Um blogue pessoal mas... transmissível

11
Ago 09

 

 

Regressado da semana de férias que passei "fora cá dentro", volto ao meu cantinho com a promessa de o manter actualizado com a regularidade possível. Quanto aos dias que eu e o R. passámos no Alentejo, tudo correu como esperado, a não ser uma indisposição que atingiu o R. durante a nossa estadia em Évora e o tratamento pouco simpático (creio que homofobia mal disfarçada) que recebemos dos funcionários de uma certa residencial daquela cidade, onde ficámos alojados duas noites. E como as férias continuam, também a boa música é uma companhia incontornável nos dias e noites quentes deste período do ano. Por isso, vou recomendar mais algumas músicas que estou a ouvir por estes dias.

 
Ainda na onda electrónica do último post queria falar dos Fischerspooner, um duo nova-iorquino formado em 1998 por Warren Fischer e Casey Spooner. Descontentes com o panorama artístico que os rodeava, decidiram criar um projecto musical em que aliaram música dançável com um forte cáracter retro a lembrar os anos 80, alguma influência glam no visual, muita inteligência no uso da estética e uma grande dose de irreverência. Responsáveis pela febre do electroclash em 2001, os Fischerspooner regressaram em Maio deste ano com o lançamento de "Entertainment", um disco complexo, a alternar habilmente entre o universo pop/rock, o electro mais dançável e o mais psicadélico e o downtempo. Na minha opinião, um disco altamente recomendável mas provavelmente pouco compreendido pelas massas. Para ouvir, escolhi o single "We Are Electric".
 
 
 
Nesta incursão pela música electrónica, uma das minhas músicas do momento pertence aos Holy Ghost!, mais um duo nova-iorquino, formado pelos DJ’s Alex Frankel e Nick Millhiser. Do seu currículo fazem parte remisturas para artistas como Moby, Phoenix, Cut Copy, Jazzanova, entre outros. Em 2007, lançaram um EP com o tema "Hold On", que obteve um grande sucesso. Voltam agora com o single "I Will Come Back", numa interessante releitura visual e musical da noite nova-iorquina dos anos 80. O vídeo que acompanha o tema é mesmo uma homenagem a "Confusion" dos New Order, de 1983. A sonoridade do tema posiciona-se algures entre a disco music e o house e as harmonias vocais fazem lembrar os Joubert Singers. Aguarda-se álbum para o ano que vem. Entretanto, delicio-me a ouvir este "I Will Come Back".
 
 
 
Para terminar mais este post essencialmente musical, escolhi os Kings of Leon. Embora a família Followill tenha formado a banda no ano 2000, o seu primeiro álbum apenas foi lançado em 2003. Tanto nos Estados Unidos como na Europa, este primeiro registo musical, intitulado "Youth and Young Manhood", alcançou um enorme sucesso. O grande boom surge, no entanto, em 2007, com "Because Of The Times", um disco muito bem recebido pela crítica, onde se percebe claramente a evolução criativa da banda. Com "Only By The Night", lançado em Setembro de 2008, os Kings of Leon atingem o ponto alto da sua carreira e conquistam finalmente o público norte-americano, alcançando o quarto lugar nos tops de vendas. Vêem ainda o disco liderar as vendas no Reino Unido e a ser eleito o melhor do ano por diversos órgãos especializados. A banda é então nomeada para diversas categorias em vários prémios de música pelo mundo, incluindo três nomeações para os Grammys. Para ouvir, seleccionei uma faixa deste último álbum, intitulada "Sex On Fire".
 

 

 

publicado por Pensador Insuspeito às 23:02

01
Ago 09

 

 

1.º de Agosto, primeiro dia de férias do R.. Estando a viagem ao México posta definitivamente de lado por causa da famigerada gripe A, decidimos "ir para fora cá dentro". Escolhemos o Alentejo, uma região que ambos conhecemos mal. Entre a monumentalidade de Évora e as excelentes praias da costa alentejana, prevejo uma semana em grande!

 

E porque o verão não é só férias mas também muita e boa música, resolvi falar de alguns artistas e grupos e escolher alguns temas que me deixam bem disposto e que gosto de ouvir com o sol a escaldar ou numa noite quente de verão...

