Um blogue pessoal mas... transmissível

12
Mar 09

 

Ontem recebi um email com as "melhores frases dos piores alunos" que gostava de partilhar convosco. Confesso que, mesmo sendo professor, nunca deixo de me surpreender. Depois digam de vossa justiça...

 

"O metro é a décima milionésima parte de um quarto do meridiano terrestre e para o cálculo dar certo arredondaram a Terra!"

 

"O cérebro tem uma capacidade tão grande que hoje em dia, praticamente, toda a gente tem um."

 

"O piloto que atravessa a barreira do som nem percebe, porque não ouve mais nada."

 

"O teste do carbono 14 permite-nos saber se antigamente alguém morreu."

 

"Nos aviões, os passageiros da primeira classe sofrem menos acidentes que os da classe económica."

 

"O índice de fecundidade deve ser igual a 2 para garantir a reprodução das espécies, pois precisa-se de um macho e uma fêmea para fazer o bebé. Podem até ser 3 ou 4, mas chegam 2."

 

"Em 2020 a caixa de previdência já não tem dinheiro para pagar aos reformados, graças à quantidade de velhos que não querem morrer."

 

"A água tem uma cor inodora."

 

"A luta greco-romana causou a guerra entre esses dois países."

 

"O tabaco é uma planta carnívora que se alimenta de pulmões."

 

"Quando dois átomos se encontram, vai dar uma grande merda."

 

"Princípio de Arquimedes: qualquer corpo mergulhado na água, sai completamente molhado."

 

"As aves têm na boca um dente chamado bico."

 

"A Terra é um dos planetas mais conhecidos e habitados do mundo."
 

"Quando Cristóvão Colombo chegou à América, os índios correram nus pela praia, gritando: fomos descobertos!"

 

publicado por Pensador Insuspeito às 17:47

27
Fev 09

 

Não é algo que toda a gente saiba porque passa despercebido à maioria das pessoas, mas é escandaloso como o Ministério da Educação, de trapalhada em trapalhada, é um dos maiores sorvedouros de dinheiros públicos neste país. Eis alguns factos recentes que importa lembrar ao comum dos mortais: o pagamento de 150 mil euros ao advogado João Pedroso por dois contratos não cumpridos, o pagamento a uma agência de recrutamento de criancinhas para figurarem ao lado do primeiro-ministro na abertura do ano lectivo no CCB, o pagamento de 40 mil euros por um estudo que o PM e o ME diziam ser da OCDE, o pagamento de 874 euros por artigos auto-elogiosos publicados quinzenalmente no JN/Classificados. E a lista de pagamentos poderia continuar...

 

Mas esta é também a Ministra que usa e abusa do dinheiro dos contribuintes para alcançar do poder judicial aquilo que através da sua "competência" não consegue. Multiplicam-se assim os recursos e as despesas judiciais. O último episódio deste folhetim está a acontecer na Régua, envolvendo também a senhora directora da DREN, a sempre inefável Margarida Moreira. Se as duas senhoras se envolveram no mediático caso do professor Charrua que foi corrido por tecer "comentários insultuosos" a propósito do PM, agora a ideia é manter um professor nomeado pela senhora Ministra como Presidente do Conselho Executivo, mesmo que este não cumpra os requisitos estabelecidos na lei para o preenchimento do lugar. Depois de vários recursos interpostos pelo ME, não sei como será o desfecho deste caso. Só espero que no fim a senhora Ministra tenha de pagar do seu próprio bolso por cada dia de atraso no cumprimento da sentença emanada do Tribunal Administrativo e Fiscal de Mirandela e não venha mais uma vez usar o dinheiro dos contribuintes para cobrir as suas trapalhadas…

 

publicado por Pensador Insuspeito às 17:51

20
Fev 09

 

