Um blogue pessoal mas... transmissível

04
Mar 09

 

Tu chegaste à minha vida num dia em que eu não te esperava. Chegaste e foste ocupando todos os espaços que havia em mim para ocupar até não restar espaço para mais nada nem mais ninguém. Chegaste, ocupaste todos os espaços, mas não me quiseste revelar o mais recôndito do teu ser. Dizias-me que não tinhas de o fazer. E talvez tivesses razão. Porque afinal duas pessoas são duas pessoas. E cada uma dessas pessoas precisa do seu espaço vital para poder respirar… Precisa tão desesperadamente desse espaço como os pulmões precisam de oxigénio para poderem continuar a funcionar. Infelizmente, muitas vezes não pensamos nisto desta maneira tão crua e tão directa. Queremos saber tudo acerca do outro e pensar que não existe espaço para a individualidade de cada um. Digo-o por mim próprio. Mas queria dizer-te também que numa relação existem duas pessoas que se escolheram mutuamente para partilhar uma vida e o que essa vida lhes trouxer de bom e de mau. E para isso é preciso arriscar dar um passo mais à frente...

 

Tu nunca quiseste dar esse passo. Dizias-me que não ias mudar, como se eu te tivesse pedido algum dia, uma única vez, que o fizesses. Mas sabes bem – e isto disse-te muitas vezes – que uma relação só resulta se as duas pessoas nela envolvidas aprenderem a fazer cedências. E acredito que isso não compromete em nada a nossa personalidade. Aprende com o barro que é moldado pelas mãos do escultor: ele não perde as suas propriedades quando é amassado, manuseado e transformado em obra de arte. Muito pelo contrário. Mantendo todas as propriedades intrínsecas que o definem naquilo que ele é, ele adquire contudo uma mais-valia em relação ao seu estado bruto anterior.

 

Tu também não comprometes a tua personalidade se deixares abrir uma brecha nessa muralha inexpugnável que foste erguendo em teu redor e em que gostas de te esconder aos olhos do mundo. Agora eu sei que é difícil a um amor, mesmo a um grande amor, vencer e transpor uma muralha como essa, mesmo que use todas as armas e reúna todas as forças para o conseguir. Porque dentro dessa muralha, bem lá no fundo, existe ainda uma cave onde escondes aquilo que não queres que ninguém saiba sobre ti. Como alguém escreveu: "Everybody has two sides. The side we show the world and the side we try to hide".

 

Eu também possuo algures uma cave onde escondo aquilo que não quero expor aos olhos do mundo. E é por isso que eu não percebo o sofrimento que sinto se afinal concluo que as coisas são mesmo assim. Mas arrisco uma explicação. Será por acreditar que contigo iria ser diferente. Que contigo poderia desnudar-me completamente, corpo e alma. Que contigo não teria nada a esconder porque eras o meu mundo e nesse mundo tudo nos era permitido… Até desvendar o segredo mais íntimo e o mistério mais bem guardado...

 


02
Mar 09

 

Depois de uma noite de insónia, um dia de solidão... Insónia, sim, porque o pensamento vagueia por longe e o subconsciente move-se numa vida paralela, onde tu ainda estás comigo e os nossos dias têm o sabor dos primeiros dias... Solidão, sim, porque ontem estive sozinho. Sem ti. Sem amigos. Sem ninguém... Sozinho comigo e com os meus pensamentos que de insuspeitos já pouco têm... Não resisti a sair de casa, mesmo sem ti... Quando a Primavera já se faz anunciar, procurei aproveitar os tímidos raios de sol que ousavam desafiar as nuvens carregadas que se adensavam no horizonte. Fui até à praia, aquela mesma praia onde nos conhecemos e onde os nossos corpos se entregaram avidamente um ao outro num único desejo. Sentei-me no areal. Puxei de um cigarro, que as contingências da vida ainda não me permitiram afastar de vez deste vício. Puxei de um cigarro e fiquei ali, imóvel, a olhar a linha do horizonte e a ver os casais que desfrutavam também do sol e do mar. Invejei-os. Coisa feia de se fazer. Mas é verdade, invejei-os... Esperava ver-te. Aliás, espero ver-te sempre naqueles sítios que eram os "nossos sítios", os sítios onde éramos só nós dois e o mundo não existia. A luz difusa daquele fim de tarde enganou-me. Afinal, nenhum dos vultos que por ali andavam era o teu. Enganei-me mais uma vez...

