Um blogue pessoal mas... transmissível

26
Mar 09

 

Hoje, quando já nada o fazia prever, volto a entregar-me a este imenso prazer que é blogar. Os factos a isso obrigam. É que quando ia a sair da escola e me dirijo ao carro, qual não é o meu espanto ao ver uma multa por estacionamento indevido, ostensivamente escarrapachada no pára-brisas. Com efeito, quando regressei à escola depois do almoço, constatei que todos os lugares no estacionamento situado em frente já estavam ocupados. Decidi então colocar o carro num local mais afastado e interdito a estacionamento, como já tinha feito algumas vezes, confiando que a polícia não iria passar por aquelas bandas, uma vez que é um lugar bastante discreto. Puro engano. A comprovar isso mesmo, está a multa que não me deixa mentir e que vou ter mesmo de pagar…

 

Mas avancemos. Entro no carro e apercebo-me que não trago comigo os óculos de sol. Volto a sair do carro, furioso comigo mesmo por todas as razões deste mundo, e regresso à escola com o intuito de apanhar os óculos que deixei (mais uma vez) na sala de professores. Mal franqueei o portão de entrada, dou de caras com dois colegas que conversavam animadamente sobre o assunto que por estes dias é obrigatório em todas as conversas de ocasião: o facto de o conselho executivo estar a ponderar a aplicação de sanções aos professores que não entregaram, no seu devido tempo, os objectivos individuais, entre os quais eu me incluo. Escusado será dizer que os colegas me desafiaram a entrar na conversa, embora eu estivesse com pressa e não quisesse contribuir mais uma vez para esse estafado assunto. Mas, enfim, lá acedi a participar.

 

Apesar de ser um pouco "espalha-brasas" quando a "mostarda me sobe ao nariz", nunca assumi a postura de enfant terrible. Mas desta vez, porque se requeria uma actuação dura e em conformidade com a gravidade da situação, decidi não entregar os objectivos individuais e acarretar com as eventuais consequências. Em circunstâncias normais, não o faria, mas tive mesmo de o fazer no respeito pela minha própria consciência e em oposição a um modelo de avaliação tão desfasado da nossa realidade escolar. Ora, a conversa azedou, isto porque confrontei os ditos colegas com a sua falta de coerência. Em tempos não muito recuados, foram os primeiros a manifestar a sua indignação e discordância perante o modelo que o ME implementou na avaliação dos docentes e poucos meses depois dão o dito pelo não dito e entregam os objectivos individuais, passando a engrossar o rebanho de "miluzinhas" e "socretinhos" que infesta o país.

 

Há pouco tempo, discorri num blogue amigo sobre os efeitos da frontalidade nas relações de trabalho e de amizade. Nunca gostei de meias-tintas. É preferível pôr imediatamente as cartas em cima da mesa do que alimentar eternamente uma situação dúbia. Se os meus interlocutores tiverem a humildade para aceitar uma crítica ou uma opinião menos favorável é muito bom sinal. De contrário, as relações de trabalho (ou de amizade) mover-se-ão constantemente num terreno de areias movediças e ficarão reféns do politicamente correcto. Na minha perspectiva, a frontalidade não pode ser confundida com a agressividade, mas deve ser entendida como opção pela verdade. Depois da conversa que tivemos, os dois colegas e eu, acredito que não haverá mais dúvidas sobre a personalidade de cada um de nós. Acredito também que todas as pessoas são livres de mudar de critérios, mas então que tenham a decência de respeitar quem coerentemente continua a defender os seus pontos de vista. A bem de uma profissão cada vez mais desmotivadora e de uma escola onde é cada vez mais difícil trabalhar…

 

Valeu-me o facto de ter acabado o dia a mortificar o corpinho numa boa sessão de ginásio. E o melhor de tudo é que alguém com quem tenho trocado olhares desde o início desta semana também andava por lá. Pode ser que daqui a algum tempo tenhamos assunto. Ou não... Por agora fico-me por aqui e mais não digo.
 