Afinal, os professores do Agrupamento de Escolas de Paredes de Coura lá tiveram de desfilar ao lado dos meninos que festejavam o Carnaval. Mas fizeram-no vestidos de negro, amordaçados e com as mãos presas por correntes, como forma de protesto contra a Direcção Regional de Educação do Norte (DREN) que, contrariando uma decisão do Conselho Pedagógico, lhes ordenou que acompanhassem as criancinhas do pré-escolar e do 1.º ciclo do Ensino Básico pelas ruas da sede do concelho. Uma imposição da DREN que poderia ter saído de um qualquer gabinete bafiento do Estado Novo... Mais a sul, o Ministério Público mandou retirar uma representação do computador Magalhães com imagens de mulheres seminuas, constante num monumento alegórico do Carnaval de Torres Vedras, depois de ter sido apresentada uma queixa-crime (acabo de saber que o mesmo Ministério Público, com uma rapidez meteórica, recua e autoriza a referida sátira ao Magalhães!). Os argumentos utilizados – de que as imagens eram pornográficas e ofendiam a moral pública – ultrapassam o que teria sido a actuação da Santa Inquisição nos seus tempos áureos. Tenho para mim que o verdadeiro argumento não foi de ordem moral mas alguém se sentiu muito ultrajado por se associarem gajas nuas ao sacrossanto computador Magalhães, verdadeiro ícone do regime socrático. Por este andar vai ser cada vez mais perigoso escrever num blog como este. Qualquer dia tenho o Ministério Público a intimar-me para que feche o estaminé. As coisas estão a ficar muito complicadas neste pais cinzentão e pidesco… E mais não digo. Um bom fim-de-semana.

 

publicado por Pensador Insuspeito às 20:18

19
Fev 09

 

Os professores do Agrupamento de Escolas de Paredes de Coura continuam firmes na posição de não realizar o desfile de Carnaval com os alunos e afirmam que apenas voltarão atrás caso sejam "terminantemente obrigados" pela Direcção Regional de Educação do Norte (DREN). Não conheço os contornos do problema e não sei se os meus colegas professores de Paredes de Coura têm razão na sua recusa em não realizar o desfile carnavalesco com os alunos. O que vejo é a indignação dos pais e encarregados de educação, que se reuniram de emergência na noite de ontem para decidir o que fazer para que os seus rebentos não ficassem privados do desfile. Gostava de ver o mesmo empenho dos pais em muitíssimos outros assuntos que têm a ver directamente com a educação dos filhos. Mas infelizmente não vejo. E pasme-se: nesta indignação são acompanhados pela DREN, que na terça-feira enviou um email ao referido Agrupamento, assinado pela directora regional, Margarida Moreira, determinando a realização do desfile (!). A senhora directora sustenta que as actividades de Carnaval fazem parte do Projecto Educativo e do Plano de Actividades do Agrupamento e sublinha a sua importância para a escola "cumprir a sua missão nos processos de socialização e de aprendizagem para os alunos" (!!!). Enquanto isso, mais uma colega era agredida a murro pela mãe de uma aluna na Figueira da Foz. Assim vai o ensino em Portugal. E por hoje não digo mais nada. Bati o meu recorde de postagens num só dia. Sou um homem plenamente realizado! 

 


12
Fev 09

 

Escreve o Público na sua edição de ontem que a ministra da Educação desvalorizou o parecer elaborado pelo advogado Garcia Pereira, encomendado por um grupo de professores e que assinala um conjunto de inconstitucionalidades na avaliação de professores e no Estatuto da Carreira Docente. Em declarações aos jornalistas, Maria de Lurdes Rodrigues considerou que quem encomenda os pareceres é que lhes tem de dar valor, uma vez que estes são encomendados. "Não valorizo os pareceres. Os pareceres são encomendados e devem ser valorizados por quem os encomendou. Não pedi nada ao professor Garcia Pereira. Portanto, não tenho que valorizar nada", comentou a ministra da Educação que se recusou a fazer mais qualquer tipo de declarações sobre o assunto.