 

 

Para começar esta selecção musical, escolhi os Cut Copy. Este trio australiano formado por Dan Whitford (voz, guitarra, teclas), Tim Hoey (baixo, guitarra) e Mitchell Dean Scott (bateria), apresenta um estilo musical largamente influenciado por referências de rock alternativo e música electrónica. O lançamento do seu segundo álbum, "In Ghost Colours", em 2008, foi muito aplaudido, sendo para muitos os sucessores naturais dos New Order, dadas as semelhanças que facilmente se reconhecem no género de música que as duas bandas cultivam. Para ouvir, escolhi "Hearts On Fire", um single extraído do álbum "In Ghost Colours". Excelente!

 

 

 

E como estamos numa onda de música electrónica, queria falar de uma das meninas bonitas da nova pop britânica. Little Boots é o nome escolhido pela cantora e compositora britânica Victoria Hesketh para se lançar a solo no universo electro-pop. O seu álbum de estreia, "Hands", revela-nos uma fazedora de canções bem acima da média, que tanto se deixa enredar pelo poderoso ataque dos sintetizadores como é capaz de projectar habilmente o forte sentido melódico da sua voz. "Earthquake" é um dos meus singles preferidos e faz parte do referido álbum. Um autêntico terramoto!
 

 

 

Para terminar esta selecção musical e como estamos também numa época em que por todo o lado se multiplicam as festas de verão, escolhi mais um hit do momento. Miss Kittin é uma cantora/DJ de origem francesa. O seu género musical move-se entre a música electrónica, techno e electro-pop. Com um estilo inconfundível, Miss Kittin tornou-se uma das DJ’s mais requisitadas em todo o mundo. Para ouvir, escolhi uma música pertencente ao segundo álbum de originais de Miss Kittin & The Hacker (ou, se preferirem, Caroline Hervé e Michel Amato), editado no passado mês de Abril. O sucessor de "First Album", de 2001, tem em "1000 Dreams" o seu single de avanço. Electrizante!

 

 

 

E hoje fico por aqui. Espero que gostem!

 


11
Mar 09

 

Quase não me restam palavras para te dizer o que sinto neste momento. Mas ainda guardo algumas para te dizer o quanto sinto a tua ausência… O quanto a tua ausência afoga em mim as palavras que ainda tenho para te dizer... Dizias-me que palavras não passam de palavras. Mas acredita que estas palavras são sentidas. Acredita que mesmo poucas palavras são melhores do que o silêncio de duas pessoas que ficam sem mais nada para dizer uma à outra. E esse silêncio por incrível que pareça é um silêncio ensurdecedor. Já tive momentos desses quando ainda não tinhas entrado na minha vida. Mas tu chegaste sem hora marcada e trouxeste contigo um amor que eu julgava não merecer, brindaste-me com uma ternura que eu julgava não existir, fizeste-me sorrir como há muito eu não sorria, surpreendeste-me como jamais alguém conseguiu surpreender-me…


Não sei ao certo porque te foste embora da minha vida, nem quando resolveste partir para não mais voltar. Ou talvez para voltares quando finalmente caíres em ti e precisares de um carinho, de um abraço, ou simplesmente de alguém com quem possas desabafar, com quem possas contar, a quem possas confiar os teus dramas e segredos, sabendo que nunca serás julgado. Não sei ao certo quando te perdi. Se é que alguma vez te tive! Se é que alguma vez foste meu! Se é que alguma vez te entregaste totalmente a mim!

 

Queria dizer-te que há dias em que sinto um vazio enorme. É como se faltasse algo essencial à minha vida. É como se tu fosses o ar que preciso para continuar a viver… Ao mesmo tempo, sinto uma imensa surpresa. Eu que, na minha auto-suficiência, dizia não precisar de um amor assim. Mas tu apareceste na minha vida e tudo mudou. Vejo agora as minhas palavras negadas pelos meus próprios sentimentos… E então percebo como é fácil falar de ânimo leve, quando não estamos no meio da tempestade…

 