 

Depois fui ao cinema. Sozinho. Sem ti. Sem amigos. Sem ninguém... Queria ver "O Leitor", aquele mesmo filme pelo qual a Kate Winslet ganhou o Óscar de Melhor Actriz. Sei que gostas tanto de cinema como eu. Que não perdias uma sessão às segundas-feiras. Os domingos eram todos para mim. Sozinho, naquela sala, parecia ver-te nas sombras que deambulavam por ali. Parecia ver-te sentado ao pé de mim. Parecia sentir o calor do teu corpo e a tua mão pousada sobre a minha perna, como gostavas tanto de fazer quando não havia ninguém por perto ou quando viajavas ao meu lado no carro. Um gesto do qual com certeza já não guardas lembranças porque para ti era um simples gesto. Nada mais. Mas eu guardo. Porque ainda sou daqueles para quem um gesto vale mais do que mil palavras... Queria dizer-te que apreciei o filme. É um filme como eu gosto. É um filme que me pôs a pensar sobre a vida, sobre as pessoas que marcaram a minha vida para sempre. Tu és uma dessas pessoas. Tu marcaste a minha vida para sempre. Dê a vida as voltas que der. Infelizmente, não pudemos discutir o filme nem o trabalho do realizador nem a performance dos personagens, porque tu não estavas lá. Regressei a casa. Sozinho. Sem ti. Sem amigos. Sem ninguém... E tu também não estavas lá...

 


27
Fev 09

 

Desde que eu e o M. nos separámos, vivo na expectativa de receber notícias dele. Notícias que eu espero mas que eu não quero. Notícias que eu devia ignorar mas não consigo. Ontem o M. "apareceu" novamente sob a forma de sms. Pediu-me desculpa por não ter dito nada nos últimos dias e disse-me que um percalço o impediu de falar comigo. Mais uma vez enchi-me de esperanças que algo possa mudar, embora tudo me diga que isso dificilmente irá acontecer. Acho que esta forma de viver o fim do meu relacionamento com o M. funciona como uma forma de autodefesa ou um artifício para fugir à crua realidade da separação. E logo eu que sempre fui tão racional... É impressionante que, por mais que tentemos e por mais que finjamos ser fortes, tal não é verdade. É que não dá para esquecer tão rapidamente um grande amor. Acho que nunca se esquece, só se faz de conta que já não se lembra. Eu tenho feito um esforço descomunal, maior do que as minhas próprias forças, para tentar esquecê-lo e habituar-me a viver sem a presença do M.. Mas de repente ele resolve "aparecer" de novo e provoca um turbilhão de sentimentos na minha vida... A minha cabeça dá mil voltas, sem saber o que pensar… E pergunto-me: o que é que eu terei feito para estar a passar por uma coisa destas? Ele que me dizia: "Tu és uma pessoa maravilhosa e mereces ser muito feliz", como é capaz de me fazer isto? Não consigo perceber. Estou confuso…

 

