Um blogue pessoal mas... transmissível

31
Mar 09

 

 

Há dias fiquei a saber que o Conselho dos Direitos Humanos das Nações Unidas, sediado em Genebra, inclui entre os seus membros países como a Arábia Saudita e a China, e ainda outros como o Egipto ou o Paquistão, países onde se pratica a tortura e a pena de morte e se violam diariamente os mais elementares direitos humanos. Ainda na semana passada, foi divulgada a notícia de que a China ocupa o primeiríssimo lugar no número de execuções sumárias em 2008, nada menos que 1718! Já para não falar na questão do Tibete, que permanece um assunto tabu para o regime chinês...

 

A propósito da Arábia Saudita e dos países muçulmanos em geral, não se podem esquecer as constantes violações dos direitos humanos, quase sempre desculpadas pela vigência da sharia islâmica. Por exemplo, no caso da homossexualidade, a Arábia Saudita pune a relação sexual entre dois homens com a pena de morte. E que dizer do Irão, onde o seu lunático presidente Ahmadinejad afirma não existirem gays? À semelhança da Arábia Saudita, a forca não é a única pena possível para as acusações de homossexualidade no Irão. A chibata é também uma alternativa quando não existem provas de que houve relação sexual. Por vezes, a sentença que recai sobre as acusações de "sodomia" tem tanto de medieval como de perverso. Para que conste, em Janeiro do ano passado, dois jovens gays foram condenados a serem colocados em sacos de plástico e atirados do alto de um precipício. Apesar dos apelos de várias personalidades e organizações internacionais de defesa dos direitos humanos, a condenação foi cumprida…

 

Quando, no ano passado, Ahmadinejad declarou que o "fenómeno" da homossexualidade não existia no Irão, provocou o riso entre os alunos da Universidade norte-americana de Colúmbia. Evidentemente, a declaração é tão absurda que fez dele a caricatura de um líder fanático. Contudo, para os homossexuais iranianos, não há motivos para rir… Dito isto, só faltava mesmo é que o Irão também integrasse aquela organização das Nações Unidas para que a defesa dos direitos humanos fosse completa…

 


30
Mar 09

 

Começo a estranhar o silêncio em que está imersa a Presidência da República. Parece que o Presidente da República não tem nada a dizer sobre os últimos acontecimentos que envolvem ainda mais o primeiro-ministro no "caso Freeport". Já lhe conhecíamos essa faceta sonsa no caso Dias Loureiro, mesmo depois daquela falta de memória selectiva e radical, que veio mesmo a calhar. Agora o "caso Freeport" está de novo na ribalta, depois da TVI ter divulgado umas comprometedoras gravações em que o empresário Charles Smith afirma que José Sócrates é "corrupto". Convém dizer mais uma vez que no "caso Freeport", Sócrates é inocente até prova em contrário. No entanto, parece-me que o Presidente da República já se devia ter pronunciado sobre o que está acontecer, não alimentando guerrilhas político-partidárias, mas chamando a atenção para o funcionamento da justiça, que a meu ver tem sido pouco mais que vergonhoso.

 

De facto, quando existem dois arguidos suspeitos de corrupção activa, porque não se investiga qual é a identidade dos alvos dessa corrupção? Quando os magistrados envolvidos na investigação do caso se queixam de pressões nessa investigação, porque não se investiga de onde provêem essas pressões? Quando o processo parece ter estado parado durante quatro anos, porque é que só agora é que se avançou e ainda por cima pressionados pela investigação da polícia britânica? Quando existem jornalistas que dizem ter sofrido pressões de elementos do PS para não publicar notícias sobre o "caso Freeport", porque não averiguar a fundo qual a natureza de tais pressões e seguidamente proceder em conformidade? Tudo isto exigia uma intervenção do Presidente da República. Até para acautelar, como é sua obrigação, a separação de poderes, zelando para que o poder judicial não viva em cambalacho permanente com o poder executivo. Mas o homem é sonso demais…

 


 

 

 