Apetece-me dizer que eu também já não valorizo há muito o que a senhora ministra diz. Agora também já não valorizo o que ela supostamente escreve. E como eu, muitos outros professores. Por isso, não entreguei nem entrego os objectivos individuais, precisamente porque não valorizo nada do que essa senhora e as suas sombras alegadamente dizem ou escrevem…

 

publicado por Pensador Insuspeito às 16:11
sinto-me:

29
Jan 09

 

Estava eu a fazer uma pesquisa na net sobre o famoso "Magalhães", a pedido de uma amiga e colega, quando, por acaso, dei de caras com esta adaptação, muito bem pensada, do célebre episódio de indisciplina ocorrido na Escola Secundária Carolina Michaelis, no Porto.

 

Para fazer o contraponto humorístico à semana escolar algo atribulada que estou a viver...

 

 

da-me-o-magalhaes-ja

 

Autor: Blog Dois Cliques

publicado por Pensador Insuspeito às 00:38
sinto-me:
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26
Jan 09

 

Hoje estou esgotado! Numa segunda-feira é difícil dizer-vos isto. Mas é verdade. Parece que nada na minha vida bate certo. Os que me têm acompanhado por aqui sabem a que me refiro. É que a separação de um grande amor deixa sequelas... Agora é também a avaliação dos professores. Na minha escola anda toda a gente de "candeias às avessas" por causa da dita avaliação. Outra coisa não seria de esperar e isso reflecte-se no ambiente que se vive na minha escola que, como em muitas outras, está contaminado por esta avaliação e pelas consequências da sua mais que provável aplicação. Entre colegas há um mal-estar que a cada dia que passa se torna mais evidente. O ambiente está pesado, com conversas em surdina entrecortadas por silêncios e olhares... A suspeição está no ar...
 
Até aqui todos eram desfavoráveis a esta avaliação. Nenhum colega destoava da opinião geral que era bastante consensual quanto à implementação de um modelo de avaliação delineado num qualquer gabinete da capital, situado muito longe da realidade das nossas escolas. Não havia colega que não fosse contra as alterações que a ministra quis implementar.
 
Infelizmente, chegada a hora de tomar decisões, a opinião de muitos é abalada por diversos factores, alguns compreensíveis face à situação em que vivemos, outros nem tanto. Uns quantos pensam acima de tudo no seu próprio interesse. Temem não progredir na carreira ou virem a perder o ordenado que auferem. Outros têm medo das possíveis represálias que poderão ter por parte do ministério. Outros ainda dizem uma coisa mas na hora de tomar decisões e lutar baixam os braços e preferem fazer outra coisa radicalmente diferente daquela que até agora defenderam. É precisamente nas horas mais difíceis que se conhece o carácter e a fibra das pessoas. Diria mesmo que estas horas são cruciais para qualquer relação, seja ela profissional ou outra. É perfeitamente aceitável que alguns colegas sintam medo perante esta situação. Já a falta de carácter manifestada por alguns é insustentável. Não gosto. Fico enojado. Só me apetece bater com a porta...
 
Na semana passada, expirou o prazo para a requisição das aulas assistidas, que são indispensáveis para que o professor avaliado tenha nota superior a "Bom", ou seja, só quem as requisitar poderá ter avaliação de "Muito Bom" ou "Excelente". São apenas 2 ou 3 míseras aulas! É incrível como se pode definir a qualidade do desempenho de um docente a partir de 2 ou 3 aulas! Não é possível que alguém no seu perfeito juízo possa pactuar com uma situação destas. Só uma mente muito enviesada pode achar que essas 2 ou 3 aulas fazem toda a diferença. Não posso crer!…
 
Por mim, não tenho qualquer problema em que as minhas aulas sejam assistidas, mas apenas por gente devidamente habilitada para o efeito. Concordo plenamente que a avaliação dos professores é necessária. Mas assim não! Não se pode dizer que o professor A ou B corresponde aos requisitos desta avaliação só com 2 ou 3 aulas assistidas!
 
