Um blogue pessoal mas... transmissível

14
Fev 09

 

 

Desculpem lá qualquer coisinha, mas este poema é dedicado ao M., que (ainda) é o grande amor da minha vida. AMO-TE, M!!!

 

Não posso deixar que te leve
O castigo da ausência,
Vou ficar a esperar
E vais ver-me lutar
Para que esse mar não nos vença.
Não posso pensar que esta noite
Adormeço sozinho,
Vou ficar a escrever,
E talvez vá vencer
O teu longo caminho.
Leva os meus braços,
Esconde-te em mim,
Que a dor do silêncio
Contigo eu venço
Num beijo assim.
Não posso deixar de sentir-te
Na memória das mãos,
Vou ficar a despir-te,
E talvez ouça rir-te
Nas paredes, no chão.
Não posso mentir que as lágrimas
São saudades do beijo,
Vou ficar mais despido
Que um corpo vencido,
Perdido em desejo.
Quero que saibas
Que sem ti não há lua,
Nem as árvores crescem,
Ou as mãos amanhecem
Entre as sombras da rua.

 

Pedro Abrunhosa
 

publicado por Pensador Insuspeito às 12:16
sinto-me:

10
Fev 09

 

Há coisas que não são para se perceberem. Esta é uma delas. Tenho uma coisa para dizer e não sei como hei-de dizê-la. Muito do que se segue pode ser, por isso, incompreensível. A culpa não é minha. O que for incompreensível não é mesmo para se perceber. Não é por falta de clareza. Serei muito claro. Eu próprio percebo pouco do que tenho para dizer. Mas tenho de dizê-lo. O que eu quero fazer é o elogio do amor puro. Parece que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão. Teixeira de Pascoaes meteu-se num navio para ir atrás de uma rapariga inglesa com quem nunca tinha falado. Estava apaixonado, foi para Liverpool. Quando finalmente conseguiu falar com ela, arrependeu-se. Quem é que hoje é capaz de se apaixonar assim? Hoje em dia as pessoas apaixonam-se por uma questão prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão mesmo ali ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato. Por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria. Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram em "diálogo". O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante sico-sócio-bio-ecológica da camaradagem. A paixão, que deveria ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas em vez de se apaixonarem de verdade, ficam praticamente apaixonadas. Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há. Estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço. Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr o risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá bem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas. Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o medo, o desequilíbrio, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo? O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso "dá lá um jeitinho" sentimental. Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Por onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, fachada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassado ao pessoal da pantufa e da serenidade. Amor é amor. É essa a beleza. É esse o perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar. O nosso amor é para nos amar, para levar-nos de repente ao céu, a tempo de ainda apanhar um bocadinho de inferno aberto. O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A "vidinha" é uma conveniência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não é para se perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende. O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita. Não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que se quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar. O amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não está lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem. Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder, não se pode resistir. A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a vida inteira, o amor não. Só um minuto de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também.

 

Miguel Esteves Cardoso

 

publicado por Pensador Insuspeito às 15:55
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08
Fev 09

 

Se duvidas que teu corpo
Possa estremecer comigo
E sentir o mesmo amplexo carnal,
Desnuda-o inteiramente,
Deixa-o cair nos meus braços,
E não me fales,
Não digas seja o que for,
Porque o silêncio das almas
Dá mais liberdade
Às coisas do amor.
Se o que vês no meu olhar
Ainda é pouco
Para te dar a certeza
Deste desejo sentido,
Pede-me a vida,
Leva-me tudo que eu tenha
Se tanto for necessário
Para ser compreendido.
 
António Botto
publicado por Pensador Insuspeito às 22:35

01
Fev 09
 

Quase todos nós já ouvimos esta canção muitas vezes e penso que a opinião é igualmente consensual ao afirmar que há qualquer coisa de mágico na voz rouca mas profundamente encantadora de Brandi Carlile, e nesta música em particular, e por tudo isso não nos deixa ficar indiferentes.


O mesmo aconteceu comigo de imediato… Mas esta música ganhou outra importância quando o M. me chamou a atenção para o facto de ela estar a passar na rádio quando nos encontrámos pela primeira vez... Desde então, ficou a ser a "nossa música". Nesta música, relembro os bons momentos de uma linda história de amor. À bonita letra desta música acrescentaria apenas que "you were made for me"!

 

AMO-TE, M.!!!

