Um blogue pessoal mas... transmissível

01
Abr 09

 

 

Segundo os dados divulgados pelo Ministério da Educação na passada segunda-feira, parece que os alunos do ensino básico e secundário estão a faltar menos. Maria de Lurdes Rodrigues atribuiu o feito ao novo Estatuto do Aluno, que obriga os alunos faltosos à prestação de provas de recuperação. José Sócrates congratulou-se com este "progresso absolutamente extraordinário". Ora, tudo isto não passa de uma enorme falsificação da realidade. Aliás, o Governo de Sócrates, a propósito de tudo e de nada, manipula constantemente as estatísticas com o objectivo de mostrar ao "zé povinho" as coisas "boas" que têm sido feitas. Algo que sempre foi usado com alguma parcimónia por parte dos governos anteriores, é agora usado e abusado por este Governo.

 

Com conhecimento de causa, permito-me discordar do Ministério da Educação. E porque não sou de "falinhas mansas", diria que o novo Estatuto do Aluno é uma treta, que as provas de recuperação por excesso grave de faltas são uma treta, que a diminuição do número de faltas é uma treta. O que esta ministra da Educação conseguiu foi reduzir a função docente a um conjunto de tarefas burocráticas, ao serviço da falsificação das estatísticas, ao serviço dos pais irresponsáveis, ao serviço dos alunos que sistematicamente se "baldam" às aulas. Tudo isto com a bênção e a pedido do inominável senhor Albino Almeida, da CONFAP. Pensando melhor, a redução das faltas era afinal a mentira que o Ministério da Educação preparou antecipadamente para o dia 1 de Abril…

 


26
Mar 09

 

Hoje, quando já nada o fazia prever, volto a entregar-me a este imenso prazer que é blogar. Os factos a isso obrigam. É que quando ia a sair da escola e me dirijo ao carro, qual não é o meu espanto ao ver uma multa por estacionamento indevido, ostensivamente escarrapachada no pára-brisas. Com efeito, quando regressei à escola depois do almoço, constatei que todos os lugares no estacionamento situado em frente já estavam ocupados. Decidi então colocar o carro num local mais afastado e interdito a estacionamento, como já tinha feito algumas vezes, confiando que a polícia não iria passar por aquelas bandas, uma vez que é um lugar bastante discreto. Puro engano. A comprovar isso mesmo, está a multa que não me deixa mentir e que vou ter mesmo de pagar…

 

Mas avancemos. Entro no carro e apercebo-me que não trago comigo os óculos de sol. Volto a sair do carro, furioso comigo mesmo por todas as razões deste mundo, e regresso à escola com o intuito de apanhar os óculos que deixei (mais uma vez) na sala de professores. Mal franqueei o portão de entrada, dou de caras com dois colegas que conversavam animadamente sobre o assunto que por estes dias é obrigatório em todas as conversas de ocasião: o facto de o conselho executivo estar a ponderar a aplicação de sanções aos professores que não entregaram, no seu devido tempo, os objectivos individuais, entre os quais eu me incluo. Escusado será dizer que os colegas me desafiaram a entrar na conversa, embora eu estivesse com pressa e não quisesse contribuir mais uma vez para esse estafado assunto. Mas, enfim, lá acedi a participar.

 

Apesar de ser um pouco "espalha-brasas" quando a "mostarda me sobe ao nariz", nunca assumi a postura de enfant terrible. Mas desta vez, porque se requeria uma actuação dura e em conformidade com a gravidade da situação, decidi não entregar os objectivos individuais e acarretar com as eventuais consequências. Em circunstâncias normais, não o faria, mas tive mesmo de o fazer no respeito pela minha própria consciência e em oposição a um modelo de avaliação tão desfasado da nossa realidade escolar. Ora, a conversa azedou, isto porque confrontei os ditos colegas com a sua falta de coerência. Em tempos não muito recuados, foram os primeiros a manifestar a sua indignação e discordância perante o modelo que o ME implementou na avaliação dos docentes e poucos meses depois dão o dito pelo não dito e entregam os objectivos individuais, passando a engrossar o rebanho de "miluzinhas" e "socretinhos" que infesta o país.

