Um blogue pessoal mas... transmissível

10
Mar 09

 

Nos últimos dias, fui coleccionando algumas frases brilhantes que gostaria de partilhar com a blogosfera. Por si só, cada uma delas dava um post/pensamento, mas como não tenho tempo, limito-me a transcreve-las, sem mais comentários.

 

"Máquina de lavar roupa fez mais pela mulher do que a pílula" (L'Osservatore Romano, jornal oficial do Vaticano);

 

"Estou preocupado e triste com a situação que o País atravessa" (Cavaco Silva, Presidente da República);

 

"Se há inflexibilidade, ela está do lado dos sindicatos" (Jorge Pedreira, Secretário de Estado Adjunto da Educação);

 

"Infelizmente, não foi possível detectar no momento adequado essas deficiências e esses erros [do computador "Magalhães"] e aquilo que temos a fazer é naturalmente lamentar que esses erros tenham ocorrido e pedir desculpa às famílias" (Jorge Pedreira, Secretário de Estado Adjunto da Educação);

 

"Depois do Apito Dourado nada voltará a ser como antes" (Pinto Monteiro, Procurador-Geral da República);

 

"Alguns árbitros eram corruptos, mas 500 contos [2500 euros] para um árbitro, à bitola da época, só se fosse para um aquecimento" (António Mortágua, Juiz-conselheiro);

 

"Fico triste porque ninguém me defende" (Miguel Veloso, jogador do Sporting);

 

"Mandem toda esta gente para Marte, sem bilhete de regresso, mas por favor deixem-me ficar com o coitadinho do Miguel Veloso, que eu dou-lhe miminhos..." (Miguel, mais conhecido por Pensador Insuspeito, autor do blog Pensamentos (In)suspeitos).

 

publicado por Pensador Insuspeito às 17:08

09
Mar 09

 

Fazendo a retrospectiva do fim-de-semana que passou, fico com a sensação que estou a deixar fugir a minha vida como areia por entre os dedos das mãos. Por diversos motivos, tenho adiado a conclusão do mestrado que estou a fazer. Nos últimos dois meses, a tese tem estado arrumada a um canto, à espera de dias melhores. De facto, depois da minha separação ainda não me tinha sentido com capacidade intelectual para voltar a debruçar-me sobre a dita. Mas este fim-de-semana consegui novamente pôr mãos à obra e aquilo que durante a semana tinha planeado fazer teve de ser adiado para outra ocasião. Quase não tive tempo de aproveitar os esplêndidos dias de sol deste fim de Inverno. No meio disto tudo, questiono-me sobre a utilidade de mais este grau académico. Mas sei que tenho de fazer um esforço para acabar o que comecei e não ver a minha vida eternamente adiada...

 

Do resto do mundo, nada de novo. Senão vejamos. A Igreja brasileira, com a bênção do Vaticano, anda ocupada em lançar excomunhões sobre meninas de 9 anos violadas pelos padrastos e obrigadas a abortar porque, segundo os médicos, corriam risco de vida. Nada de novo... Depois da morte do seu Presidente e do chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas, a Guiné-Bissau continua a ser um país adiado, onde impera a "lei da catana" e onde a pobreza extrema convive paredes-meias com a corrupção e o narcotráfico. Nada de novo... Ontem foi o dia da mulher e embora não querendo ser desmancha-prazeres, defendo que a existência de um dia como este traz sempre uma marca sexista e discriminatória para as próprias mulheres. E pergunto-me: então se apenas o dia 8 de Março é o dia da mulher, quer dizer que os restantes 364 dias do ano são dias do homem? Nada de novo...