Queria dizer-te que há dias em que a solidão é um sentimento insuportável… É nestes dias que sinto mais saudades tuas, essa palavra que povoa o nosso imaginário colectivo e que de tão usada já perdeu quase toda a sua significância. Sim, saudades. Não sei se sabes do que estou a falar. Aquele sentimento que provoca um peso no estômago e faz doer até o músculo mais insignificante do teu corpo. Mas doer mesmo. Não sei se alguma vez sentiste essa dor. Mas acredita que dói muito... É nestes dias que a dor da tua ausência se faz sentir com mais força. E fico assim, triste, melancólico, como se apenas a tua presença ao meu lado me pudesse trazer algum conforto. Por isso, é nestes dias que em nome da tua ausência me remeto ao silêncio e fico por aqui, frente a um ecrã de computador, frio, distante, impessoal, a dizer-te umas palavras que para mim soam a tudo… mas que para ti soam a nada…

 


04
Mar 09

 

Tu chegaste à minha vida num dia em que eu não te esperava. Chegaste e foste ocupando todos os espaços que havia em mim para ocupar até não restar espaço para mais nada nem mais ninguém. Chegaste, ocupaste todos os espaços, mas não me quiseste revelar o mais recôndito do teu ser. Dizias-me que não tinhas de o fazer. E talvez tivesses razão. Porque afinal duas pessoas são duas pessoas. E cada uma dessas pessoas precisa do seu espaço vital para poder respirar… Precisa tão desesperadamente desse espaço como os pulmões precisam de oxigénio para poderem continuar a funcionar. Infelizmente, muitas vezes não pensamos nisto desta maneira tão crua e tão directa. Queremos saber tudo acerca do outro e pensar que não existe espaço para a individualidade de cada um. Digo-o por mim próprio. Mas queria dizer-te também que numa relação existem duas pessoas que se escolheram mutuamente para partilhar uma vida e o que essa vida lhes trouxer de bom e de mau. E para isso é preciso arriscar dar um passo mais à frente...

 

Tu nunca quiseste dar esse passo. Dizias-me que não ias mudar, como se eu te tivesse pedido algum dia, uma única vez, que o fizesses. Mas sabes bem – e isto disse-te muitas vezes – que uma relação só resulta se as duas pessoas nela envolvidas aprenderem a fazer cedências. E acredito que isso não compromete em nada a nossa personalidade. Aprende com o barro que é moldado pelas mãos do escultor: ele não perde as suas propriedades quando é amassado, manuseado e transformado em obra de arte. Muito pelo contrário. Mantendo todas as propriedades intrínsecas que o definem naquilo que ele é, ele adquire contudo uma mais-valia em relação ao seu estado bruto anterior.

 

Tu também não comprometes a tua personalidade se deixares abrir uma brecha nessa muralha inexpugnável que foste erguendo em teu redor e em que gostas de te esconder aos olhos do mundo. Agora eu sei que é difícil a um amor, mesmo a um grande amor, vencer e transpor uma muralha como essa, mesmo que use todas as armas e reúna todas as forças para o conseguir. Porque dentro dessa muralha, bem lá no fundo, existe ainda uma cave onde escondes aquilo que não queres que ninguém saiba sobre ti. Como alguém escreveu: "Everybody has two sides. The side we show the world and the side we try to hide".

 

Eu também possuo algures uma cave onde escondo aquilo que não quero expor aos olhos do mundo. E é por isso que eu não percebo o sofrimento que sinto se afinal concluo que as coisas são mesmo assim. Mas arrisco uma explicação. Será por acreditar que contigo iria ser diferente. Que contigo poderia desnudar-me completamente, corpo e alma. Que contigo não teria nada a esconder porque eras o meu mundo e nesse mundo tudo nos era permitido… Até desvendar o segredo mais íntimo e o mistério mais bem guardado...

 


02
Mar 09

 

Depois de uma noite de insónia, um dia de solidão... Insónia, sim, porque o pensamento vagueia por longe e o subconsciente move-se numa vida paralela, onde tu ainda estás comigo e os nossos dias têm o sabor dos primeiros dias... Solidão, sim, porque ontem estive sozinho. Sem ti. Sem amigos. Sem ninguém... Sozinho comigo e com os meus pensamentos que de insuspeitos já pouco têm... Não resisti a sair de casa, mesmo sem ti... Quando a Primavera já se faz anunciar, procurei aproveitar os tímidos raios de sol que ousavam desafiar as nuvens carregadas que se adensavam no horizonte. Fui até à praia, aquela mesma praia onde nos conhecemos e onde os nossos corpos se entregaram avidamente um ao outro num único desejo. Sentei-me no areal. Puxei de um cigarro, que as contingências da vida ainda não me permitiram afastar de vez deste vício. Puxei de um cigarro e fiquei ali, imóvel, a olhar a linha do horizonte e a ver os casais que desfrutavam também do sol e do mar. Invejei-os. Coisa feia de se fazer. Mas é verdade, invejei-os... Esperava ver-te. Aliás, espero ver-te sempre naqueles sítios que eram os "nossos sítios", os sítios onde éramos só nós dois e o mundo não existia. A luz difusa daquele fim de tarde enganou-me. Afinal, nenhum dos vultos que por ali andavam era o teu. Enganei-me mais uma vez...