Este fim-de-semana, tive o prazer de assistir ao concerto de Nneka no Cinema Batalha, no Porto, onde a cantora apresentou o seu mais recente trabalho, intitulado "No Longer at Ease". Já não entrava na sala do Cinema Batalha há muito tempo. Depois de reabrir em 2006, o grande auditório, que tem uma acústica excelente, acolhe espectáculos de música e de cinema. Neste concerto, pude constatar ao vivo tudo o que já tinha lido e ouvido acerca de Nneka. Impressionou-me sobretudo a forma como a cantora apelou às coisas simples da vida, que muitas vezes nos passam ao lado, e aos graves problemas mundiais que ainda aguardam uma solução, como sejam a corrupção, o subdesenvolvimento, a exploração das riquezas naturais dos países do terceiro mundo às mãos dos interesses das grandes multinacionais europeias e norte-americanas. Oriunda da Nigéria, Nneka sabe do que fala, especialmente quando se refere à exploração abusiva de petróleo no delta do rio Níger, local onde nasceu e cresceu. Por isso mesmo, Nneka é mais que uma cantora. Nneka é uma voz de intervenção, que faz muito mais do que mostrar a sua música e foi dessa forma interventiva que a cantora se mostrou durante todo o concerto. De aspecto aparentemente singelo, com ar de menina rebelde, Nneka fala como uma criança, de coração e mente abertos, mas com uma consciência social e política madura e acima da média. Sendo possuidora de uns dotes vocais invejáveis e acompanhada por uma excelente banda, Nneka canta as suas músicas, quase que seguindo um ritual de explicação das mesmas. E é nisso que Nneka difere de outras cantoras soul: a jovem nigeriana conseguiu criar um ambiente de cumplicidade com o público, mantendo uma conversa animada e por vezes emotiva. Depois de uma semana de trabalho muito cansativa, foi um dos melhores concertos a que alguma vez assisti. Para ouvir, escolhi a música que mais fez o Cinema Batalha vibrar, "Heartbeat".

 

 

 

 

publicado por Pensador Insuspeito às 17:41

29
Mar 09

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Quanto de ti, amor, me possuiu no abraço
Em que de penetrar-te me senti perdido
No ter-te para sempre
Quanto de ter-te me possui em tudo
O que eu deseje ou veja não pensando em ti
No abraço a que me entrego
Quanto de entrega é como um rosto aberto,
Sem olhos e sem boca, só expressão dorida
De quem é como a morte
Quanto de morte recebi de ti,
Na pura perda de possuir-te em vão
De amor que nos traiu
Quanta traição existe em possuir-se a gente
Sem conhecer que o corpo não conhece
Mais que o sentir-se noutro
Quanto sentir-te e me sentires não foi
Senão o encontro eterno que nenhuma imagem
Jamais separará
Quanto de separados viveremos noutros
Esse momento que nos mata para
Quem não nos seja e só
Quanto de solidão é este estar-se em tudo
Como na ausência indestrutível que
Nos faz ser um no outro 
Quanto de ser-se ou se não ser o outro
é para sempre a única certeza
que nos confina em vida
Quanto de vida consumimos pura
No horror e na miséria de, possuindo, sermos
A terra que outros pisam
Oh meu amor, de ti, por ti, e para ti,
Recebo gratamente como se recebe
Não a morte ou a vida, mas a descoberta
De nada haver onde um de nós não esteja.
 

Jorge de Sena

 


28
Mar 09

 

Diz-se que a frase do presidente brasileiro Lula da Silva sobre a crise económica ter sido provocada por "gente branca de olhos azuis" provocou uma grande perplexidade entre os súbditos de sua majestade. Isto porque a declaração foi feita durante a entrevista colectiva de Lula ao lado do primeiro-ministro britânico Gordon Brown, que está de visita ao Brasil, e teve um grande destaque na imprensa britânica. De acordo com a maioria dos grandes jornais britânicos, Brown ficou claramente "constrangido" com a frase do presidente brasileiro. O tablóide Daily Mirror usou mesmo o termo "bizarro" para classificar a declaração de Lula da Silva. E eu, que não sou de "falinhas mansas", uso o termo "idiota"...

 

Aqui fica o vídeo da referida conferência de imprensa...