 

 

 

Brandi Carlile - "The story"

 

All of these lines across my face
Tell you the story of who I am
So many stories of where I've been
And how I got to where I am
But these stories don't mean anything
When you've got no one to tell them to
It's true...I was made for you

I climbed across the mountain tops
Swam all across the ocean blue
I crossed all the lines and I broke all the rules
But baby I broke them all for you
Because even when I was flat broke
You made me feel like a million bucks
Yeah you do and I was made for you

You see the smile that's on my mouth
Is hiding the words that don't come out
And all of my friends who think that I'm blessed
They don't know my head is a mess
No, they don't know who I really am
And they don't know what I've been through like you do
And I was made for you...

All of these lines across my face
Tell you the story of who I am
So many stories of where I've been
And how I got to where I am
But these stories don't mean anything
When you've got no one to tell them to
It's true...I was made for you
Oh yeah it's true... I was made for you

 

publicado por Pensador Insuspeito às 22:32

15
Jan 09

Já disse e volto a repetir que foste a melhor coisa que me aconteceu até hoje. No dia em que te conheci, no momento em que me tomaste nos teus braços e em que me roubaste o primeiro beijo, fiquei logo enfeitiçado por ti. Foram tantos os momentos lindos que passámos juntos… Momentos de verdadeira felicidade que ficarão para sempre gravados na minha memória e no meu coração, e que tão depressa não irei esquecer...

 

Eu pensei que o nosso amor fosse durar para sempre. Ainda penso que a tua ausência pode significar o regresso de um amor mais forte. Quem sabe?... Não acho que me tenha enganado a teu respeito. Nem acho que a chama do nosso amor se tenha extinguido. Apesar de tudo, ainda te preocupas comigo. É certo que me faltaste nos momentos em que eu mais precisei de ti. Sinto falta do teu ombro para desabafar. Sinto falta do teu carinho, do teu toque, do teu beijo. Sinto falta do teu corpo... Que tesão, meu Deus!... Se porventura a nossa chama se apagar mesmo, ainda assim terás sempre um lugar muito especial no meu coração. Mas eu quero manter a chama acesa. O futuro somos nós que o fazemos. As nossas escolhas ditam o nosso futuro.

 
Neste momento, eu estou preocupado contigo, pois sei que estás a sofrer mas o motivo continua a ser uma incógnita para mim. Dizes-me que estás longe de casa, afastado de tudo e de todos. Parece que não confias em mim nem em mais ninguém. Mas se tu não sentes vontade de falar comigo, não te posso obrigar a nada. Apenas quero que saibas que eu estarei sempre aqui para o que der e vier. Se precisares de um ombro amigo, não hesites em falar comigo.

Lembra-te que a vida sorriu para ti. Não lhe vires as costas. Lembra-te que a felicidade já bateu à porta do teu coração. Não deixes que o medo e a insegurança tomem conta da tua vida. Agarra-te a mim com todas as tuas forças. O que eu mais desejo neste momento é que os teus lindos olhos tristes voltem a recuperar a alegria de viver que dizias ter quando nos conhecemos. Não tenhas medo dos teus sentimentos. O que importa é o que o coração sente e não o que a cabeça e os outros possam pensar. O amor é mais forte do que tudo. Peço-te que sejas verdadeiro contigo mesmo e que não tenhas medo de ser feliz.
 
Naqueles dias em que nos entregámos um ao outro, tu trouxeste-me o amor e a alegria que faltavam na minha vida. E por isso eu digo que conhecer-te foi a melhor coisa que me aconteceu!!!
publicado por Pensador Insuspeito às 00:13

13
Jan 09

Vou confessar-vos algo sem interesse nenhum. Nem sei se o devia fazer, pelo menos neste momento. Tinha-vos dito que estou a atravessar uma fase complicada da minha vida. Sim, é verdade. A dor de uma separação muito recente ainda preenche de negro os meus dias. Estou a levantar-me do chão e por isso agarro-me a tudo, nem que seja a este cantinho insuspeito onde posso dizer tudo o que me vai na alma e no pensamento...

 

Foi no verão passado que conheci alguém que apesar de tudo ainda me é muito especial. Naqueles dias de Agosto, os nossos olhares cruzavam-se insistentemente com o desejo inconfessado de nos conhecermos pessoalmente. Alto, tímido, olhar penetrante e corpo atlético. Foi ele que deu o primeiro passo. Sem que eu esperasse, deu-me o contacto dele e assim começou uma bela história de amor. Combinámos através de sms um encontro ali no mesmo sítio em que nos conhecemos e em que surgiu pela primeira vez aquela atracção mútua que parecia querer suspender o tempo unicamente pelo desejo de que aquelas longas tardes de verão jamais acabassem para não ficarmos privados um do outro. Aquele primeiro encontro deixou-me sem palavras e fez despertar em mim sentimentos que há muito tinham adormecido. Sentir-me novamente amado e desejado por alguém foi a melhor coisa que me aconteceu nos últimos tempos. Aquela tarde de sábado em que falámos pela primeira vez mexeu comigo e regressei a casa com um sorriso rasgado nos lábios e uma alegria indizível no coração.