Também ontem, quando ia a sair do ginásio e já na rua, esbarrei literalmente com um gajo que passou boa parte do verão passado a "perseguir-me". Antes disso, eu já o conhecia e sabia que ele era gay. Os nossos olhares cruzaram-se de novo mas devo dizer que não senti nada ou seja não houve aquela "química" especial. Não houve agora nem houve no passado. Porque amar alguém significa desejar ver de novo, sentir de novo. É um sentimento que vicia, que torna dependente, que retira a paz e a tranquilidade nos tempos de ausência. Mas também sei que isso nem sempre é tão linear. Um amor pode acontecer mesmo sem a "química" da primeira vez. Mesmo sem a paixão avassaladora. E talvez sejam esses os amores que suportam os relacionamentos mais duradouros. Por isso, estou tranquilo. Se algo tiver de acontecer, acontecerá. Não vou forçar algo a acontecer para depois me arrepender. É verdade que se costuma dizer que mais vale arrependermo-nos por aquilo que fizemos do que por aquilo que não fizemos. Eu sei disso. Mas por enquanto não vou fazer nada. Não quero embarcar numa aventura sem sentido. Para mim, nada é melhor que um namoro estável e duradouro. Mas sei, por experiência própria, que namorar não é fácil. Tem de surgir aquela incrível coincidência de sentimentos, que não se podem descrever por palavras ou gestos… No meio disto tudo, começo a pensar que estes (des)encontros me querem dizer alguma coisa. O que custa mais é decifrar a difícil escrita da vida…

 

publicado por Pensador Insuspeito às 22:36
sinto-me:

25
Fev 09

 

Este ano, estive para não festejar o Carnaval mas uns bons e velhos amigos desafiaram-me a fazê-lo. Devido às circunstâncias actuais, achei que não era muito coerente festejá-lo mas, por outro lado, pensei que era uma forma de esquecer o momento difícil por que estou a passar. De qualquer maneira, o Carnaval já não me diz tanto como há uns anos atrás em que esta época era vivida de uma forma intensa e especial. A fantasia era preparada ao pormenor e aguardava-se ansiosamente pela hora de a vestirmos. Depois rumava-se ao sítio onde se concentrava o pessoal do burgo e arredores e aí se passava a noite entre copos, música e muito divertimento. Hoje, por várias razões, já não é bem assim. Ainda por cima este ano não estive com disposição para preparar a fantasia. E nem sequer pensei nisso. O P. e a D. bem insistiram para que eu me mascarasse mas eu decidi que este ano não iria fantasiar-me. Como que a querer dizer que por andar a usar uma máscara durante todo o ano não via razão para usar mais uma no Carnaval... O certo é que acabei por aceitar o convite porque todos os motivos são válidos para sair de casa. Como em anos anteriores, escolhemos o sítio para onde converge o pessoal conhecido. A festa estava bem animada, fantasias para todos os gostos, boa música, ambiente muito divertido. Porque afinal o que interessa é esquecer tudo, nem que seja por umas horas de puro divertimento. A noite até foi muito divertida. Foi quase uma directa. Regressámos a casa já quase o sol despontava. Estava morto de cansaço. Apesar disso, dormi poucas horas. Mas desta vez dormi bem.

 

Quando finalmente me levantei, reparei que a G. tinha enviado uma sms a convidar-me para sair. Fiquei contente com esse gesto, porque ainda não tinha estado pessoalmente com ela desde que lhe revelei a minha orientação sexual. Combinámos ir até à praia mais próxima para dar uma volta e conversar um pouco. Fui apanhá-la a casa e rapidamente nos pusemos na praia. Estava um belíssimo dia de sol. Sentámo-nos no areal e ali estivemos à conversa até ao sol-posto. Voltou a falar-se do mesmo assunto (homossexualidade) e posso dizer que a G. está a impressionar-me pela positiva. No entanto, persistem as dúvidas e eu, com uma paciência de chinês, lá vou tentando esclarecê-las... Finalmente, fomos lanchar a um bar da referida praia. E bem poderia ter saltado esta parte. É que ao sairmos e envolvidos pela conversa que estávamos a ter, nem reparámos que os meus óculos de sol ficaram em cima da mesa. Eu sou "despistado" por natureza mas nunca me tinha acontecido uma coisa dessas. Só quando cheguei a casa é que reparei que me faltavam os óculos de sol. De nada valeu voltar ao bar. Já tinham sido levados por algum "amigo do alheio"... Infelizmente, gente desonesta é uma praga que existe por todo o lado. Em menos de meio ano, fiquei sem um telemóvel,  sem o leitor de MP3 e agora sem os óculos de sol. O que virá a seguir?...