19
Mar 09

 

Já não é novidade para ninguém que frequento quase diariamente um ginásio. Gosto de o fazer, porque me ajuda a aliviar o stress e cria em mim hábitos de vida mais saudável, para além de ser importante no sentido de manter um corpo minimamente cuidado do ponto de vista estético. Aliás, numa época em que se promove e cultiva o ideal do "corpo masculino atlético", é natural que as preocupações e os cuidados com o corpo estejam na ordem do dia. Ninguém ignora que o corpo masculino na cultura gay contemporânea está subordinado a uma série de normas estéticas que se reflectem numa idolatrização do físico sempre jovem, que terá de ser perfeito e musculado como se observa facilmente ao visualizar as fotografias de nus masculinos nas revistas gay ou na internet. Isto porque a verdade nua e crua é que esta obsessão em manter a beleza, a juventude e o vigor físico é o preço a pagar, ainda que de forma inconsciente, para não se ser tratado da mesma maneira que todos tratam os gays velhos, fracos e feios. Afinal o que mais conta nos nossos dias é a imagem, a aparência e a juventude, e não tanto a inteligência, o conhecimento e a cultura de alguém, mesmo que esse alguém já tenha queimado as pestanas com os livros de uns gajos de nomes esquisitos tipo Husserl, Derrida e companhia…

 

Por outro lado, um ginásio e todos os espaços que o constituem são realmente sítios muito interessantes do ponto de vista sociológico. São lugares de encontro mas acima de tudo de exibicionismo e voyeurismo flagrantes. Na sala de musculação, é comum verem-se uns gajos, situados algures entre o bronco e o estúpido, a levantar pesos, a transpirar testosterona por todos os poros e a emitir uns sons que se assemelham a grunhidos, mas sempre a olhar... para perceberem se são vistos e eles mesmos para verem outros(as). Infelizmente, o "meu" ginásio não é de grande frequência gay. Parece que os gays da santa terrinha têm mais o que fazer... E porque é que eu digo isto? É que no "meu" ginásio só tenho sido engatado por mulheres... Lembro-me de uma que me seguia com o olhar para onde quer que eu fosse e que um belo dia se queixou a um dos "personal trainers" que eu não falava com ela (!). Escusado será dizer que isto não alterou a minha forma de me relacionar com ela. Vim a saber que estava em processo de divórcio e que uma das formas de fugir aos problemas e ultrapassar o stress inerente à situação era refugiar-se no ginásio. Algum tempo depois, abandonou o ginásio porque eu… não falava com ela (!). E não foi a única a engatar-me… É claro que também gosto de ver e de ser visto, mas não é preciso querer de facto, porque isso acontece naturalmente. E se por acaso fixamos o olhar em alguém, não por uma razão específica, e essa pessoa cruza o olhar com o nosso... meu Deus! Parece quase uma cumplicidade sexual, um chamamento para o acto! Mas de facto no "meu" ginásio é tudo muito hetero... E é por isso que eu reivindico: "Ginásios só para gays, já!"

 


12
Mar 09

 

Ontem, acabei a tarde numa bela esplanada frente ao mar, a realizar que já cheira a primavera e que não tarda nada estamos de novo no verão. O sol ainda brilhava e as preocupações do dia-a-dia iam-se tornando etéreas perante o espectáculo de um mar que parecia convidar a um mergulho. Aliás, o mar sempre foi para mim uma espécie de confidente nas horas mais difíceis ou nos momentos mais felizes. Sou capaz de passar horas frente ao mar, simplesmente a olhar o horizonte e a reflectir na minha vida. Depois de tomar uma bebida fresca, tudo parecia ainda melhor, até que caí novamente no mundo real quando me voltei a confrontar com a notícia do dia: na Alemanha, um jovem de 17 anos, aparentemente normal e tranquilo, matou nove alunos e três professores na escola que tinha frequentado, sendo que um dos estudantes feridos acabou por falecer. Após o massacre, Tim Kretschmer pôs-se em fuga. Pelo caminho matou ainda mais três pessoas, até ser ele próprio abatido a tiro pela polícia. Ao todo 17 mortos. Naquele final de tarde, dei comigo a pensar que Tim podia ser um dos meus alunos. Que a escola de Winnenden podia ser a minha escola. Que os alunos massacrados podiam ser meus alunos. Que os professores assassinados podiam ser meus colegas. Que eu próprio podia estar entre os professores assassinados… Perante isto, nada mais me restou fazer senão olhar novamente o sol e o mar, cheirar a primavera e deixar que a natureza me alienasse mais uma vez…