 

Há pouco tempo, discorri num blogue amigo sobre os efeitos da frontalidade nas relações de trabalho e de amizade. Nunca gostei de meias-tintas. É preferível pôr imediatamente as cartas em cima da mesa do que alimentar eternamente uma situação dúbia. Se os meus interlocutores tiverem a humildade para aceitar uma crítica ou uma opinião menos favorável é muito bom sinal. De contrário, as relações de trabalho (ou de amizade) mover-se-ão constantemente num terreno de areias movediças e ficarão reféns do politicamente correcto. Na minha perspectiva, a frontalidade não pode ser confundida com a agressividade, mas deve ser entendida como opção pela verdade. Depois da conversa que tivemos, os dois colegas e eu, acredito que não haverá mais dúvidas sobre a personalidade de cada um de nós. Acredito também que todas as pessoas são livres de mudar de critérios, mas então que tenham a decência de respeitar quem coerentemente continua a defender os seus pontos de vista. A bem de uma profissão cada vez mais desmotivadora e de uma escola onde é cada vez mais difícil trabalhar…

 

Valeu-me o facto de ter acabado o dia a mortificar o corpinho numa boa sessão de ginásio. E o melhor de tudo é que alguém com quem tenho trocado olhares desde o início desta semana também andava por lá. Pode ser que daqui a algum tempo tenhamos assunto. Ou não... Por agora fico-me por aqui e mais não digo.
 


12
Mar 09

 

Ontem, acabei a tarde numa bela esplanada frente ao mar, a realizar que já cheira a primavera e que não tarda nada estamos de novo no verão. O sol ainda brilhava e as preocupações do dia-a-dia iam-se tornando etéreas perante o espectáculo de um mar que parecia convidar a um mergulho. Aliás, o mar sempre foi para mim uma espécie de confidente nas horas mais difíceis ou nos momentos mais felizes. Sou capaz de passar horas frente ao mar, simplesmente a olhar o horizonte e a reflectir na minha vida. Depois de tomar uma bebida fresca, tudo parecia ainda melhor, até que caí novamente no mundo real quando me voltei a confrontar com a notícia do dia: na Alemanha, um jovem de 17 anos, aparentemente normal e tranquilo, matou nove alunos e três professores na escola que tinha frequentado, sendo que um dos estudantes feridos acabou por falecer. Após o massacre, Tim Kretschmer pôs-se em fuga. Pelo caminho matou ainda mais três pessoas, até ser ele próprio abatido a tiro pela polícia. Ao todo 17 mortos. Naquele final de tarde, dei comigo a pensar que Tim podia ser um dos meus alunos. Que a escola de Winnenden podia ser a minha escola. Que os alunos massacrados podiam ser meus alunos. Que os professores assassinados podiam ser meus colegas. Que eu próprio podia estar entre os professores assassinados… Perante isto, nada mais me restou fazer senão olhar novamente o sol e o mar, cheirar a primavera e deixar que a natureza me alienasse mais uma vez…

 


19
Fev 09

 

Os professores do Agrupamento de Escolas de Paredes de Coura continuam firmes na posição de não realizar o desfile de Carnaval com os alunos e afirmam que apenas voltarão atrás caso sejam "terminantemente obrigados" pela Direcção Regional de Educação do Norte (DREN). Não conheço os contornos do problema e não sei se os meus colegas professores de Paredes de Coura têm razão na sua recusa em não realizar o desfile carnavalesco com os alunos. O que vejo é a indignação dos pais e encarregados de educação, que se reuniram de emergência na noite de ontem para decidir o que fazer para que os seus rebentos não ficassem privados do desfile. Gostava de ver o mesmo empenho dos pais em muitíssimos outros assuntos que têm a ver directamente com a educação dos filhos. Mas infelizmente não vejo. E pasme-se: nesta indignação são acompanhados pela DREN, que na terça-feira enviou um email ao referido Agrupamento, assinado pela directora regional, Margarida Moreira, determinando a realização do desfile (!). A senhora directora sustenta que as actividades de Carnaval fazem parte do Projecto Educativo e do Plano de Actividades do Agrupamento e sublinha a sua importância para a escola "cumprir a sua missão nos processos de socialização e de aprendizagem para os alunos" (!!!). Enquanto isso, mais uma colega era agredida a murro pela mãe de uma aluna na Figueira da Foz. Assim vai o ensino em Portugal. E por hoje não digo mais nada. Bati o meu recorde de postagens num só dia. Sou um homem plenamente realizado! 

