Um blogue pessoal mas... transmissível

14
Fev 09

 

Ontem aproveitei a minha tarde livre para fazer uma das coisas que mais gosto: estar com os amigos, os amigos verdadeiros, que vão sendo cada vez menos. Fui almoçar com o P., um dos poucos amigos de infância que ainda mantenho. De facto, a maioria já se dispersou e dos poucos com quem ainda mantenho contacto, uns têm namorada enquanto outros já casaram e não têm tempo nem disponibilidade para sair e estar com os amigos. Durante o almoço com o P., fiquei a saber que a direcção da empresa onde trabalha como engenheiro desde que concluiu a licenciatura está a pensar seriamente em dispensar pessoal. Por isso, o P. tem-se desdobrado em enviar curricula para tudo o que é lado. Disse-me também que está a pensar em aceitar uma proposta de trabalho na Alemanha, embora por um período limitado mas com boas possibilidades de vir a integrar os quadros da empresa. Só que, entretanto, a namorada ficou grávida. Diz que quer assumir a paternidade da criança mas que por enquanto ainda não pensa em casar. Conhecendo eu a família da namorada, penso que vai ser difícil ao P. contornar a questão doutra maneira, mesmo com os problemas de trabalho e da eventual ida para a Alemanha pelo meio. De facto, não sei... Até eu, se não fosse o sol e o mar ao pé da porta, era bem capaz de experimentar outras paragens. Porque viver num país profundamente atávico e eternamente deprimido já começa a cansar... Como o P. tinha de tratar de umas burocracias, rapidamente tomámos café, despedimo-nos e cada um foi à sua vida.

 

Estava eu a entrar no carro, ainda no estacionamento do centro comercial, quando recebo uma chamada da minha amiga G. que me pergunta se eu quero ir ver o novo filme do Gus Van Sant. Nem mais. Sabendo ela que Gus Van Sant é um dos meus realizadores preferidos, não podia ter melhor isco para me apanhar. E eu que ando há já algum tempo para ver o filme, lá acedi e aceitei o convite. Depois de tratar de uns assuntos, fui para casa, tomei um duche, troquei de roupa e à hora marcada lá estava eu preparado para ir apanhar a G.. Fomos jantar ao restaurante chinês da terrinha e mais uma vez comi um daqueles pratos chineses inomináveis e muito bem condimentados. Em seguida, rumámos ao cinema. Vimos o filme e devo dizer que gostei. Mas de "Milk" falarei noutra oportunidade. O certo é que depois da sessão fomos beber um copo a um bar próximo. Entrámos e pusemo-nos à conversa sobre o filme. Rapidamente, a conversa descambou para o tema da homossexualidade e para algumas pessoas que conhecemos e que não se assumem para a sociedade. No meio da conversa, eu que tenho a piada parva na ponta da língua (tem dias...), saio-me com esta: "Olha, eu sou metrossexual. Comigo o sexo é só ao metro!". Por sua vez, a G. dispara com esta: "Pois, podes ser o que quiseres. Até podes ser homossexual, que eu não vou deixar de gostar de ti". E eu, num impulso completamente impensado, digo-lhe mais ou menos isto: "Ainda bem que falaste nisso. É isso mesmo que eu sou. E é por isso que eu não quero nem posso envolver-me contigo". "És o quê?", pergunta ela. "É o que ouviste: sou gay!". Escusado será dizer que o rosto da G. se tingiu de todas as cores e até eu senti o chão fugir por debaixo dos meus pés. Mas estava dito! Não havia volta a dar... Apesar da naturalidade que ela procurou imprimir à conversa, senti que havia muito desconforto e preconceito. Por mim, senti-me completamente desnudado perante uma mulher, o que para um gay também não deixa de ser desconfortável. Durante o resto da noite, não houve outro assunto de conversa. Mas a conversa também não durou muito mais. A G. trabalhava hoje de manhã e por isso tinha de ir mais cedo para casa. Saímos, fui levá-la a casa, despedimo-nos e regressei ao meu cantinho. Desde ontem, ainda não falámos. Não sei como irá ser a reacção dela quando nos reencontrarmos, precisamente porque ela mantinha a esperança de que pudéssemos ter algo mais do que uma simples amizade. Neste momento, sinto um misto de sentimentos contraditórios. Por um lado, sinto-me mais aliviado, porque não tenho de andar a alimentar eternamente uma vida dupla, mas, por outro lado, apreensivo, porque não quero perder a amizade dela nem quero que a minha orientação sexual seja tema de conversa à mesa do café. No entanto, esta situação, tão inesperada que ainda me sinto meio atordoado, veio confirmar aquilo que eu previa: que 2009 iria ser um ano de pequenas e grandes mudanças na minha vida e que iria fazer coisas que nunca pensei fazer. Pois bem, isso já começou a acontecer...

 


 

 

Desculpem lá qualquer coisinha, mas este poema é dedicado ao M., que (ainda) é o grande amor da minha vida. AMO-TE, M!!!

 

Não posso deixar que te leve
O castigo da ausência,
Vou ficar a esperar
E vais ver-me lutar
Para que esse mar não nos vença.
Não posso pensar que esta noite
Adormeço sozinho,
Vou ficar a escrever,
E talvez vá vencer
O teu longo caminho.
Leva os meus braços,
Esconde-te em mim,
Que a dor do silêncio
Contigo eu venço
Num beijo assim.
Não posso deixar de sentir-te
Na memória das mãos,
Vou ficar a despir-te,
E talvez ouça rir-te
Nas paredes, no chão.
Não posso mentir que as lágrimas
São saudades do beijo,
Vou ficar mais despido
Que um corpo vencido,
Perdido em desejo.
Quero que saibas
Que sem ti não há lua,
Nem as árvores crescem,
Ou as mãos amanhecem
Entre as sombras da rua.

 

Pedro Abrunhosa
 

publicado por Pensador Insuspeito às 12:16
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Podem não acreditar, mas não cobrei à DMK um único cêntimo por esta publicidade! E se me quiserem oferecer umas cuecas destas, estejam à vontade. Apesar de só usar boxers tipo trunk, eu nunca rejeito o que me oferecem. E então se vierem com o modelo, não rejeito mesmo... humm!!!

 

publicado por Pensador Insuspeito às 12:07
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