Um blogue pessoal mas... transmissível

30
Mar 09

 

Começo a estranhar o silêncio em que está imersa a Presidência da República. Parece que o Presidente da República não tem nada a dizer sobre os últimos acontecimentos que envolvem ainda mais o primeiro-ministro no "caso Freeport". Já lhe conhecíamos essa faceta sonsa no caso Dias Loureiro, mesmo depois daquela falta de memória selectiva e radical, que veio mesmo a calhar. Agora o "caso Freeport" está de novo na ribalta, depois da TVI ter divulgado umas comprometedoras gravações em que o empresário Charles Smith afirma que José Sócrates é "corrupto". Convém dizer mais uma vez que no "caso Freeport", Sócrates é inocente até prova em contrário. No entanto, parece-me que o Presidente da República já se devia ter pronunciado sobre o que está acontecer, não alimentando guerrilhas político-partidárias, mas chamando a atenção para o funcionamento da justiça, que a meu ver tem sido pouco mais que vergonhoso.

 

De facto, quando existem dois arguidos suspeitos de corrupção activa, porque não se investiga qual é a identidade dos alvos dessa corrupção? Quando os magistrados envolvidos na investigação do caso se queixam de pressões nessa investigação, porque não se investiga de onde provêem essas pressões? Quando o processo parece ter estado parado durante quatro anos, porque é que só agora é que se avançou e ainda por cima pressionados pela investigação da polícia britânica? Quando existem jornalistas que dizem ter sofrido pressões de elementos do PS para não publicar notícias sobre o "caso Freeport", porque não averiguar a fundo qual a natureza de tais pressões e seguidamente proceder em conformidade? Tudo isto exigia uma intervenção do Presidente da República. Até para acautelar, como é sua obrigação, a separação de poderes, zelando para que o poder judicial não viva em cambalacho permanente com o poder executivo. Mas o homem é sonso demais…

 


 

 

 

Este fim-de-semana, tive o prazer de assistir ao concerto de Nneka no Cinema Batalha, no Porto, onde a cantora apresentou o seu mais recente trabalho, intitulado "No Longer at Ease". Já não entrava na sala do Cinema Batalha há muito tempo. Depois de reabrir em 2006, o grande auditório, que tem uma acústica excelente, acolhe espectáculos de música e de cinema. Neste concerto, pude constatar ao vivo tudo o que já tinha lido e ouvido acerca de Nneka. Impressionou-me sobretudo a forma como a cantora apelou às coisas simples da vida, que muitas vezes nos passam ao lado, e aos graves problemas mundiais que ainda aguardam uma solução, como sejam a corrupção, o subdesenvolvimento, a exploração das riquezas naturais dos países do terceiro mundo às mãos dos interesses das grandes multinacionais europeias e norte-americanas. Oriunda da Nigéria, Nneka sabe do que fala, especialmente quando se refere à exploração abusiva de petróleo no delta do rio Níger, local onde nasceu e cresceu. Por isso mesmo, Nneka é mais que uma cantora. Nneka é uma voz de intervenção, que faz muito mais do que mostrar a sua música e foi dessa forma interventiva que a cantora se mostrou durante todo o concerto. De aspecto aparentemente singelo, com ar de menina rebelde, Nneka fala como uma criança, de coração e mente abertos, mas com uma consciência social e política madura e acima da média. Sendo possuidora de uns dotes vocais invejáveis e acompanhada por uma excelente banda, Nneka canta as suas músicas, quase que seguindo um ritual de explicação das mesmas. E é nisso que Nneka difere de outras cantoras soul: a jovem nigeriana conseguiu criar um ambiente de cumplicidade com o público, mantendo uma conversa animada e por vezes emotiva. Depois de uma semana de trabalho muito cansativa, foi um dos melhores concertos a que alguma vez assisti. Para ouvir, escolhi a música que mais fez o Cinema Batalha vibrar, "Heartbeat".

 

 

 

 

publicado por Pensador Insuspeito às 17:41

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