Um blogue pessoal mas... transmissível

26
Mar 09

 

Hoje, quando já nada o fazia prever, volto a entregar-me a este imenso prazer que é blogar. Os factos a isso obrigam. É que quando ia a sair da escola e me dirijo ao carro, qual não é o meu espanto ao ver uma multa por estacionamento indevido, ostensivamente escarrapachada no pára-brisas. Com efeito, quando regressei à escola depois do almoço, constatei que todos os lugares no estacionamento situado em frente já estavam ocupados. Decidi então colocar o carro num local mais afastado e interdito a estacionamento, como já tinha feito algumas vezes, confiando que a polícia não iria passar por aquelas bandas, uma vez que é um lugar bastante discreto. Puro engano. A comprovar isso mesmo, está a multa que não me deixa mentir e que vou ter mesmo de pagar…

 

Mas avancemos. Entro no carro e apercebo-me que não trago comigo os óculos de sol. Volto a sair do carro, furioso comigo mesmo por todas as razões deste mundo, e regresso à escola com o intuito de apanhar os óculos que deixei (mais uma vez) na sala de professores. Mal franqueei o portão de entrada, dou de caras com dois colegas que conversavam animadamente sobre o assunto que por estes dias é obrigatório em todas as conversas de ocasião: o facto de o conselho executivo estar a ponderar a aplicação de sanções aos professores que não entregaram, no seu devido tempo, os objectivos individuais, entre os quais eu me incluo. Escusado será dizer que os colegas me desafiaram a entrar na conversa, embora eu estivesse com pressa e não quisesse contribuir mais uma vez para esse estafado assunto. Mas, enfim, lá acedi a participar.

 

Apesar de ser um pouco "espalha-brasas" quando a "mostarda me sobe ao nariz", nunca assumi a postura de enfant terrible. Mas desta vez, porque se requeria uma actuação dura e em conformidade com a gravidade da situação, decidi não entregar os objectivos individuais e acarretar com as eventuais consequências. Em circunstâncias normais, não o faria, mas tive mesmo de o fazer no respeito pela minha própria consciência e em oposição a um modelo de avaliação tão desfasado da nossa realidade escolar. Ora, a conversa azedou, isto porque confrontei os ditos colegas com a sua falta de coerência. Em tempos não muito recuados, foram os primeiros a manifestar a sua indignação e discordância perante o modelo que o ME implementou na avaliação dos docentes e poucos meses depois dão o dito pelo não dito e entregam os objectivos individuais, passando a engrossar o rebanho de "miluzinhas" e "socretinhos" que infesta o país.

 

Há pouco tempo, discorri num blogue amigo sobre os efeitos da frontalidade nas relações de trabalho e de amizade. Nunca gostei de meias-tintas. É preferível pôr imediatamente as cartas em cima da mesa do que alimentar eternamente uma situação dúbia. Se os meus interlocutores tiverem a humildade para aceitar uma crítica ou uma opinião menos favorável é muito bom sinal. De contrário, as relações de trabalho (ou de amizade) mover-se-ão constantemente num terreno de areias movediças e ficarão reféns do politicamente correcto. Na minha perspectiva, a frontalidade não pode ser confundida com a agressividade, mas deve ser entendida como opção pela verdade. Depois da conversa que tivemos, os dois colegas e eu, acredito que não haverá mais dúvidas sobre a personalidade de cada um de nós. Acredito também que todas as pessoas são livres de mudar de critérios, mas então que tenham a decência de respeitar quem coerentemente continua a defender os seus pontos de vista. A bem de uma profissão cada vez mais desmotivadora e de uma escola onde é cada vez mais difícil trabalhar…

 

Valeu-me o facto de ter acabado o dia a mortificar o corpinho numa boa sessão de ginásio. E o melhor de tudo é que alguém com quem tenho trocado olhares desde o início desta semana também andava por lá. Pode ser que daqui a algum tempo tenhamos assunto. Ou não... Por agora fico-me por aqui e mais não digo.
 


19
Mar 09

 

Já não é novidade para ninguém que frequento quase diariamente um ginásio. Gosto de o fazer, porque me ajuda a aliviar o stress e cria em mim hábitos de vida mais saudável, para além de ser importante no sentido de manter um corpo minimamente cuidado do ponto de vista estético. Aliás, numa época em que se promove e cultiva o ideal do "corpo masculino atlético", é natural que as preocupações e os cuidados com o corpo estejam na ordem do dia. Ninguém ignora que o corpo masculino na cultura gay contemporânea está subordinado a uma série de normas estéticas que se reflectem numa idolatrização do físico sempre jovem, que terá de ser perfeito e musculado como se observa facilmente ao visualizar as fotografias de nus masculinos nas revistas gay ou na internet. Isto porque a verdade nua e crua é que esta obsessão em manter a beleza, a juventude e o vigor físico é o preço a pagar, ainda que de forma inconsciente, para não se ser tratado da mesma maneira que todos tratam os gays velhos, fracos e feios. Afinal o que mais conta nos nossos dias é a imagem, a aparência e a juventude, e não tanto a inteligência, o conhecimento e a cultura de alguém, mesmo que esse alguém já tenha queimado as pestanas com os livros de uns gajos de nomes esquisitos tipo Husserl, Derrida e companhia…