 

Depois fui ao cinema. Sozinho. Sem ti. Sem amigos. Sem ninguém... Queria ver "O Leitor", aquele mesmo filme pelo qual a Kate Winslet ganhou o Óscar de Melhor Actriz. Sei que gostas tanto de cinema como eu. Que não perdias uma sessão às segundas-feiras. Os domingos eram todos para mim. Sozinho, naquela sala, parecia ver-te nas sombras que deambulavam por ali. Parecia ver-te sentado ao pé de mim. Parecia sentir o calor do teu corpo e a tua mão pousada sobre a minha perna, como gostavas tanto de fazer quando não havia ninguém por perto ou quando viajavas ao meu lado no carro. Um gesto do qual com certeza já não guardas lembranças porque para ti era um simples gesto. Nada mais. Mas eu guardo. Porque ainda sou daqueles para quem um gesto vale mais do que mil palavras... Queria dizer-te que apreciei o filme. É um filme como eu gosto. É um filme que me pôs a pensar sobre a vida, sobre as pessoas que marcaram a minha vida para sempre. Tu és uma dessas pessoas. Tu marcaste a minha vida para sempre. Dê a vida as voltas que der. Infelizmente, não pudemos discutir o filme nem o trabalho do realizador nem a performance dos personagens, porque tu não estavas lá. Regressei a casa. Sozinho. Sem ti. Sem amigos. Sem ninguém... E tu também não estavas lá...

 


27
Fev 09

 

Desde que eu e o M. nos separámos, vivo na expectativa de receber notícias dele. Notícias que eu espero mas que eu não quero. Notícias que eu devia ignorar mas não consigo. Ontem o M. "apareceu" novamente sob a forma de sms. Pediu-me desculpa por não ter dito nada nos últimos dias e disse-me que um percalço o impediu de falar comigo. Mais uma vez enchi-me de esperanças que algo possa mudar, embora tudo me diga que isso dificilmente irá acontecer. Acho que esta forma de viver o fim do meu relacionamento com o M. funciona como uma forma de autodefesa ou um artifício para fugir à crua realidade da separação. E logo eu que sempre fui tão racional... É impressionante que, por mais que tentemos e por mais que finjamos ser fortes, tal não é verdade. É que não dá para esquecer tão rapidamente um grande amor. Acho que nunca se esquece, só se faz de conta que já não se lembra. Eu tenho feito um esforço descomunal, maior do que as minhas próprias forças, para tentar esquecê-lo e habituar-me a viver sem a presença do M.. Mas de repente ele resolve "aparecer" de novo e provoca um turbilhão de sentimentos na minha vida... A minha cabeça dá mil voltas, sem saber o que pensar… E pergunto-me: o que é que eu terei feito para estar a passar por uma coisa destas? Ele que me dizia: "Tu és uma pessoa maravilhosa e mereces ser muito feliz", como é capaz de me fazer isto? Não consigo perceber. Estou confuso…

 