 

 

 


 

Hoje, pelas 20h30 locais, pessoas de todo o mundo são desafiadas a apagar as suas luzes por uma hora. "Hora do Planeta" é uma iniciativa da WWF, que pretende mobilizar mil milhões de pessoas contra as alterações climáticas, nomeadamente no que diz respeito aos efeitos nefastos do aquecimento global. Até ao momento, mais de 2000 cidades em 81 países já se comprometeram a apagar as luzes dos seus edifícios mais emblemáticos. Por cá, cidades como Lisboa, Tomar, Águeda, Vila Nova de Famalicão, Funchal, Guimarães e Almeirim vão desligar as suas luzes pela "Hora do Planeta", num gesto de solidariedade global. Só espero que daqui a uns anos, esta iniciativa não se venha a tornar mais um Dia Europeu Sem Carros…

 

 

 

 


27
Mar 09

 

Já referi aqui, a propósito da discussão sobre o TGV, que a sala de sessões do parlamento reabriu depois de um interregno de oito meses para se proceder a "inadiáveis" obras "tecnológicas". Parece que a "casa da democracia" manteve os mesmos traços arquitectónicos mas foi apetrechada com a mais moderna tecnologia para que os representantes da nação possam estar "up to date" com os tempos moderníssimos que vivemos. A partir de agora, a sala de sessões encontra-se equipada com 230 computadores, um por cada posto de trabalho nas bancadas dos deputados, e com quatro ecrãs de projecção de vídeo. Do ar condicionado aos equipamentos informáticos, a renovação incluiu iluminação, isolamento acústico, limpeza das pinturas e estátuas, reparação das bancadas de madeira e substituição de todo o soalho.

 

Como contribuinte generoso para a obra, devo dizer que estou muito satisfeito por o meu dinheiro proporcionar tão grande conforto e eficiência aos senhores deputados. É o plano tecnológico de Sócrates em todo o seu esplendor… Infelizmente, parece que a cerimónia de reabertura do hemiciclo não esteve à altura do acontecimento. Diz-se que foi pobrezinha e que contou apenas com um pequeno concerto pela Orquestra Metropolitana de Lisboa e pela banda da GNR. Tanto dinheiro dos contribuintes gasto para cerimónia tão miserável! Na minha opinião, podiam ter convidado a Madonna e davam ao acontecimento o brilhantismo que ele merecia. O espaço, com aqueles quatro ecrãs gigantes, estava mesmo à altura de servir de cenário a um dos próximos concertos da tournée da rainha da pop…

 

 

 

 

P. S.: Só tenho pena de não ver os senhores deputados "miles away", como diz a letra da música da Madonna...

 

publicado por Pensador Insuspeito às 17:47

 

 

Já tinhamos a justiça de Fafe. Agora passámos a ter também a justiça do Marco. Ontem, o tribunal do Marco de Canaveses absolveu o ex-presidente da câmara, Avelino Ferreira Torres, de todos os crimes de que estava acusado pelo Ministério Público. Corrupção, peculato de uso, abuso de poder e extorsão. Afinal, coisa de pouca monta... Parece até que o homem que só acreditava na justiça divina e na justiça de Fafe (lembram-se dos pontapés e das agressões?), passou agora a acreditar também na justiça dos tribunais. Como homem de fé, o senhor Avelino Ferreira Torres, ao conhecer a sentença, deve ter pensado consigo próprio: "God moves in mysterious ways". E eu não sei se acredito mais na justiça humana e acho que o homem é inocente. Ou se acredito mais na minha própria intuição e acho o homem culpado. Olhando bem para a expressão do senhor Avelino Ferreira Torres na fotografia que acompanha este post/pensamento, parece-me é que o homem não disse nem pensou mais nada senão isto: "Desta já me safei!"...

 


26
Mar 09

 

Porque estou a precisar de relaxar, resolvi postar hoje mais uma música. Desta vez, escolhi uma peça de música clássica, coisa que nunca fiz por aqui. Passando hoje mais um aniversário sobre a morte de Beethoven, ocorrida a 26 de Março de 1827, escolhi "Fur Elise", uma das obras para piano mais conhecidas do genial compositor alemão, escrita pelos anos 1808 ou 1810 em honra de uma senhora a quem propôs casamento, chamada Teresa Malfatti. O amor tem destas coisas...