 


17
Fev 09

 

Ao recorrer ontem a uma repartição pública cá do burgo, pude assistir a um episódio verdadeiramente lamentável e que nos tempos que correm é absolutamente inaceitável, principalmente quando se trata de um serviço público, que em princípio deveria tratar todos os cidadãos de igual maneira. Além disso, o episódio que presenciei revela a manifesta incapacidade de alguns funcionários públicos no contacto com os utentes. E, neste caso em particular, a arrogância e a estupidez do dito funcionário, que se esqueceu que está ali para servir os cidadãos e não apenas para ocupar algum do seu tempo e receber um salário ao fim do mês.

 

O episódio a que assisti é muito simples de contar. Estava eu numa fila para um dos guichets e à minha frente aguardavam a sua vez duas pessoas. Uma senhora de certa idade, ar simples do povo, provavelmente sem qualquer grau académico e de recursos económicos limitados. Atrás dela outra senhora, mais nova, muito bem vestida, aparentemente de estrato social mais elevado e com um estatuto económico confortável. Quando chegou a vez da primeira senhora ser atendida, o funcionário, com ar bastante arrogante e indisposto, pede-lhe vários documentos, entre os quais o bilhete de identidade. A senhora, mais ou menos atrapalhada, procura apressadamente os documentos mas não consegue descobrir o B. I.. Nesse momento e perante a demora, o dito funcionário começa a barafustar com a senhora, alegando que está a perder muito tempo e que tem mais utentes para atender. O que é certo é que finalmente a senhora encontrou o B. I. e a indisposição do funcionário não prosseguiu por esse motivo. O pior estava para vir. Mal pôs os olhos no B. I. da referida senhora, o funcionário começou imediatamente a vociferar, dizendo para quem quisesse ouvir que aquilo era uma fraude e que se tratava apenas duma fotocópia (!). Nada adiantou à pobre senhora dizer que aquele era mesmo o seu B. I., que era com ele que tratava de todos os assuntos e que ninguém até ao momento tinha levantado problemas. Ao ver que nada conseguia do funcionário, a velha senhora já se preparava para ir embora, quando a outra senhora que estava à minha frente resolveu intervir e chamar à razão o funcionário. Que aquilo era mesmo um B. I., que não se tratava de uma fotocópia e que apenas estava amarrotado porque a qualidade do plastificado deixava muito a desejar. O senhor funcionário, muito a custo, ergueu os olhos e, ao ser confrontado por aquela senhora de porte elegante e conversa desenvolta, o seu tom de voz mudou completamente. Ou seja, perante alguém que o seu cerebrozinho identificou imediatamente como pessoa rica, não teve coragem de negar a evidência e lá prosseguiu o atendimento da pobre senhora, visivelmente contrariado.

 

Este triste episódio vem demonstrar como a discriminação existe a propósito de tudo e de nada. Neste caso, uma pessoa que provavelmente tem um nível de instrução elementar e parcos recursos financeiros seria completamente cilindrada pela estupidez arrogante de um funcionário se não fosse a intervenção de outra pessoa com a aparência de um estatuto social e económico mais elevado. Pois, mas este continua a ser o país que temos, em que a discriminação entre ricos e pobres está patente por todo o lado. Até no atendimento de uma reles repartição pública situada algures neste jardim à beira-mar plantado...

 

publicado por Pensador Insuspeito às 22:16
sinto-me: indignado

11
Fev 09

 

1.º Hoje saio de casa e antes de me pôr a caminho da escola tenho de ir abastecer o carro de combustível. De cada vez que vou abastecer o carro, sou confrontado com preços diferentes, mas sempre muito elevados. Isto leva-me a concluir que a manutenção de preços tão elevados resulta da política económica do governo que continua a cobrar impostos altíssimos sobre os combustíveis e que esta situação escandalosa interessa sobremaneira às petrolíferas porque assim vêm aumentadas as suas margens de lucro.