Também ontem, quando ia a sair do ginásio e já na rua, esbarrei literalmente com um gajo que passou boa parte do verão passado a "perseguir-me". Antes disso, eu já o conhecia e sabia que ele era gay. Os nossos olhares cruzaram-se de novo mas devo dizer que não senti nada ou seja não houve aquela "química" especial. Não houve agora nem houve no passado. Porque amar alguém significa desejar ver de novo, sentir de novo. É um sentimento que vicia, que torna dependente, que retira a paz e a tranquilidade nos tempos de ausência. Mas também sei que isso nem sempre é tão linear. Um amor pode acontecer mesmo sem a "química" da primeira vez. Mesmo sem a paixão avassaladora. E talvez sejam esses os amores que suportam os relacionamentos mais duradouros. Por isso, estou tranquilo. Se algo tiver de acontecer, acontecerá. Não vou forçar algo a acontecer para depois me arrepender. É verdade que se costuma dizer que mais vale arrependermo-nos por aquilo que fizemos do que por aquilo que não fizemos. Eu sei disso. Mas por enquanto não vou fazer nada. Não quero embarcar numa aventura sem sentido. Para mim, nada é melhor que um namoro estável e duradouro. Mas sei, por experiência própria, que namorar não é fácil. Tem de surgir aquela incrível coincidência de sentimentos, que não se podem descrever por palavras ou gestos… No meio disto tudo, começo a pensar que estes (des)encontros me querem dizer alguma coisa. O que custa mais é decifrar a difícil escrita da vida…

 

publicado por Pensador Insuspeito às 22:36
sinto-me:

22
Fev 09

 

É engraçado como nos últimos tempos a vida me tem ensinado algumas coisas muito importantes, coisas que eu pensava ter por adquiridas. A maior lição que eu estou a receber neste momento e que por mais que me esforce ainda não consigo assimilar totalmente é que não posso obrigar ninguém a ficar do meu lado, a preocupar-se comigo, a "perder tempo" comigo. Sei que pode ser um pouco tarde para aprender isso porque afinal já não sou nenhum adolescente. O fim do meu relacionamento com o M. mostrou-me que estou mais sozinho do que imagino. E mesmo quando estou rodeado de muita gente é como se estivesse sozinho, porque me falta a pessoa mais importante, a pessoa que preencheu de alegria os meus dias e as minhas noites. É como se ele tivesse levado consigo um bocadinho de mim. Apesar de tudo, não quero deixar que a infelicidade me derrube. Tenho conseguido disfarçar bem para a família e para os amigos. Tenho conseguido enganar muito bem a todos e até a mim mesmo de vez em quando...

 

Para informação geral da blogosfera, quero dizer que o meu último contacto com o M. foi na sexta-feira. Mas, como sempre, foi um contacto que me torturou mais do que me consolou. Um contacto que deixou nas entrelinhas coisas que acabam por me dar esperanças que eu não quero ter. E nem posso. Porque não quero sofrer mais. Porque estou cansado de sofrer. Porque não quero alimentar uma ilusão que eu próprio criei. As lágrimas acabaram por voltar aos meus olhos. O que é difícil porque não sou de exteriorizar sentimentos, muito menos dessa maneira. Depois, e para não variar, ele desaparece de novo, não dá sinal de vida, não manda uma mensagem. E eu ponho-me a imaginar onde ele está, como ele está, com quem ele está. Ou seja, fico na merda novamente... Eu desabafo para aqui e digo que não quero mais nada, que quero baixar os braços e deixar de lutar, que quero acreditar que posso ser feliz novamente, mas realmente não sei se é assim que penso. Nem sei se é assim que será. Aliás, já nem sei mais nada. A minha mente está confusa, o meu coração magoado... Às vezes, a minha cabeça parece que vai explodir... Não é fácil ultrapassar o desgosto pela perda de um grande amor e recuperar-se totalmente ao fim de uma semana, ou de um mês, ou até de dois meses... Isto não é uma gripe...

 

Tenho tentado manter a cabeça ocupada. Tenho feito muitas coisas para me distrair, mas todos os dias tenho que regressar aos lugares onde fomos tão felizes, e nessas horas a solidão ainda me maltrata mais... Por isso, não houve outra hipótese senão sair para não enlouquecer. A noite até foi boa. Quem esteve comigo nem se apercebeu do que se está a passar na minha vida. Mais uma vez, a desculpa que eu dei pela minha "aparente" tristeza foi que andava stressado e cheio de trabalho. Pelo menos, esta saída evitou que eu pensasse constantemente no M.. Demos umas voltas e parámos em alguns sítios mas não ficámos até muito tarde. Regressei a casa. Custou a adormecer. Dormi até tarde. Parece que nem dormi. Foi mais uma noite estranha. Mas não tinha outro remédio: ou saía ou ia acabar por enlouquecer sozinho em casa…

 


18
Jan 09

Apesar de já não ver o M. há quase um mês (e que falta me faz...), posso dizer-vos que este fim-de-semana começou bem. Diria mesmo que começou muito bem... É que na sexta-feira garanti que vou finalmente concretizar algo que devia ter feito há muito tempo. Este ano promete... pelo menos nesse aspecto!