 

 

 

 


 

Hoje, quando já nada o fazia prever, volto a entregar-me a este imenso prazer que é blogar. Os factos a isso obrigam. É que quando ia a sair da escola e me dirijo ao carro, qual não é o meu espanto ao ver uma multa por estacionamento indevido, ostensivamente escarrapachada no pára-brisas. Com efeito, quando regressei à escola depois do almoço, constatei que todos os lugares no estacionamento situado em frente já estavam ocupados. Decidi então colocar o carro num local mais afastado e interdito a estacionamento, como já tinha feito algumas vezes, confiando que a polícia não iria passar por aquelas bandas, uma vez que é um lugar bastante discreto. Puro engano. A comprovar isso mesmo, está a multa que não me deixa mentir e que vou ter mesmo de pagar…

 

Mas avancemos. Entro no carro e apercebo-me que não trago comigo os óculos de sol. Volto a sair do carro, furioso comigo mesmo por todas as razões deste mundo, e regresso à escola com o intuito de apanhar os óculos que deixei (mais uma vez) na sala de professores. Mal franqueei o portão de entrada, dou de caras com dois colegas que conversavam animadamente sobre o assunto que por estes dias é obrigatório em todas as conversas de ocasião: o facto de o conselho executivo estar a ponderar a aplicação de sanções aos professores que não entregaram, no seu devido tempo, os objectivos individuais, entre os quais eu me incluo. Escusado será dizer que os colegas me desafiaram a entrar na conversa, embora eu estivesse com pressa e não quisesse contribuir mais uma vez para esse estafado assunto. Mas, enfim, lá acedi a participar.

 

Apesar de ser um pouco "espalha-brasas" quando a "mostarda me sobe ao nariz", nunca assumi a postura de enfant terrible. Mas desta vez, porque se requeria uma actuação dura e em conformidade com a gravidade da situação, decidi não entregar os objectivos individuais e acarretar com as eventuais consequências. Em circunstâncias normais, não o faria, mas tive mesmo de o fazer no respeito pela minha própria consciência e em oposição a um modelo de avaliação tão desfasado da nossa realidade escolar. Ora, a conversa azedou, isto porque confrontei os ditos colegas com a sua falta de coerência. Em tempos não muito recuados, foram os primeiros a manifestar a sua indignação e discordância perante o modelo que o ME implementou na avaliação dos docentes e poucos meses depois dão o dito pelo não dito e entregam os objectivos individuais, passando a engrossar o rebanho de "miluzinhas" e "socretinhos" que infesta o país.

 

Há pouco tempo, discorri num blogue amigo sobre os efeitos da frontalidade nas relações de trabalho e de amizade. Nunca gostei de meias-tintas. É preferível pôr imediatamente as cartas em cima da mesa do que alimentar eternamente uma situação dúbia. Se os meus interlocutores tiverem a humildade para aceitar uma crítica ou uma opinião menos favorável é muito bom sinal. De contrário, as relações de trabalho (ou de amizade) mover-se-ão constantemente num terreno de areias movediças e ficarão reféns do politicamente correcto. Na minha perspectiva, a frontalidade não pode ser confundida com a agressividade, mas deve ser entendida como opção pela verdade. Depois da conversa que tivemos, os dois colegas e eu, acredito que não haverá mais dúvidas sobre a personalidade de cada um de nós. Acredito também que todas as pessoas são livres de mudar de critérios, mas então que tenham a decência de respeitar quem coerentemente continua a defender os seus pontos de vista. A bem de uma profissão cada vez mais desmotivadora e de uma escola onde é cada vez mais difícil trabalhar…

 

Valeu-me o facto de ter acabado o dia a mortificar o corpinho numa boa sessão de ginásio. E o melhor de tudo é que alguém com quem tenho trocado olhares desde o início desta semana também andava por lá. Pode ser que daqui a algum tempo tenhamos assunto. Ou não... Por agora fico-me por aqui e mais não digo.
 


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