 

2.º Já no caminho para a escola deparo-me com uma situação caricata. Numa zona de bairros de habitação social e stands de automóveis usados tenho de dar passagem a um pastor com o seu rebanho de cabras. Resquícios de ruralidade em meio urbano. Em plena era da globalização, este nosso mundo ainda é feito de pequenos contrastes...

 

3.º Mal ponho os pés na escola e já estou a ser abordado por um batalhão de alunas (sempre elas!) que me perguntam insistentemente se era hoje que eu ia publicar as notas do último teste. Até podia ser hoje mas no segundo período a exigência é maior e existem situações que me dão a volta ao miolo. De facto, não percebo como em plena sociedade da informação e do conhecimento, existem alunos que não conseguem construir uma única frase com princípio, meio e fim!...

 

4.º Em plena sala de aula, sou obrigado mais uma vez a serenar os ânimos mais exaltados de dois alunos que se envolvem numa acesa troca de palavras... A situação não é nova e parece que envolve a disputa pelo amor da mesma rapariga. Uma história de amor é sempre ternurenta... Mas desconfio que para a próxima vez vou chamar o auxiliar e pôr os ditos alunos fora da sala de aula. Até para não me arriscar a ser a mais nova vedeta do youtube!

 

5.º Na minha passagem pelo ginásio encontro um amigo que já não via há algum tempo. Disse-me que entre o trabalho e a namorada não arranja tempo para mais nada. Felizmente, as minhas relações nunca me impedem de fazer o que mais gosto nem de estar com os amigos. Nem que para isso tenha de dormir apenas 4 horas por noite. Aliás, namorados e amigos nunca se queixaram. Muito pelo contrário... Isto levou-me a pensar que hoje em dia as amizades são cada vez mais descartáveis e que os amigos só são importantes quando são efectivamente necessários...

 

6.º Acabo o meu treino, entro no balneário para tomar banho e deparo-me com umas cuecas sujas (que nojo!...) de um velho senhor, completamente escarrapachadas em cima do meu saco. Sem pensar duas vezes e num impulso perfeitamente legítimo, pego naquilo e ponho no lixo. Quando o senhor regressou do banho e não as encontrou, deve ter pensado que os sintomas da doença de Alzheimer se estão a agravar. Mas paciência... Há dias em que não consigo ser bonzinho. Nem um pouco...

 

7.º No regresso a casa, ainda vou buscar pão quente e não é que me deparo, pela enésima vez, com uma velha senhora de mais de 80 anos a vasculhar sofregamente o contentor do lixo junto à pastelaria, à procura de pasteis. Não pensem que os pasteis são para o cão lá de casa. Não. São mesmo para ela!... E a velha senhora até é avó de um médico! Com isto, quase perdia o apetite...

 

publicado por Pensador Insuspeito às 23:19

07
Fev 09

 

Não era disto que eu queria falar-vos neste post mas já que insistem, eu confesso que sim, que já fiz sexo numa casa de banho pública. Eu bem sei que não é um local muito confortável nem higiénico mas acreditem que o desafio que isso representa é aliciante. É que os níveis de adrenalina no sangue aumentam na proporção directa do medo de sermos descobertos e apanhados em pleno acto. Ainda assim foi uma única e gloriosa vez, já lá vão uns anitos, era eu pouco mais que um teenager inconsciente e em fase de afirmação da minha sexualidade. Naquela pachorrenta tarde de "quase-verão", reparei que um rapaz, por sinal lindo de morrer, passou boa parte do tempo a perseguir-me pelos corredores da faculdade. As aulas já tinham terminado e naquela tarde aproveitei para reunir alguma bibliografia indispensável para as frequências e exames que se aproximavam. A princípio, não me apercebi logo que aquilo era um engate, mas com o passar do tempo comecei a notar que para onde quer que eu fosse, ele também ia. Foi então que uma necessidade inadiável me levou à casa de banho e não é que o miúdo me seguiu até lá. Daí até trocarmos dois dedos de conversa e termos uma boa sessão de sexo oral foi um pequeno passo. Devem pensar que eu era tarado ou algo parecido, mas no calor do momento não se pensa em mais nada. Infelizmente, a vida trocou-nos as voltas e depois de concluída a licenciatura nunca mais soube do R.. Ainda assim, continuo a guardá-lo com todo o carinho no baú das minhas recordações.