 

Ontem resolvi fazer uma arrumação ao escritório. Eram papeis e mais papeis que me enchiam a secretária e se espalhavam pelas estantes e até por um pequeno sofá onde gosto de me estender a ler e a ouvir um pouco de música nos intervalos dos trabalhos e das navegações pela net. Pois bem! Há muito tempo que andava a adiar esse trabalho. Também até há bem pouco tempo, todos os meus tempos livres eram dedicados ao M. e durante a semana, entre o trabalho, o ginásio e uma ou outra saída, não sentia vontade nenhuma de o fazer.

 

Ao olhar para todo aquele entulho intelectual, dei comigo a pensar até que ponto toda aquela papelada era necessária. Ando a fazer um mestrado e estou a redigir a tese, de modo que todas as vezes que falo com a orientadora, ela vem com aquelas recomendações da praxe: "Olhe que devia ler isto, e mais isto, e mais aquilo...". E lá vou eu em busca de mais informação, que muitas vezes nunca chego a ler. São montes e montes de fotocópias, porque os livros são caros e há sempre uma maneira de contornar os direitos de autor e a ASAE... No meio de tudo isto, vou redigindo a tese, muito, muito lentamente...

 

Lá para o fim do dia, ainda saí com a minha amiga G., que já não via desde o fim-de-semana passado (!). Fomos jantar ao meu restaurante italiano preferido e depois rumámos até ao bar mais in da santa terrinha porque as nossas gargantas estavam a pedir um copo. A G. é uma excelente pessoa, mas devo confessar-vos que tem um defeito do tamanho do mundo: é muito, muito, mas mesmo muito chatinha e, por isso, dá-me cabo da paciência... E depois está sempre a insinuar-se. Quer de mim algo mais do que uma simples amizade e eu já lhe fiz saber que não lhe podia dar mais do que isso. Mas ainda assim acho que não compreendeu. Quando namorava com o M., estive a ponto de lhe dizer que o meu coração já tinha dono, sabendo de antemão que ela não iria descansar enquanto não soubesse quem era. E se descobrisse era bem capaz de ser a reedição do Grande Terramoto de 1755!... Já estou a ver o argumento para o filme do ano... Não há pachorra!!!

 

Ao fim da noite, recebi uma sms do M. que me deixou a pensar e me fez ter um pouco mais de esperança. Posso estar a enganar-me a mim próprio. Mas não faz mal...

publicado por Pensador Insuspeito às 22:48

15
Jan 09

Já disse e volto a repetir que foste a melhor coisa que me aconteceu até hoje. No dia em que te conheci, no momento em que me tomaste nos teus braços e em que me roubaste o primeiro beijo, fiquei logo enfeitiçado por ti. Foram tantos os momentos lindos que passámos juntos… Momentos de verdadeira felicidade que ficarão para sempre gravados na minha memória e no meu coração, e que tão depressa não irei esquecer...

 

Eu pensei que o nosso amor fosse durar para sempre. Ainda penso que a tua ausência pode significar o regresso de um amor mais forte. Quem sabe?... Não acho que me tenha enganado a teu respeito. Nem acho que a chama do nosso amor se tenha extinguido. Apesar de tudo, ainda te preocupas comigo. É certo que me faltaste nos momentos em que eu mais precisei de ti. Sinto falta do teu ombro para desabafar. Sinto falta do teu carinho, do teu toque, do teu beijo. Sinto falta do teu corpo... Que tesão, meu Deus!... Se porventura a nossa chama se apagar mesmo, ainda assim terás sempre um lugar muito especial no meu coração. Mas eu quero manter a chama acesa. O futuro somos nós que o fazemos. As nossas escolhas ditam o nosso futuro.

 
Neste momento, eu estou preocupado contigo, pois sei que estás a sofrer mas o motivo continua a ser uma incógnita para mim. Dizes-me que estás longe de casa, afastado de tudo e de todos. Parece que não confias em mim nem em mais ninguém. Mas se tu não sentes vontade de falar comigo, não te posso obrigar a nada. Apenas quero que saibas que eu estarei sempre aqui para o que der e vier. Se precisares de um ombro amigo, não hesites em falar comigo.