 


22
Fev 09

 

É engraçado como nos últimos tempos a vida me tem ensinado algumas coisas muito importantes, coisas que eu pensava ter por adquiridas. A maior lição que eu estou a receber neste momento e que por mais que me esforce ainda não consigo assimilar totalmente é que não posso obrigar ninguém a ficar do meu lado, a preocupar-se comigo, a "perder tempo" comigo. Sei que pode ser um pouco tarde para aprender isso porque afinal já não sou nenhum adolescente. O fim do meu relacionamento com o M. mostrou-me que estou mais sozinho do que imagino. E mesmo quando estou rodeado de muita gente é como se estivesse sozinho, porque me falta a pessoa mais importante, a pessoa que preencheu de alegria os meus dias e as minhas noites. É como se ele tivesse levado consigo um bocadinho de mim. Apesar de tudo, não quero deixar que a infelicidade me derrube. Tenho conseguido disfarçar bem para a família e para os amigos. Tenho conseguido enganar muito bem a todos e até a mim mesmo de vez em quando...

 

Para informação geral da blogosfera, quero dizer que o meu último contacto com o M. foi na sexta-feira. Mas, como sempre, foi um contacto que me torturou mais do que me consolou. Um contacto que deixou nas entrelinhas coisas que acabam por me dar esperanças que eu não quero ter. E nem posso. Porque não quero sofrer mais. Porque estou cansado de sofrer. Porque não quero alimentar uma ilusão que eu próprio criei. As lágrimas acabaram por voltar aos meus olhos. O que é difícil porque não sou de exteriorizar sentimentos, muito menos dessa maneira. Depois, e para não variar, ele desaparece de novo, não dá sinal de vida, não manda uma mensagem. E eu ponho-me a imaginar onde ele está, como ele está, com quem ele está. Ou seja, fico na merda novamente... Eu desabafo para aqui e digo que não quero mais nada, que quero baixar os braços e deixar de lutar, que quero acreditar que posso ser feliz novamente, mas realmente não sei se é assim que penso. Nem sei se é assim que será. Aliás, já nem sei mais nada. A minha mente está confusa, o meu coração magoado... Às vezes, a minha cabeça parece que vai explodir... Não é fácil ultrapassar o desgosto pela perda de um grande amor e recuperar-se totalmente ao fim de uma semana, ou de um mês, ou até de dois meses... Isto não é uma gripe...

 

Tenho tentado manter a cabeça ocupada. Tenho feito muitas coisas para me distrair, mas todos os dias tenho que regressar aos lugares onde fomos tão felizes, e nessas horas a solidão ainda me maltrata mais... Por isso, não houve outra hipótese senão sair para não enlouquecer. A noite até foi boa. Quem esteve comigo nem se apercebeu do que se está a passar na minha vida. Mais uma vez, a desculpa que eu dei pela minha "aparente" tristeza foi que andava stressado e cheio de trabalho. Pelo menos, esta saída evitou que eu pensasse constantemente no M.. Demos umas voltas e parámos em alguns sítios mas não ficámos até muito tarde. Regressei a casa. Custou a adormecer. Dormi até tarde. Parece que nem dormi. Foi mais uma noite estranha. Mas não tinha outro remédio: ou saía ou ia acabar por enlouquecer sozinho em casa…

 


18
Fev 09

 