 

Mas o que me levou a escrever algo sobre WC's públicos foi uma coisa que me intriga há muitos anos. Não é coisa para me tirar o sono mas põe-me a pensar sempre que tenho necessidade de recorrer a uma casa de banho pública. Refiro-me à panóplia de declarações de amor, contactos telefónicos, insultos e desenhos mais ou menos pornográficos que as portas das nossas casas de banho públicas ostentam orgulhosamente, desde centros comerciais a escolas e universidades. É que não se percebe muito bem o porquê da escolha daquele preciso local para tais pensamentos e desabafos. Ora vejamos. Com efeito, de que vale ao Manuel escrever na porta do WC masculino que ama muito a Maria, se a Maria provavelmente nunca vai lá entrar? E que consequências pode ter o insulto que o José resolve lançar sobre o António senão a de mostrar a imensa cobardia de quem recorre a tal expediente? Mas o que mais me agrada nessas visitas humanamente necessárias é a quantidade infinita de números de telemóvel que por ali se expõem aos olhares mais curiosos. Por isso, nada melhor que uma ida frequente a qualquer casa de banho pública para aumentarmos a nossa rede de contactos sociais! É também muito interessante que este Hi5 versão WC público incentive ao amor com o mesmo sexo... Em tempos, até eu me senti tentado a usufruir deste autêntico serviço público mas nunca o fiz por duvidar da autenticidade de propostas tão sedutoras...

 

Em conclusão, devo confessar-vos que, após tantos anos a frequentar esses locais, continuo sem perceber as razões que estão por trás de tal comportamento. Mas pensando melhor, os fãs das confidências em WC's públicos ainda não devem ter descoberto as imensas potencialidades que lhes são oferecidas por estas modernices da Internet. Por isso, cheguei à conclusão de que por nunca ter escrito em portas de WC's públicos precisei de criar este blog... É que tinha de colocar os meus pensamentos e desabafos em qualquer lado e as portas das casas de banho públicas nunca foram uma alternativa...

 


02
Fev 09

 

1.º Nada melhor do que começar a semana com uma visita matinal ao meu banco de eleição. Ter o imenso prazer de falar com a besta da minha gerente de conta e saber que um simples problema informático ainda não tem solução à vista provoca no meu cérebro uma descarga eléctrica tão grande que fico logo com energia suficiente para os restantes dias da semana. E se a EDP estivesse interessada ainda podia dispensar alguma e fazer um preço muito em conta...

 

2.º Entrar no carro garante-me sempre insuspeitadas surpresas. Ora vejamos. Ligo o auto-rádio e ouço esta: não é que o nadador norte-americano, Michael Phelps, galardoado por 14 vezes nos últimos Jogos Olímpicos, foi fotografado a fumar marijuana, num devaneio que poderá pôr em risco a sua carreira... ups! O resto é o de sempre: Freeport, Sócrates, Freeport, Sócrates... Por isso desligo o rádio e para apaziguar o espírito passo a ouvir um dos meu cd's favoritos (estão curiosos em saber qual é?... pois fica para a próxima...).

 

3.º O ambiente na minha escola continua mal-assombrado... Pelo menos, este modelo de avaliação teve o mérito de pôr a nu aquilo que já era público e notório: que a falta de carácter de algumas pessoas está-lhes nos genes e que infelizmente as vai acompanhar para o resto dos seus dias. De tarde, entre aulas e burocracias, ainda me foi comunicada a feliz notícia de que esta semana vamos ter a enésima reunião para tratar de "assuntos respeitantes à avaliação dos professores"...

 

4.º A hora de almoço até deu para descontrair um pouco e fugir à rotina de mal ter tempo para pôr os pés debaixo da mesa. Consegui almoçar descansadamente embora não saiba muito bem o que comi. Foi um daqueles inomináveis pratos chineses tipo cozinha fast food (que eu detesto...), mas teve de ser e até me soube bem...

 

5.º No regresso a casa, o trânsito desafiou mais uma vez os limites da minha imensa paciência e para não variar os chicos-espertos do costume também não faltaram à festa. Montados nos seus TT's e monovolumes até pareciam gente importante...