 

E neste jardim à beira-mar plantado também não se passou nada de novo. Que um histórico deputado do PS tenha dito numa entrevista que seria capaz de concorrer contra o seu próprio partido e ser acusado logo de seguida por um seu correligionário de "falta de carácter", não é nada de novo... Que o procurador-geral da República tenha dito que a procuradoria não funciona, não é nada de novo... Que um ilustre juiz venha reconhecer que há corrupção no futebol, não é nada de novo... Que o maior orgulho tecnológico do governo de Sócrates tenha tantos erros de português que até façam corar uma criança do 1.º ano do ensino básico, não é nada de novo... Agora que a líder da oposição tenha mudado de visual e faça lembrar algo parecido a um cruzamento entre a Margaret Thatcher e o Martini Man (esta fui roubá-la ao Eu é mais bolos... não resisti...), isso, sim, já é uma novidade digna de registo...

 

Aqui fica a fotografia que não me deixa mentir. E mais não digo...

 

 


07
Mar 09

 

Uma colectânea das falhas detectadas

 

Notícia do Expresso deste sábado: "Magalhães tem tantos erros que "è" difícil "contar-los"...". "Neste processador podes escrever o texto que quiseres, gravar-lo e continuar-lo mais tarde", lê-se nas instruções do processador de texto. Isso mesmo: "gravar-lo e continuar-lo". "Dirije o guindaste e copía o modelo", explicam as instruções de um puzzle: "dirije" com "j" e "copía" com acento no "i". "Quando acabas-te, carrega no botão OK": "acabas-te", em vez de "acabaste". Tudo isto e muito mais se pode ler nas instruções dos jogos que vêm instalados de origem nos computadores "Magalhães", o orgulho do governo de Sócrates, e que foram entregues a mais de 200 mil crianças do primeiro ciclo (ainda estão 150 mil à espera) e até foram oferecidos pelo primeiro-ministro aos chefes de Estado e de Governo dos 22 países presentes na última cimeira ibero-americana. Se tem em casa um "Magalhães", confirme, e aprenda desde já a expressar-se em bom "magalhanês"...

 


20
Fev 09

 

Afinal, os professores do Agrupamento de Escolas de Paredes de Coura lá tiveram de desfilar ao lado dos meninos que festejavam o Carnaval. Mas fizeram-no vestidos de negro, amordaçados e com as mãos presas por correntes, como forma de protesto contra a Direcção Regional de Educação do Norte (DREN) que, contrariando uma decisão do Conselho Pedagógico, lhes ordenou que acompanhassem as criancinhas do pré-escolar e do 1.º ciclo do Ensino Básico pelas ruas da sede do concelho. Uma imposição da DREN que poderia ter saído de um qualquer gabinete bafiento do Estado Novo... Mais a sul, o Ministério Público mandou retirar uma representação do computador Magalhães com imagens de mulheres seminuas, constante num monumento alegórico do Carnaval de Torres Vedras, depois de ter sido apresentada uma queixa-crime (acabo de saber que o mesmo Ministério Público, com uma rapidez meteórica, recua e autoriza a referida sátira ao Magalhães!). Os argumentos utilizados – de que as imagens eram pornográficas e ofendiam a moral pública – ultrapassam o que teria sido a actuação da Santa Inquisição nos seus tempos áureos. Tenho para mim que o verdadeiro argumento não foi de ordem moral mas alguém se sentiu muito ultrajado por se associarem gajas nuas ao sacrossanto computador Magalhães, verdadeiro ícone do regime socrático. Por este andar vai ser cada vez mais perigoso escrever num blog como este. Qualquer dia tenho o Ministério Público a intimar-me para que feche o estaminé. As coisas estão a ficar muito complicadas neste pais cinzentão e pidesco… E mais não digo. Um bom fim-de-semana.