Lembra-te que a vida sorriu para ti. Não lhe vires as costas. Lembra-te que a felicidade já bateu à porta do teu coração. Não deixes que o medo e a insegurança tomem conta da tua vida. Agarra-te a mim com todas as tuas forças. O que eu mais desejo neste momento é que os teus lindos olhos tristes voltem a recuperar a alegria de viver que dizias ter quando nos conhecemos. Não tenhas medo dos teus sentimentos. O que importa é o que o coração sente e não o que a cabeça e os outros possam pensar. O amor é mais forte do que tudo. Peço-te que sejas verdadeiro contigo mesmo e que não tenhas medo de ser feliz.
 
Naqueles dias em que nos entregámos um ao outro, tu trouxeste-me o amor e a alegria que faltavam na minha vida. E por isso eu digo que conhecer-te foi a melhor coisa que me aconteceu!!!
publicado por Pensador Insuspeito às 00:13

13
Jan 09

Vou confessar-vos algo sem interesse nenhum. Nem sei se o devia fazer, pelo menos neste momento. Tinha-vos dito que estou a atravessar uma fase complicada da minha vida. Sim, é verdade. A dor de uma separação muito recente ainda preenche de negro os meus dias. Estou a levantar-me do chão e por isso agarro-me a tudo, nem que seja a este cantinho insuspeito onde posso dizer tudo o que me vai na alma e no pensamento...

 

Foi no verão passado que conheci alguém que apesar de tudo ainda me é muito especial. Naqueles dias de Agosto, os nossos olhares cruzavam-se insistentemente com o desejo inconfessado de nos conhecermos pessoalmente. Alto, tímido, olhar penetrante e corpo atlético. Foi ele que deu o primeiro passo. Sem que eu esperasse, deu-me o contacto dele e assim começou uma bela história de amor. Combinámos através de sms um encontro ali no mesmo sítio em que nos conhecemos e em que surgiu pela primeira vez aquela atracção mútua que parecia querer suspender o tempo unicamente pelo desejo de que aquelas longas tardes de verão jamais acabassem para não ficarmos privados um do outro. Aquele primeiro encontro deixou-me sem palavras e fez despertar em mim sentimentos que há muito tinham adormecido. Sentir-me novamente amado e desejado por alguém foi a melhor coisa que me aconteceu nos últimos tempos. Aquela tarde de sábado em que falámos pela primeira vez mexeu comigo e regressei a casa com um sorriso rasgado nos lábios e uma alegria indizível no coração.

 

Desde então começámos a sair todos os fins-de-semana porque a nossa vida pessoal e profissional não nos permitia estar mais tempo juntos. Falávamos de tudo e de nada, riamos com a inocência dos primeiros anos, saíamos para jantar e curtir a noite num qualquer bar da moda. Era tão bom estar com ele frente a frente, só nós dois, olhos nos olhos, mãos nas mãos. Conversava com ele e perdia-me completamente no seu olhar, imaginando um futuro para nós dois em que pelo nosso amor pudéssemos enfrentar tudo e todos e rasgar horizontes insuspeitados. Num desses encontros, já sob o manto diáfano das estrelas e envolvidos pelo silêncio da noite, demos o primeiro de muitos beijos. Um beijo longo e desejado que resistiu ao tempo e à separação. Ainda hoje sinto o sabor dos seus lábios e o calor do seu corpo, ali junto ao mar, apenas com o barulho das ondas a entrecortar de espuma o afago das mãos e o desejo incontido que percorria os nossos corpos, ávidos de amor e de prazer. E o seu sorriso, tão tímido e tão lindo... Os seus olhos, tão tristes e tão expressivos...

 

A partir desse dia tudo se precipitou nas nossas vidas. O meu coração ficou irremediavelmente descompassado, os meus dias eram vividos em função do seu amor, a minha vida ganhou uma beleza que não sabia existir. Que se passaria comigo? Era simples e óbvio. Bastava render-me às evidências e escutar o que me dizia o coração: estava loucamente apaixonado pelo meu M.. Hoje, apesar da separação, continuo a dizer como nos dias em que a palavra amor enchia de beleza as nossas vidas: o teu anjo ama-te e tem imensas saudades tuas, meu diabinho!

publicado por Pensador Insuspeito às 00:32

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