Estou num daqueles dias em que parece que já tudo foi dito e escrito. Estou há mais de 15 minutos sem saber o que escrever. Pensei escrever algo sobre a crise mas o que há a dizer sobre um assunto que nunca deixou de estar na ordem do dia. Desde que me conheço por gente, ouço dizer que o país está em crise. Eternamente em crise. Depois dou comigo a pensar que a crise não é assim tão grave ou que, pelo menos, não toca a toda a gente. Lembrei-me então que alguém me dizia que no sábado – dia dos namorados - procurou um restaurante para jantar com a cara-metade e não conseguiu encontrar nenhum, pois todas as mesas estavam ocupadas ou reservadas… Ou então as muitas pessoas entregues aos prazeres do dolce fare niente e que a pretexto de tudo e de nada aproveitam para gastar o que têm e o que não têm. São as mini-férias do Natal, do Carnaval, da Páscoa, do dia de não-sei-quem… Depois pensei em escrever algo sobre a novela Freeport. Dizem que já há arguidos no caso, mas que os nomes ainda não são conhecidos. Estas fugas de informação sempre me intrigaram. Não vejo como a justiça possa sair credibilizada deste e doutros processos, por mais que insuspeitas procuradoras venham todos os dias dizer-nos o contrário. No fim de contas, todos irão constatar que a velha história de que "a montanha pariu um rato" é perfeitamente verídica e tem lugar em Portugal... Já sei! Vou escrever algo sobre futebol. Mas eu não percebo nada de futebol. Nem tenho paciência para as tricas das comadres do futebol, nem para os "dói-dóis" dos futebolistas, nem para as doutas intervenções dos treinadores. Estou sem assunto. De facto, não sei o que escrever. E não sei se me apetece escrever seja o que for. Não tenho nada a dizer porque tudo está à vista de todos. Não é preciso escrever mais nada. Mas em que é que eu me fui meter num belíssimo dia de Janeiro, estava o dia chuvoso e o coração despedaçado pela solidão?!... Tirem-me daqui!!!

 

publicado por Pensador Insuspeito às 17:30

12
Fev 09

 

Só porque eu tive uma infância assim e sou do tempo em que era mais divertido ser criança, reescrevo aqui o email que recebi.

 

Nasceste antes de 1986? Então, lê isto. Se não, lê na mesma...

 

Nascidos antes de 1986.
1. De acordo com os reguladores e burocratas de hoje, todos nós que nascemos nos anos 60, 70 e princípios de 80, não devíamos ter sobrevivido até hoje, porque as nossas caminhas de bebé eram pintadas com cores bonitas, em tinta à base de chumbo que nós muitas vezes lambíamos e mordíamos.
2. Não tínhamos frascos de medicamentos com tampas "à prova de crianças" ou fechos nos armários.
3. Quando andávamos de bicicleta, não usávamos capacetes.
4. Quando éramos pequenos viajávamos em carros sem cintos e airbags; viajar à frente era um bónus.
5. Bebíamos água da mangueira do jardim e não da garrafa e sabia bem.
6. Comíamos batatas fritas, pão com manteiga e bebíamos gasosa com açúcar, mas nunca engordávamos porque estávamos sempre a brincar lá fora.
7. Partilhávamos garrafas e copos com os amigos e nunca morremos disso.
8. Passávamos horas a fazer carrinhos de rolamentos e depois andávamos a grande velocidade pelo monte abaixo, para só depois nos lembrarmos que esquecemos de montar uns travões. Depois de acabarmos num silvado, aprendíamos.
9. Saíamos de casa de manhã e brincávamos o dia todo, desde que estivéssemos em casa antes de escurecer.
10. Estávamos incontactáveis e ninguém se importava com isso.
11. Não tínhamos Play Station ou X Box.
12. Nada de 40 canais de televisão, filmes de vídeo, home cinema, telemóveis, computadores, DVD, Chat na Internet.
13. Tínhamos amigos. Se os quiséssemos encontrar íamos à rua.
14. Jogávamos ao elástico e à barra e a bola até doía!
15. Caíamos das árvores, cortávamo-nos, e até partíamos ossos mas sempre sem processos em tribunal.
16. Havia lutas com punhos mas sem sermos processados.
17. Batíamos às portas de vizinhos, fugíamos e tínhamos mesmo medo de sermos apanhados.
18. Íamos a pé para casa dos amigos.
19. Acreditem ou não íamos a pé para a escola; não esperávamos que a mamã ou o papá nos levassem.
20. Criávamos jogos com paus e bolas.
21. Se infringíssemos a lei era impensável os nossos pais nos safarem; eles estavam do lado da lei.
22. Esta geração produziu os melhores inventores e desenrascados de sempre: os últimos 50 anos têm sido uma explosão de inovação e ideias novas.
23. Tínhamos liberdade, fracasso, sucesso e responsabilidade e aprendemos a lidar com tudo isso.