 

6.º Hoje a minha ida ao ginásio revelou-se uma experiência traumatizante. Não, não encontrei o P. no banho turco nem fiz uma distensão muscular. Pior. Muito pior. Estava eu a entrar no balneário e dou de caras com uma criatura a barrar-me o caminho. Pois a banha era tanta, mas tanta, que eu nem lhe consegui descobrir os órgãos genitais. E mesmo que quisesse não tive coragem para olhar duas vezes. Desconfio que a minha libido entrou em processo de hibernação...

 

7.º Chego a casa morto de cansaço e a pedir um bom jantar e ainda tenho de tentar resolver os problemas existenciais dos meus gatos. A D. é uma gata muito moderna e até toma a pílula! O K. é que não gosta nada dessas modernices e por isso a rejeita e já não pára em casa. Resultado: a D. anda carente e só quer miminhos... Vidas de gato!

 

Estas 7 coisas eram outros tantos bons motivos para ficar em casa. Mas infelizmente não posso...

 

publicado por Pensador Insuspeito às 22:35

31
Jan 09

 

 

Não. Não é o título de um filme porno de terceira categoria. É uma fantasia que eu tenho e que quero partilhar convosco. Portanto, se têm menos de dezoito anos, façam o favor de abandonar este blog e ir às vossas vidinhas.

 

Frequento um ginásio há alguns anos e muitas vezes dou comigo a fantasiar com isto. Habitualmente ouço dizer que o balneário de um ginásio é um paraíso para os gays. Pois eu digo-vos que não. Muito pelo contrário! Para mim é um autêntico suplício ver um monte de homens andarem por ali a circular tal e qual como vieram ao mundo e não poder fazer nada. Muitas vezes nem sequer poder olhar para não dar nas vistas. É certo que uma grande parte deles são uns trambolhos sem qualquer tipo de interesse e ainda que fossem os últimos homens à superfície da terra eu não lhes pegava. Mas existem alguns de bradar aos céus e pedir por mais! Entre todos eles, existe um que me põe a fantasiar com isso mesmo: muito sexo, ali mesmo no balneário! O P. é um rapaz lindo de morrer, com um corpinho cinco estrelas, que se cruza comigo várias vezes por semana quando vou ao ginásio. Algumas vezes encontramo-nos no balneário. Umas vezes é ele que está todo nuzinho, com aquele corpo delicioso a dizer: "Come-me, come-me". Outras vezes sou eu e tenho de fazer um esforço sobre-humano para não me descontrolar e aquilo começar a... vocês sabem do que estou a falar!

 

Infelizmente, ainda não tive o prazer de me cruzar com ele na sauna ou no banho turco. De todas as vezes que lá vou só estão velhos decadentes ou gajos sebosos. Só me apetece fugir... Mas lá vou ficando na esperança de algum dia me cair ali o P.. Não sei como irei reagir. Se calhar vou sair de lá a correr. De facto, não sei...

 

Acho sinceramente que o P. não é gay ou então o meu gaydar anda a funcionar mal. Já falei com ele algumas vezes e não me parece. Mas se fosse era bem capaz de me fazer a ele. Homens assim há poucos. E eu não sou de ferro... Agora que estou em stand by posso dar-me a estas fantasias. Como já disse aqui, quando estou numa relação sou mais fiel do que um pastor alemão e não tenho olhos para mais ninguém, mas quando estou fora tenho de me fazer à vida...

 

publicado por Pensador Insuspeito às 12:40
sinto-me:

30
Jan 09

 