 

Desde então começámos a sair todos os fins-de-semana porque a nossa vida pessoal e profissional não nos permitia estar mais tempo juntos. Falávamos de tudo e de nada, riamos com a inocência dos primeiros anos, saíamos para jantar e curtir a noite num qualquer bar da moda. Era tão bom estar com ele frente a frente, só nós dois, olhos nos olhos, mãos nas mãos. Conversava com ele e perdia-me completamente no seu olhar, imaginando um futuro para nós dois em que pelo nosso amor pudéssemos enfrentar tudo e todos e rasgar horizontes insuspeitados. Num desses encontros, já sob o manto diáfano das estrelas e envolvidos pelo silêncio da noite, demos o primeiro de muitos beijos. Um beijo longo e desejado que resistiu ao tempo e à separação. Ainda hoje sinto o sabor dos seus lábios e o calor do seu corpo, ali junto ao mar, apenas com o barulho das ondas a entrecortar de espuma o afago das mãos e o desejo incontido que percorria os nossos corpos, ávidos de amor e de prazer. E o seu sorriso, tão tímido e tão lindo... Os seus olhos, tão tristes e tão expressivos...

 

A partir desse dia tudo se precipitou nas nossas vidas. O meu coração ficou irremediavelmente descompassado, os meus dias eram vividos em função do seu amor, a minha vida ganhou uma beleza que não sabia existir. Que se passaria comigo? Era simples e óbvio. Bastava render-me às evidências e escutar o que me dizia o coração: estava loucamente apaixonado pelo meu M.. Hoje, apesar da separação, continuo a dizer como nos dias em que a palavra amor enchia de beleza as nossas vidas: o teu anjo ama-te e tem imensas saudades tuas, meu diabinho!

publicado por Pensador Insuspeito às 00:32

12
Jan 09

 

Este soneto de Florbela Espanca retrata de modo desconcertante o meu actual estado de espírito...

 

Saudades! Sim... talvez... e porque não?...
Se o nosso sonho foi tão alto e forte
Que bem pensara vê-lo até à morte
Deslumbrar-me de luz o coração!
 
Esquecer! Para quê?... Ah! como é vão!
Que tudo isso, Amor, nos não importe.
Se ele deixou beleza que conforte
Deve-nos ser sagrado como pão!
 
Quantas vezes, Amor, já te esqueci,
Para mais doidamente me lembrar,
Mais doidamente me lembrar de ti!
 
E quem dera que fosse sempre assim:
Quanto menos quisesse recordar
Mais a saudade andasse presa a mim!
 
Florbela Espanca

10
Jan 09

Hoje acordei assim. Melancólico. Apaixonado. Nunca pensei sentir-me assim. Sentir tanta saudade de alguém. Nestes momentos, a saudade para mim é um misto de tristeza e alegria. Tristeza por não ter a pessoa que amo ao meu lado e alegria porque é nestas alturas que recordo com mais insistência os momentos bonitos que passámos juntos e que ainda me fazem sorrir. Enfim, é simplesmente a saudade, um sentimento tão nosso e tão difícil de definir... Um dia destes voltarei a falar-vos disto.

 

Por hoje fica aqui a letra da música que escolhi para colocar no meu blog. Para mim é uma música lindíssima e que além disso me transmite uma grande paz e tranquilidade. Preferi postar a letra na língua original porque assim mantém toda a sua força e profundidade. Espero que gostem.

 

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Titulo da Música: Like A Rose On The Grave Of Love 
 

Intérprete: Xandria
 

 

Come like the dusk
Like a rose on the grave of love
You are my lust
Like a rose on the grave of love

I curse the day I first saw you
Like a rose that is born to bloom
Don't look at me the way you do
Like the roses, they fear the gloom

Your thorns, they kissed my blood
Your beauty heals, your beauty kills
And who would know better than I do?
Pretend you love me!

Indeed, reality seems far
When a rose is in love with you
Slaves of our hearts, that's what we are
We loved and died where roses grew

They watched us silently
A rose is free, a rose is wild
And who would know better than I do?
Roses are not made for love

publicado por Pensador Insuspeito às 23:34

Agosto 2009
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Gostei imenso do teu texto.Parabéns! Abraço.
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