e se espalhavam pelas estantes e até por um pequeno sofá onde gosto de me estender a ler e a ouvir um pouco de música nos intervalos dos trabalhos e das navegações pela net. Pois bem! Há muito tempo que andava a adiar esse trabalho. Também até há bem pouco tempo, todos os meus tempos livres eram dedicados ao M. e durante a semana, entre o trabalho, o ginásio e uma ou outra saída, não sentia vontade nenhuma de o fazer.

 

Ao olhar para todo aquele entulho intelectual, dei comigo a pensar até que ponto toda aquela papelada era necessária. Ando a fazer um mestrado e estou a redigir a tese, de modo que todas as vezes que falo com a orientadora, ela vem com aquelas recomendações da praxe: "Olhe que devia ler isto, e mais isto, e mais aquilo...". E lá vou eu em busca de mais informação, que muitas vezes nunca chego a ler. São montes e montes de fotocópias, porque os livros são caros e há sempre uma maneira de contornar os direitos de autor e a ASAE... No meio de tudo isto, vou redigindo a tese, muito, muito lentamente...

 

Lá para o fim do dia, ainda saí com a minha amiga G., que já não via desde o fim-de-semana passado (!). Fomos jantar ao meu restaurante italiano preferido e depois rumámos até ao bar mais in da santa terrinha porque as nossas gargantas estavam a pedir um copo. A G. é uma excelente pessoa, mas devo confessar-vos que tem um defeito do tamanho do mundo: é muito, muito, mas mesmo muito chatinha e, por isso, dá-me cabo da paciência... E depois está sempre a insinuar-se. Quer de mim algo mais do que uma simples amizade e eu já lhe fiz saber que não lhe podia dar mais do que isso. Mas ainda assim acho que não compreendeu. Quando namorava com o M., estive a ponto de lhe dizer que o meu coração já tinha dono, sabendo de antemão que ela não iria descansar enquanto não soubesse quem era. E se descobrisse era bem capaz de ser a reedição do Grande Terramoto de 1755!... Já estou a ver o argumento para o filme do ano... Não há pachorra!!!

 

Ao fim da noite, recebi uma sms do M. que me deixou a pensar e me fez ter um pouco mais de esperança. Posso estar a enganar-me a mim próprio. Mas não faz mal...

publicado por Pensador Insuspeito às 22:48

17
Jan 09

 

Quando vejo este James Dean dos tempos modernos no grande ecrã, dou comigo a pensar que até era capaz de pagar para ter uma noite de sexo com ele... ou uma manhã, uma tarde... isso não interessa nada! O que interessa era ter sexo com ele!... Infelizmente, Ben Affleck não é gay, está muito bem casado com a actriz Jennifer Garner e no passado dia 6 foi pai pela segunda vez...

publicado por Pensador Insuspeito às 12:51

16
Jan 09

 

Estou cansado, é claro,
Porque, a certa altura, a gente tem que estar cansado.
De que estou cansado, não sei:
De nada me serviria sabê-lo,
Pois o cansaço fica na mesma.
A ferida dói como dói
E não em função da causa que a produziu.
Sim, estou cansado,
E um pouco sorridente
De o cansaço ser só isto —
Uma vontade de sono no corpo,
Um desejo de não pensar na alma,
E por cima de tudo uma transparência lúcida
Do entendimento retrospectivo...
E a luxúria única de não ter já esperanças?
Sou inteligente; eis tudo.
Tenho visto muito e entendido muito o que tenho visto,
E há um certo prazer até no cansaço que isto nos dá,
Que afinal a cabeça sempre serve para qualquer coisa.

Álvaro de Campos
publicado por Pensador Insuspeito às 20:13

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