Olhando bem para os últimos governos, podemos afirmar sem sombra de dúvida que todos falharam. No entanto, alguém dizia há tempos que o problema está também em nós, portugueses, povo de chicos-espertos, povo que, como nenhum outro na Europa, é mestre na arte do desenrascanço. Com efeito, por melhores que sejam os nossos políticos e governantes, nada farão com um povo que valoriza os que são capazes de enganar as autoridades e contornar o sistema fiscal, os que são capazes de possuir chorudas contas bancárias na Suíça e declarar o ordenado mínimo em Portugal, os que são capazes de adoecer à sexta-feira depois de uma quinta-feira em que foi feriado para fazerem a ponte que o patrão ou o Estado não quiseram dar, os que são capazes de comprar atestados médicos para faltar uns dias ao trabalho, os que são capazes de apresentar aos médicos uma lista de doenças possíveis e impossíveis para se poderem reformar mais cedo. E a lista poderia continuar… A mediocridade do nosso povo vê-se nos mais pequenos pormenores, como sejam o cuspir no chão ou lançar para a estrada o guardanapo da sandes que se acabou de comer. Um dos melhores exemplos desta nossa mediocridade é a maneira como se conduz. Na estrada, revela-se toda a nossa pequenez. Não vou aqui falar dos acidentes, mas dos chicos-espertos que encontram sempre maneiras de passar à frente de todas as pessoas que estão nas filas de trânsito, revelando assim toda a extensão da sua imensa idiotice.

 

Quase todos os dias tenho o prazer de me envolver numa fila de trânsito a caminho da escola onde dou aulas. É um prazer que eu dispensava bem e de bom grado deixaria para os outros porque não sou egoísta... Mas tem mesmo de ser... Em todo o caso, devido a esta excepcional oportunidade posso testemunhar diariamente o processo de exibição do tuga médio, aquele que compra Audi’s e BMW’s em 30.ª mão no estrangeiro e depois anda por aí como se fosse o dono do mundo. É o caso do chico-esperto que numa via com duas faixas de rodagem conduz pela faixa esquerda como se fosse seguir adiante mas de repente arrepende-se e decide entrar de fininho na fila da direita já em cima da saída para onde quer realmente ir… É verdade que ouve umas buzinadelas, mas conseguiu a proeza de passar dezenas e dezenas de carros que vão ordeiramente em fila, à espera de passar o tempo que aumenta na proporção directa do que estes cabrões fazem quando os outros são obrigados a travar e a deixar o carro entrar na fila… Ou então o espertalhão que entra numas bombas de gasolina como se fosse abastecer de combustível e reentra triunfante mais à frente, ganhando assim alguns lugares na fila que se arrasta em direcção à saída… Pois é! A coisa fluía se todos se comportassem como adultos com níveis normais de inteligência, mas neste país existem sempre uns chicos-espertos que devem pagar imposto de circulação especial ou ter um direito adquirido a serem idiotas... É por estas e por outras que continuo a dizer que Portugal merece bem estar na cauda da Europa…
 

publicado por Pensador Insuspeito às 00:07
sinto-me:

28
Jan 09

 

Decidi que um dia destes vou deixar de fumar. A sensatez da idade exige-me que o faça e não tente adiar mais a decisão. Já não sinto o mesmo prazer que costumava sentir. O cheiro a fumo de tabaco no corpo e nas roupas começa a incomodar-me. As preocupações com a saúde e o bem-estar físico começam também a falar mais alto. Não sei se vou conseguir deixar os cigarros de vez, pois tentei deixar de fumar várias vezes e nunca consegui. Porque eu penso que deixar de fumar não significa apenas apagar o cigarro. A verdadeira solução para deixar de fumar é não voltar a acendê-lo. Porque se, num momento de crise, acendemos um cigarro estamos feitos. Falhámos. Podemos apagá-lo logo a seguir, arrependidos, podemos apagar mais cinco nesse dia ou no dia seguinte, mas o mais provável é regressar ao velho hábito de fumar uns vinte cigarros por dia. Deixar de fumar é tão difícil que não sei até que ponto não faria sentido promover-se umas reuniões do tipo "Alcoólicos Anónimos", mas dedicadas apenas a ex-fumadores. O participante levantava-se, apresentava-se aos restantes ex-fumadores e, com um sorriso de orelha a orelha, anunciava: "Já não fumo um cigarro há um mês". Toda a gente aplaudiria e com razão, pois deixar de fumar é mesmo um feito notável.