 

publicado por Pensador Insuspeito às 20:18

19
Fev 09

 

Os professores do Agrupamento de Escolas de Paredes de Coura continuam firmes na posição de não realizar o desfile de Carnaval com os alunos e afirmam que apenas voltarão atrás caso sejam "terminantemente obrigados" pela Direcção Regional de Educação do Norte (DREN). Não conheço os contornos do problema e não sei se os meus colegas professores de Paredes de Coura têm razão na sua recusa em não realizar o desfile carnavalesco com os alunos. O que vejo é a indignação dos pais e encarregados de educação, que se reuniram de emergência na noite de ontem para decidir o que fazer para que os seus rebentos não ficassem privados do desfile. Gostava de ver o mesmo empenho dos pais em muitíssimos outros assuntos que têm a ver directamente com a educação dos filhos. Mas infelizmente não vejo. E pasme-se: nesta indignação são acompanhados pela DREN, que na terça-feira enviou um email ao referido Agrupamento, assinado pela directora regional, Margarida Moreira, determinando a realização do desfile (!). A senhora directora sustenta que as actividades de Carnaval fazem parte do Projecto Educativo e do Plano de Actividades do Agrupamento e sublinha a sua importância para a escola "cumprir a sua missão nos processos de socialização e de aprendizagem para os alunos" (!!!). Enquanto isso, mais uma colega era agredida a murro pela mãe de uma aluna na Figueira da Foz. Assim vai o ensino em Portugal. E por hoje não digo mais nada. Bati o meu recorde de postagens num só dia. Sou um homem plenamente realizado! 

 


 

Deveria ser criada no livro de recordes do Guinness uma categoria para os povos que debitam o maior número de disparates por dia. Hoje ficou-se a saber que os portugueses acham-se mais magros e mais altos do que na realidade são, uma percepção errada que dificulta muito o combate à obesidade, um dos maiores problemas deste século, segundo um livro hoje lançado em Lisboa. De acordo com a investigação, a tendência de cada indivíduo, que se reflecte na população em geral, é ter uma percepção subjectiva de menos peso e mais altura. Em todas as idades as pessoas acham que têm menor índice de massa corporal do que aquele que realmente têm. "Quando se pergunta, as pessoas dizem sempre que pesam menos e medem mais", disse a endocrinologista Isabel do Carmo, coordenadora da referida obra. De facto, é o que eu também posso constatar na plateia que se senta todos os dias à minha frente. Isso significa que as crianças e os jovens de hoje vão ser muito mais obesos do que os adultos actuais. Para já não falar no ginásio onde a massa adiposa anda à solta por todo o lado. Afinal o espelho engana mesmo...
 

publicado por Pensador Insuspeito às 16:32

 

Oh sim!... Estou em êxtase, quase a atingir um orgasmo intelectual. As ideias voltaram a povoar o meu cérebro. Tenho de aproveitar ao máximo estes breves momentos de glória, enquanto a musa (ou deveria dizer muso?) inspiradora ainda está por cá...

 

Ouço dizer que um ilustre cardeal me chamou de anormal. Who cares? Felizmente, não tenho o prazer de conhecer o dito senhor e, por isso, estou-me nas tintas para o que ele possa pensar e dizer a respeito da minha pessoa. E para desgosto do senhor cardeal há muito que o conceito de (a)normalidade deixou de seguir as rígidas normas ditadas pela Igreja. Apetece-me então mandar o ilustre membro da cúria romana àquele sítio malcheiroso de onde não deveria regressar, mas desde a mais tenra idade fui habituado às regras da boa educação e a respeitar todas as pessoas. Digam lá se eu não sou um anjo? Afinal, o M. tinha toda a razão.