 


12
Fev 09

 

Escreve o Público na sua edição de ontem que a ministra da Educação desvalorizou o parecer elaborado pelo advogado Garcia Pereira, encomendado por um grupo de professores e que assinala um conjunto de inconstitucionalidades na avaliação de professores e no Estatuto da Carreira Docente. Em declarações aos jornalistas, Maria de Lurdes Rodrigues considerou que quem encomenda os pareceres é que lhes tem de dar valor, uma vez que estes são encomendados. "Não valorizo os pareceres. Os pareceres são encomendados e devem ser valorizados por quem os encomendou. Não pedi nada ao professor Garcia Pereira. Portanto, não tenho que valorizar nada", comentou a ministra da Educação que se recusou a fazer mais qualquer tipo de declarações sobre o assunto.


Apetece-me dizer que eu também já não valorizo há muito o que a senhora ministra diz. Agora também já não valorizo o que ela supostamente escreve. E como eu, muitos outros professores. Por isso, não entreguei nem entrego os objectivos individuais, precisamente porque não valorizo nada do que essa senhora e as suas sombras alegadamente dizem ou escrevem…

 

publicado por Pensador Insuspeito às 16:11
sinto-me:

26
Jan 09

 

Hoje estou esgotado! Numa segunda-feira é difícil dizer-vos isto. Mas é verdade. Parece que nada na minha vida bate certo. Os que me têm acompanhado por aqui sabem a que me refiro. É que a separação de um grande amor deixa sequelas... Agora é também a avaliação dos professores. Na minha escola anda toda a gente de "candeias às avessas" por causa da dita avaliação. Outra coisa não seria de esperar e isso reflecte-se no ambiente que se vive na minha escola que, como em muitas outras, está contaminado por esta avaliação e pelas consequências da sua mais que provável aplicação. Entre colegas há um mal-estar que a cada dia que passa se torna mais evidente. O ambiente está pesado, com conversas em surdina entrecortadas por silêncios e olhares... A suspeição está no ar...
 
Até aqui todos eram desfavoráveis a esta avaliação. Nenhum colega destoava da opinião geral que era bastante consensual quanto à implementação de um modelo de avaliação delineado num qualquer gabinete da capital, situado muito longe da realidade das nossas escolas. Não havia colega que não fosse contra as alterações que a ministra quis implementar.
 
Infelizmente, chegada a hora de tomar decisões, a opinião de muitos é abalada por diversos factores, alguns compreensíveis face à situação em que vivemos, outros nem tanto. Uns quantos pensam acima de tudo no seu próprio interesse. Temem não progredir na carreira ou virem a perder o ordenado que auferem. Outros têm medo das possíveis represálias que poderão ter por parte do ministério. Outros ainda dizem uma coisa mas na hora de tomar decisões e lutar baixam os braços e preferem fazer outra coisa radicalmente diferente daquela que até agora defenderam. É precisamente nas horas mais difíceis que se conhece o carácter e a fibra das pessoas. Diria mesmo que estas horas são cruciais para qualquer relação, seja ela profissional ou outra. É perfeitamente aceitável que alguns colegas sintam medo perante esta situação. Já a falta de carácter manifestada por alguns é insustentável. Não gosto. Fico enojado. Só me apetece bater com a porta...
 
Na semana passada, expirou o prazo para a requisição das aulas assistidas, que são indispensáveis para que o professor avaliado tenha nota superior a "Bom", ou seja, só quem as requisitar poderá ter avaliação de "Muito Bom" ou "Excelente". São apenas 2 ou 3 míseras aulas! É incrível como se pode definir a qualidade do desempenho de um docente a partir de 2 ou 3 aulas! Não é possível que alguém no seu perfeito juízo possa pactuar com uma situação destas. Só uma mente muito enviesada pode achar que essas 2 ou 3 aulas fazem toda a diferença. Não posso crer!…
 
Por mim, não tenho qualquer problema em que as minhas aulas sejam assistidas, mas apenas por gente devidamente habilitada para o efeito. Concordo plenamente que a avaliação dos professores é necessária. Mas assim não! Não se pode dizer que o professor A ou B corresponde aos requisitos desta avaliação só com 2 ou 3 aulas assistidas!
 