 

És um deles? Parabéns! Passa esta mensagem a outros que tiveram a sorte de crescer como verdadeiras crianças, antes de governos e juristas regularem as nossas vidas, "para nosso bem". Para todos os outros que não têm a idade suficiente, pensei que gostassem de ler acerca de nós. Isto, meus amigos, é surpreendentemente medonho... E talvez ponha um sorriso nos vossos lábios...

 

A maioria dos estudantes que estão hoje nas universidades nasceu em 1986, ou depois. Nunca ouviram "We are the world" e "Uptown girl" conhecem de Westlife e não de Billy Joel. Nunca ouviram falar de Rick Astley, Bananarama ou Belinda Carlisle, entre muitos outros. Para eles, sempre houve uma só Alemanha e um só Vietname. A SIDA sempre existiu. Os CD's sempre existiram. O Michael Jackson sempre foi branco. O John Travolta sempre foi redondo e não conseguem imaginar que aquele gordo tivesse sido um deus da dança. Acreditam que "Missão impossível" e "Anjos de Charlie" são filmes do ano passado. Não conseguem imaginar a vida sem computadores. Não acreditam que houve televisão a preto e branco.

 

Agora vamos ver se estamos a ficar velhos:


1. Entendes o que está escrito acima e sorris.
2. Precisas de dormir mais depois de uma noitada.
3. Os teus amigos estão casados ou a casar.
4. Surpreende-te ver crianças tão à vontade com computadores.
5. Abanas a cabeça ao ver adolescentes com telemóveis.
6. Lembras-te da "Gabriela" (a primeira vez).
7. Encontras amigos e falas dos bons velhos tempos.
8. Vais encaminhar este email para outros amigos porque achas que vão gostar.

 

SIM, ESTÁS A FICAR VELHO, mas tivemos uma infância do caraças... lol!!!

 

publicado por Pensador Insuspeito às 12:31

10
Fev 09

 

Há coisas que não são para se perceberem. Esta é uma delas. Tenho uma coisa para dizer e não sei como hei-de dizê-la. Muito do que se segue pode ser, por isso, incompreensível. A culpa não é minha. O que for incompreensível não é mesmo para se perceber. Não é por falta de clareza. Serei muito claro. Eu próprio percebo pouco do que tenho para dizer. Mas tenho de dizê-lo. O que eu quero fazer é o elogio do amor puro. Parece que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão. Teixeira de Pascoaes meteu-se num navio para ir atrás de uma rapariga inglesa com quem nunca tinha falado. Estava apaixonado, foi para Liverpool. Quando finalmente conseguiu falar com ela, arrependeu-se. Quem é que hoje é capaz de se apaixonar assim? Hoje em dia as pessoas apaixonam-se por uma questão prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão mesmo ali ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato. Por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria. Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram em "diálogo". O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante sico-sócio-bio-ecológica da camaradagem. A paixão, que deveria ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas em vez de se apaixonarem de verdade, ficam praticamente apaixonadas. Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há. Estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço. Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr o risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá bem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas. Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o medo, o desequilíbrio, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo? O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso "dá lá um jeitinho" sentimental. Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Por onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, fachada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassado ao pessoal da pantufa e da serenidade. Amor é amor. É essa a beleza. É esse o perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar. O nosso amor é para nos amar, para levar-nos de repente ao céu, a tempo de ainda apanhar um bocadinho de inferno aberto. O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A "vidinha" é uma conveniência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não é para se perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende. O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita. Não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que se quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar. O amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não está lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem. Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder, não se pode resistir. A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a vida inteira, o amor não. Só um minuto de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também.