Pois bem. Depois de muito ter reflectido, resolvi não entregar requisição nenhuma, para não atraiçoar a minha consciência e aquilo por que tenho lutado. Alguns colegas acompanharam-me nesta decisão. Não é nada fácil arriscar uma decisão destas. De facto, também eu tenho medo. Mas decidi em consciência não pactuar com uma situação tão gravosa para os interesses da classe e para o futuro da educação neste país. Resolvi seguir o meu caminho na obediência àquilo que sempre tenho defendido e que penso estar certo e não seguir o caminho que outros traçaram sem conhecimento de causa.
 
Infelizmente, muitos daqueles que têm reclamado alto e bom som contra as políticas do ministério e, nomeadamente, contra este modelo de avaliação, entregaram a dita requisição. Já não me revejo em muitos colegas. Alguns deles eu tinha como referências em termos de entrega à profissão e de lisura no tratamento com os demais colegas. Estranho mundo este! Parece que as ideias e as convicções andam ao sabor dos interesses do momento. E esta situação deixa-me desalentado e profundamente arrependido de ter escolhido ser professor.
 
Nestes momentos, dou comigo a pensar. Até posso entender a situação dos professores contratados e o seu medo em virem a ficar desempregados. Mas quanto aos professores de Quadro de Zona Pedagógica e do Quadro de Escola entendo menos, ou não entendo mesmo. No meio disto tudo, ainda há colegas que chegaram ao ponto de entregar a requisição porque dessa forma podem aceder às cotas reservadas aos professores que irão progredir na carreira. É a ideia verdadeiramente distorcida de que quantos menos entregarem a requisição para as aulas assistidas e os objectivos individuais mais possibilidade terão de conseguir uma classificação de "Excelente" e assim passarem à frente dos demais. Que sentido de justiça! Como é que se podem incutir valores nos nossos alunos com procedimentos destes?! Palavras para quê?!
 
E mesmo depois da entrega da dita requisição continuam a reclamar e a empestar o ambiente. Nestas alturas, apetece-me "virar a mesa". Então a luta que temos protagonizado tem sido em vão? Será que estão realmente convencidos da justeza das suas posições? Ou tem sido uma forma de não destoar do ambiente e não ficarem mal perante os outros colegas de profissão?
 
Perante esta situação lamentável, eu só posso dizer que não me importava nada – muito pelo contrário – de ser classificado com "Muito Bom" ou "Excelente". Quem não gostaria? E eu não vou ser hipócrita e dizer o contrário. Aliás, neste cantinho insuspeito sou aquilo que sou e não vou fingir outra coisa. Mas não desta maneira. Este modelo é apenas uma avaliação talhada num qualquer gabinete e que não corresponde minimamente à realidade com que nos debatemos no dia-a-dia da nossa profissão. É uma avaliação que não faz sentido porque está viciada desde o início.
 
Não entreguei a dita requisição e também não vou entregar os meus objectivos individuais. Está decidido. Não volto atrás. Não me importa nada se muitos ou poucos o irão fazer também. Nunca andei atrás dos outros. Sempre pensei pela minha cabeça. E é pena que nas horas decisivas muitos abandonem as causas pelas quais se bateram. Começo a pensar que este tempo não é o tempo das grandes causas, nem sequer das pequenas. É um tempo amorfo, sem causas, em que as pessoas se movem apenas pelos seus próprios interesses e não pensam em causas maiores.
 
Com esta situação, não prevejo nada de bom a respeito da avaliação dos professores nos próximos tempos. A partir de agora, o ministério poderá fazer o que quiser porque já deve ter reparado que a união entre os professores se quebrou. Neste sentido, grande parte das culpas só poderá ser atribuída aos professores e às suas atitudes.
 
Também não estou preocupado que me passem à frente, que sejam todos "Muito Bons" ou "Excelentes", que recebam um ordenado maior. Sei que posso vir a perder e a ficar muito mal no meio disto tudo. Mas resolvi não pactuar mais com este estado de coisas. Pois o que se passa no nosso ensino não merecia outra decisão. Se algum dia puder não mais voltarei a ser professor. Para mim basta!
 

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