Já passei por fases da minha vida em que fumava compulsivamente. Algumas vezes sentia-me dependente da nicotina. Não me passava pela cabeça adormecer sem fumar um último cigarro. Era capaz de sair de casa a meio da noite, se preciso fosse, enfrentando estoicamente a chuva, o vento e o frio, só para comprar um maço de tabaco. Caso fosse impossível sair, amaldiçoava o mundo e deitava-me à espera de um milagre: adormecer. De manhã, quando acordava, das primeiras coisas em que pensava era fumar um cigarro, embora seja incapaz de o fazer em jejum. E então apressava-me a tomar o pequeno-almoço para poder meter nicotina nas veias o mais depressa possível e fornecer aos meus pulmões a sua dose diária de veneno. Estudar sem cigarros era impossível. Mal começava o estudo e já precisava de fumar. Interrompia o estudo para fumar um cigarro. Quando acabava o estudo, fumava outro. Se precisava de pensar em qualquer outra coisa para fazer, tinha de pedir ajuda ao cigarro. Se uma conversa estivesse interessante, apetecia-me fumar; se uma conversa não estivesse interessante, ainda me apetecia fumar mais. Se estivesse a passar um bom bocado, fumava por me sentir satisfeito; se estivesse aborrecido, fumava por estar aborrecido. Na ilusão de que apenas com o cigarro é possível acalmar, concentrar, relaxar… E, de facto, psicologicamente era o que sentia, o que me levava a fumar mais e mais…


Nessas fases, que felizmente não duravam muito tempo, podia associar o cigarro a praticamente qualquer actividade, pois o que eu queria era arranjar desculpas para acendê-lo. E esse impulso irracional comandava a minha vida ao ponto de quase inviabilizar relações. O meu primeiro namorado não fumava, detestava que eu o fizesse e estava sempre a censurar-me. Até ao dia em que me virei para ele e lhe disse, muito convencido da justeza da minha posição: "Se alguém quiser ficar comigo, tem de me aceitar como eu sou e as coisas que eu gosto de fazer. E isso inclui fumar". Nem mais. Porque em todas as situações, em todos os momentos, o cigarrinho é o melhor amigo do fumador e não conseguimos abdicar dele, nem por um grande amor. É que quando se acende um cigarro a seguir ao outro, parece um acto natural, quase uma extensão do nosso próprio corpo; contudo, se pensarmos sem a camuflagem psicológica do fumador, concluiremos que respirar fumo e enfiar veneno no sangue é profundamente irracional. Mesmo que um dia nos tenham convencido do contrário e de que fumar é um acto 'cool', na verdade é uma grande estupidez. Aliás foi assim que mais ou menos toda a gente se iniciou no vício, porque fumar era um acto 'cool' e uma prova de rebeldia. Também eu comecei assim, muito cedo, por volta dos meus 15-16 anos, às escondidas, no pátio do liceu. E desde então nunca mais larguei os cigarros, embora muitas vezes o ritmo com que fumava fosse muito baixo e levasse a interrogar-me sobre as razões por que o fazia.


Embora esteja a atravessar uma fase menos boa da minha vida, tenho controlado esse meu vício pouco saudável e – surpresa das surpresas – ainda não bati com a cabeça nas paredes. Desde segunda-feira que não fumo e não estou a contar os dias sem o tabaco como se fosse um condenado. É verdade que ando mais impaciente, mas quero acreditar que vou conseguir, nem que seja reduzir a mínimos históricos a dose diária de nicotina. Se conseguir abandonar o tabaco de vez, não me tornarei um fundamentalista anti-tabagista, pois detesto todas as formas de fundamentalismo. Continuarei a conviver pacificamente com gente que fuma e com gente que não fuma e, a não ser que me peçam, não chatearei ninguém com as minhas histórias…
 

publicado por Pensador Insuspeito às 20:18

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pensamentos que aqui deixaram
Olá!Também entrei hoje oficialmente de férias!=)E ...
Hmmm...simplesmnete o tipo ve a sua realidade ameç...
Que vergonha...só agora reparei que estás de volta...
Boas férias...e boa música.
Não sei se posso dizer que sou um frequentador da ...
Pinguim, ainda bem que gostaste. O tema é aliciant...
Toby, realmente com mentes tão tortuosas só se pod...
J. Coelho, como disse na resposta ao comentário an...
João, claro que o engate é independente dos locais...
Gostei imenso do teu texto.Parabéns! Abraço.
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