 

Miguel Esteves Cardoso

 

publicado por Pensador Insuspeito às 15:55
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01
Fev 09

 

 

Hoje não quero sentir...
Quero apenas esquecer...
Pensar só em mim...
E ficar sozinho
Com os meus pensamentos,
Hoje quero esquecer que o mundo existe,
Hoje quero pensar só em mim...
Mas não consigo... É quase impossível
Por vezes não sei, mas tenho medo...
Medo de não ser feliz...
De olhar para trás e de ver que nunca
Realizei o que mais queria... Não sei...
De me aperceber que errei,
Que segui o caminho errado,
Talvez se me preocupasse mais comigo,
A vida teria mais sentido,
Não sei… Talvez… Quem sabe?
publicado por Pensador Insuspeito às 12:52

26
Jan 09

 

Hoje estou esgotado! Numa segunda-feira é difícil dizer-vos isto. Mas é verdade. Parece que nada na minha vida bate certo. Os que me têm acompanhado por aqui sabem a que me refiro. É que a separação de um grande amor deixa sequelas... Agora é também a avaliação dos professores. Na minha escola anda toda a gente de "candeias às avessas" por causa da dita avaliação. Outra coisa não seria de esperar e isso reflecte-se no ambiente que se vive na minha escola que, como em muitas outras, está contaminado por esta avaliação e pelas consequências da sua mais que provável aplicação. Entre colegas há um mal-estar que a cada dia que passa se torna mais evidente. O ambiente está pesado, com conversas em surdina entrecortadas por silêncios e olhares... A suspeição está no ar...
 
Até aqui todos eram desfavoráveis a esta avaliação. Nenhum colega destoava da opinião geral que era bastante consensual quanto à implementação de um modelo de avaliação delineado num qualquer gabinete da capital, situado muito longe da realidade das nossas escolas. Não havia colega que não fosse contra as alterações que a ministra quis implementar.
 
Infelizmente, chegada a hora de tomar decisões, a opinião de muitos é abalada por diversos factores, alguns compreensíveis face à situação em que vivemos, outros nem tanto. Uns quantos pensam acima de tudo no seu próprio interesse. Temem não progredir na carreira ou virem a perder o ordenado que auferem. Outros têm medo das possíveis represálias que poderão ter por parte do ministério. Outros ainda dizem uma coisa mas na hora de tomar decisões e lutar baixam os braços e preferem fazer outra coisa radicalmente diferente daquela que até agora defenderam. É precisamente nas horas mais difíceis que se conhece o carácter e a fibra das pessoas. Diria mesmo que estas horas são cruciais para qualquer relação, seja ela profissional ou outra. É perfeitamente aceitável que alguns colegas sintam medo perante esta situação. Já a falta de carácter manifestada por alguns é insustentável. Não gosto. Fico enojado. Só me apetece bater com a porta...
 
Na semana passada, expirou o prazo para a requisição das aulas assistidas, que são indispensáveis para que o professor avaliado tenha nota superior a "Bom", ou seja, só quem as requisitar poderá ter avaliação de "Muito Bom" ou "Excelente". São apenas 2 ou 3 míseras aulas! É incrível como se pode definir a qualidade do desempenho de um docente a partir de 2 ou 3 aulas! Não é possível que alguém no seu perfeito juízo possa pactuar com uma situação destas. Só uma mente muito enviesada pode achar que essas 2 ou 3 aulas fazem toda a diferença. Não posso crer!…
 
Por mim, não tenho qualquer problema em que as minhas aulas sejam assistidas, mas apenas por gente devidamente habilitada para o efeito. Concordo plenamente que a avaliação dos professores é necessária. Mas assim não! Não se pode dizer que o professor A ou B corresponde aos requisitos desta avaliação só com 2 ou 3 aulas assistidas!
 