 

Por outro lado, um ginásio e todos os espaços que o constituem são realmente sítios muito interessantes do ponto de vista sociológico. São lugares de encontro mas acima de tudo de exibicionismo e voyeurismo flagrantes. Na sala de musculação, é comum verem-se uns gajos, situados algures entre o bronco e o estúpido, a levantar pesos, a transpirar testosterona por todos os poros e a emitir uns sons que se assemelham a grunhidos, mas sempre a olhar... para perceberem se são vistos e eles mesmos para verem outros(as). Infelizmente, o "meu" ginásio não é de grande frequência gay. Parece que os gays da santa terrinha têm mais o que fazer... E porque é que eu digo isto? É que no "meu" ginásio só tenho sido engatado por mulheres... Lembro-me de uma que me seguia com o olhar para onde quer que eu fosse e que um belo dia se queixou a um dos "personal trainers" que eu não falava com ela (!). Escusado será dizer que isto não alterou a minha forma de me relacionar com ela. Vim a saber que estava em processo de divórcio e que uma das formas de fugir aos problemas e ultrapassar o stress inerente à situação era refugiar-se no ginásio. Algum tempo depois, abandonou o ginásio porque eu… não falava com ela (!). E não foi a única a engatar-me… É claro que também gosto de ver e de ser visto, mas não é preciso querer de facto, porque isso acontece naturalmente. E se por acaso fixamos o olhar em alguém, não por uma razão específica, e essa pessoa cruza o olhar com o nosso... meu Deus! Parece quase uma cumplicidade sexual, um chamamento para o acto! Mas de facto no "meu" ginásio é tudo muito hetero... E é por isso que eu reivindico: "Ginásios só para gays, já!"

 


31
Jan 09

 

 

Não. Não é o título de um filme porno de terceira categoria. É uma fantasia que eu tenho e que quero partilhar convosco. Portanto, se têm menos de dezoito anos, façam o favor de abandonar este blog e ir às vossas vidinhas.

 

Frequento um ginásio há alguns anos e muitas vezes dou comigo a fantasiar com isto. Habitualmente ouço dizer que o balneário de um ginásio é um paraíso para os gays. Pois eu digo-vos que não. Muito pelo contrário! Para mim é um autêntico suplício ver um monte de homens andarem por ali a circular tal e qual como vieram ao mundo e não poder fazer nada. Muitas vezes nem sequer poder olhar para não dar nas vistas. É certo que uma grande parte deles são uns trambolhos sem qualquer tipo de interesse e ainda que fossem os últimos homens à superfície da terra eu não lhes pegava. Mas existem alguns de bradar aos céus e pedir por mais! Entre todos eles, existe um que me põe a fantasiar com isso mesmo: muito sexo, ali mesmo no balneário! O P. é um rapaz lindo de morrer, com um corpinho cinco estrelas, que se cruza comigo várias vezes por semana quando vou ao ginásio. Algumas vezes encontramo-nos no balneário. Umas vezes é ele que está todo nuzinho, com aquele corpo delicioso a dizer: "Come-me, come-me". Outras vezes sou eu e tenho de fazer um esforço sobre-humano para não me descontrolar e aquilo começar a... vocês sabem do que estou a falar!

 

Infelizmente, ainda não tive o prazer de me cruzar com ele na sauna ou no banho turco. De todas as vezes que lá vou só estão velhos decadentes ou gajos sebosos. Só me apetece fugir... Mas lá vou ficando na esperança de algum dia me cair ali o P.. Não sei como irei reagir. Se calhar vou sair de lá a correr. De facto, não sei...

 

Acho sinceramente que o P. não é gay ou então o meu gaydar anda a funcionar mal. Já falei com ele algumas vezes e não me parece. Mas se fosse era bem capaz de me fazer a ele. Homens assim há poucos. E eu não sou de ferro... Agora que estou em stand by posso dar-me a estas fantasias. Como já disse aqui, quando estou numa relação sou mais fiel do que um pastor alemão e não tenho olhos para mais ninguém, mas quando estou fora tenho de me fazer à vida...

 

publicado por Pensador Insuspeito às 12:40
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