Pois bem. Depois de muito ter reflectido, resolvi não entregar requisição nenhuma, para não atraiçoar a minha consciência e aquilo por que tenho lutado. Alguns colegas acompanharam-me nesta decisão. Não é nada fácil arriscar uma decisão destas. De facto, também eu tenho medo. Mas decidi em consciência não pactuar com uma situação tão gravosa para os interesses da classe e para o futuro da educação neste país. Resolvi seguir o meu caminho na obediência àquilo que sempre tenho defendido e que penso estar certo e não seguir o caminho que outros traçaram sem conhecimento de causa.
 
Infelizmente, muitos daqueles que têm reclamado alto e bom som contra as políticas do ministério e, nomeadamente, contra este modelo de avaliação, entregaram a dita requisição. Já não me revejo em muitos colegas. Alguns deles eu tinha como referências em termos de entrega à profissão e de lisura no tratamento com os demais colegas. Estranho mundo este! Parece que as ideias e as convicções andam ao sabor dos interesses do momento. E esta situação deixa-me desalentado e profundamente arrependido de ter escolhido ser professor.
 
Nestes momentos, dou comigo a pensar. Até posso entender a situação dos professores contratados e o seu medo em virem a ficar desempregados. Mas quanto aos professores de Quadro de Zona Pedagógica e do Quadro de Escola entendo menos, ou não entendo mesmo. No meio disto tudo, ainda há colegas que chegaram ao ponto de entregar a requisição porque dessa forma podem aceder às cotas reservadas aos professores que irão progredir na carreira. É a ideia verdadeiramente distorcida de que quantos menos entregarem a requisição para as aulas assistidas e os objectivos individuais mais possibilidade terão de conseguir uma classificação de "Excelente" e assim passarem à frente dos demais. Que sentido de justiça! Como é que se podem incutir valores nos nossos alunos com procedimentos destes?! Palavras para quê?!
 
E mesmo depois da entrega da dita requisição continuam a reclamar e a empestar o ambiente. Nestas alturas, apetece-me "virar a mesa". Então a luta que temos protagonizado tem sido em vão? Será que estão realmente convencidos da justeza das suas posições? Ou tem sido uma forma de não destoar do ambiente e não ficarem mal perante os outros colegas de profissão?
 
Perante esta situação lamentável, eu só posso dizer que não me importava nada – muito pelo contrário – de ser classificado com "Muito Bom" ou "Excelente". Quem não gostaria? E eu não vou ser hipócrita e dizer o contrário. Aliás, neste cantinho insuspeito sou aquilo que sou e não vou fingir outra coisa. Mas não desta maneira. Este modelo é apenas uma avaliação talhada num qualquer gabinete e que não corresponde minimamente à realidade com que nos debatemos no dia-a-dia da nossa profissão. É uma avaliação que não faz sentido porque está viciada desde o início.
 
Não entreguei a dita requisição e também não vou entregar os meus objectivos individuais. Está decidido. Não volto atrás. Não me importa nada se muitos ou poucos o irão fazer também. Nunca andei atrás dos outros. Sempre pensei pela minha cabeça. E é pena que nas horas decisivas muitos abandonem as causas pelas quais se bateram. Começo a pensar que este tempo não é o tempo das grandes causas, nem sequer das pequenas. É um tempo amorfo, sem causas, em que as pessoas se movem apenas pelos seus próprios interesses e não pensam em causas maiores.
 
Com esta situação, não prevejo nada de bom a respeito da avaliação dos professores nos próximos tempos. A partir de agora, o ministério poderá fazer o que quiser porque já deve ter reparado que a união entre os professores se quebrou. Neste sentido, grande parte das culpas só poderá ser atribuída aos professores e às suas atitudes.
 
Também não estou preocupado que me passem à frente, que sejam todos "Muito Bons" ou "Excelentes", que recebam um ordenado maior. Sei que posso vir a perder e a ficar muito mal no meio disto tudo. Mas resolvi não pactuar mais com este estado de coisas. Pois o que se passa no nosso ensino não merecia outra decisão. Se algum dia puder não mais voltarei a ser professor. Para mim basta!
 

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