 

Passemos por isso ao que realmente importa. Não, não vou falar da disenteria do meu canário, nem dos freaks da minha escola, nem da bruxa da minha vizinha. Tudo isso são coisas absolutamente normais. Vou falar-vos do mediúnico caso Freeport. Sim, leram bem. Mediúnico. Afinal não é o nosso inefável primeiro-ministro que diz que poderes ocultos andam a tramar uma campanha negra contra a sua impoluta pessoa? Pois bem. Parece que andaram a construir um mamarracho lá para os lados de Alcochete, na margem sul, em área de protecção especial do Estuário do Tejo, e que era o maior outlet da Europa. Isto de Portugal ser um país pequeno e ter as maiores coisas da Europa sempre me fez uma grande confusão. Mas avancemos senão o pensamento e a escrita resvalam para o obsceno e não há necessidade!... Ontem a imprensa e a televisão digladiaram-se para nos dizerem nada. Afinal os arguidos que estavam indiciados no processo do caso Freeport já não estão. Ou nunca estiveram. Ou nem sequer sabem onde fica Alcochete e muito menos o Freeport. Ou não há arguidos... E também nunca houve tráfico de influências, nem licenciamentos à pressa, nem dinheiro a circular por debaixo do pano. E eu quero acreditar que não, porque afinal neste país de brandos costumes não se passa nada. Absolutamente nada. E quero reafirmar, para que não restem dúvidas, que todas as pessoas se presumem inocentes até ao trânsito em julgado da respectiva sentença. Mas também não quero ser anjinho ao ponto de achar que está tudo bem, como se estivéssemos no melhor dos mundos, e que este país não é ainda um dos mais corruptos dentro do espaço europeu, segundo dizem as estatísticas internacionais. E  todos conhecemos casos de corrupção, ao longe e ao perto, que desprestigiam os poderes públicos, quaisquer que eles sejam. Já não sei o que pensar... Afinal no meio disto tudo quem são os (a)normais?

 

P. S.: Mais um post/pensamento destes e retiro o que disse àcerca da política e dos políticos. Porque afinal eu gosto é de política - só não consigo gostar é dos políticos - e qualquer dia estou a ver-me a percorrer freneticamente os Passos Perdidos da Assembleia da República...

 


18
Fev 09

 

Estou num daqueles dias em que parece que já tudo foi dito e escrito. Estou há mais de 15 minutos sem saber o que escrever. Pensei escrever algo sobre a crise mas o que há a dizer sobre um assunto que nunca deixou de estar na ordem do dia. Desde que me conheço por gente, ouço dizer que o país está em crise. Eternamente em crise. Depois dou comigo a pensar que a crise não é assim tão grave ou que, pelo menos, não toca a toda a gente. Lembrei-me então que alguém me dizia que no sábado – dia dos namorados - procurou um restaurante para jantar com a cara-metade e não conseguiu encontrar nenhum, pois todas as mesas estavam ocupadas ou reservadas… Ou então as muitas pessoas entregues aos prazeres do dolce fare niente e que a pretexto de tudo e de nada aproveitam para gastar o que têm e o que não têm. São as mini-férias do Natal, do Carnaval, da Páscoa, do dia de não-sei-quem… Depois pensei em escrever algo sobre a novela Freeport. Dizem que já há arguidos no caso, mas que os nomes ainda não são conhecidos. Estas fugas de informação sempre me intrigaram. Não vejo como a justiça possa sair credibilizada deste e doutros processos, por mais que insuspeitas procuradoras venham todos os dias dizer-nos o contrário. No fim de contas, todos irão constatar que a velha história de que "a montanha pariu um rato" é perfeitamente verídica e tem lugar em Portugal... Já sei! Vou escrever algo sobre futebol. Mas eu não percebo nada de futebol. Nem tenho paciência para as tricas das comadres do futebol, nem para os "dói-dóis" dos futebolistas, nem para as doutas intervenções dos treinadores. Estou sem assunto. De facto, não sei o que escrever. E não sei se me apetece escrever seja o que for. Não tenho nada a dizer porque tudo está à vista de todos. Não é preciso escrever mais nada. Mas em que é que eu me fui meter num belíssimo dia de Janeiro, estava o dia chuvoso e o coração despedaçado pela solidão?!... Tirem-me daqui!!!

 

publicado por Pensador Insuspeito às 17:30

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Gostei imenso do teu texto.Parabéns! Abraço.
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