Pois bem. Depois de muito ter reflectido, resolvi não entregar requisição nenhuma, para não atraiçoar a minha consciência e aquilo por que tenho lutado. Alguns colegas acompanharam-me nesta decisão. Não é nada fácil arriscar uma decisão destas. De facto, também eu tenho medo. Mas decidi em consciência não pactuar com uma situação tão gravosa para os interesses da classe e para o futuro da educação neste país. Resolvi seguir o meu caminho na obediência àquilo que sempre tenho defendido e que penso estar certo e não seguir o caminho que outros traçaram sem conhecimento de causa.
 
Infelizmente, muitos daqueles que têm reclamado alto e bom som contra as políticas do ministério e, nomeadamente, contra este modelo de avaliação, entregaram a dita requisição. Já não me revejo em muitos colegas. Alguns deles eu tinha como referências em termos de entrega à profissão e de lisura no tratamento com os demais colegas. Estranho mundo este! Parece que as ideias e as convicções andam ao sabor dos interesses do momento. E esta situação deixa-me desalentado e profundamente arrependido de ter escolhido ser professor.
 
Nestes momentos, dou comigo a pensar. Até posso entender a situação dos professores contratados e o seu medo em virem a ficar desempregados. Mas quanto aos professores de Quadro de Zona Pedagógica e do Quadro de Escola entendo menos, ou não entendo mesmo. No meio disto tudo, ainda há colegas que chegaram ao ponto de entregar a requisição porque dessa forma podem aceder às cotas reservadas aos professores que irão progredir na carreira. É a ideia verdadeiramente distorcida de que quantos menos entregarem a requisição para as aulas assistidas e os objectivos individuais mais possibilidade terão de conseguir uma classificação de "Excelente" e assim passarem à frente dos demais. Que sentido de justiça! Como é que se podem incutir valores nos nossos alunos com procedimentos destes?! Palavras para quê?!
 
E mesmo depois da entrega da dita requisição continuam a reclamar e a empestar o ambiente. Nestas alturas, apetece-me "virar a mesa". Então a luta que temos protagonizado tem sido em vão? Será que estão realmente convencidos da justeza das suas posições? Ou tem sido uma forma de não destoar do ambiente e não ficarem mal perante os outros colegas de profissão?
 
Perante esta situação lamentável, eu só posso dizer que não me importava nada – muito pelo contrário – de ser classificado com "Muito Bom" ou "Excelente". Quem não gostaria? E eu não vou ser hipócrita e dizer o contrário. Aliás, neste cantinho insuspeito sou aquilo que sou e não vou fingir outra coisa. Mas não desta maneira. Este modelo é apenas uma avaliação talhada num qualquer gabinete e que não corresponde minimamente à realidade com que nos debatemos no dia-a-dia da nossa profissão. É uma avaliação que não faz sentido porque está viciada desde o início.
 
Não entreguei a dita requisição e também não vou entregar os meus objectivos individuais. Está decidido. Não volto atrás. Não me importa nada se muitos ou poucos o irão fazer também. Nunca andei atrás dos outros. Sempre pensei pela minha cabeça. E é pena que nas horas decisivas muitos abandonem as causas pelas quais se bateram. Começo a pensar que este tempo não é o tempo das grandes causas, nem sequer das pequenas. É um tempo amorfo, sem causas, em que as pessoas se movem apenas pelos seus próprios interesses e não pensam em causas maiores.
 
Com esta situação, não prevejo nada de bom a respeito da avaliação dos professores nos próximos tempos. A partir de agora, o ministério poderá fazer o que quiser porque já deve ter reparado que a união entre os professores se quebrou. Neste sentido, grande parte das culpas só poderá ser atribuída aos professores e às suas atitudes.
 
Também não estou preocupado que me passem à frente, que sejam todos "Muito Bons" ou "Excelentes", que recebam um ordenado maior. Sei que posso vir a perder e a ficar muito mal no meio disto tudo. Mas resolvi não pactuar mais com este estado de coisas. Pois o que se passa no nosso ensino não merecia outra decisão. Se algum dia puder não mais voltarei a ser professor. Para mim basta!
 

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