Um blogue pessoal mas... transmissível

18
Mar 09

 

Bento XVI começou da pior maneira a sua viagem a África, quando afirmou que "não se resolve o problema da sida com a distribuição de preservativos" e que "pelo contrário, o seu uso agrava o problema". Já é de todos conhecida a posição da Igreja Católica no que diz respeito às relações sexuais: devem ser praticadas por um homem e uma mulher dentro do casamento e com o propósito de procriar. Fora do casamento, preconiza-se a abstinência sexual. Na verdade, abstinência e fidelidade são para a Igreja as duas únicas maneiras de prevenir o contágio pelo VIH. À primeira vista, com esta posição da Igreja Católica sobre o sexo, estaria encontrada a solução para o combate à sida. Contudo, há um enorme senão neste raciocínio: é que não existe sexo apenas dentro do casamento ou entre homem/mulher. Há-o também fora do casamento e muito. Já para não falar do sexo homossexual. Por conseguinte, vir dizer que o preservativo, que é o método de prevenção mais eficaz na transmissão do VIH, não é a solução, é perfeitamente inaceitável, principalmente num continente tão fustigado por esta doença. Para que conste, só no ano passado houve 1,9 milhões de novas infecções na África subsariana, que tem um total de 22 milhões de seropositivos. Três quartos das mortes por sida no mundo em 2007 ocorreram na região. É por isso que as declarações do Papa são criminosas e a Igreja em vez de contribuir para a solução é parte do problema…

 


27
Fev 09

 

Não sei se se deram conta mas os senhores bispos, muito em surdina e aproveitando o período carnavalesco (porque será?), publicaram a prometida nota pastoral em favor do "verdadeiro" casamento e alertando os seus fiéis para as nefastas consequências da legalização do casamento homossexual. Da referida nota, respigo a seguinte pérola acerca da homossexualidade: "A homossexualidade é um fenómeno conhecido desde a antiguidade, caracterizado pela expressão preferencial da afectividade e da sexualidade entre pessoas do mesmo sexo. Se, por vezes, ela constitui apenas uma etapa transitória no desenvolvimento da criança ou adolescente, o seu prolongamento pela idade jovem e adulta denota a existência de problemas de identidade pessoal. A Igreja rejeita todas as formas de discriminação ou marginalização das pessoas homossexuais e dispõe-se a acolhê-las fraternalmente e a ajudá-las a superar as dificuldades que, em não poucos casos, acarretam grande sofrimento". De uma só penada, fiquei a saber que deveria ter resolvido este meu problema de identidade pessoal na adolescência mas como persisto no meu "pecado", os senhores bispos, num gesto magnânimo e desinteressado, estão dispostos a acolher-me fraternalmente na sua Igreja. Chegado a este ponto, estou quase a vomitar sobre o teclado do computador. Mas contenho-me... Agora estou a entrar em curto-circuito cerebral... Brain damage! Acho então que é melhor concluir este post/pensamento com esta inofensiva declaração: "Tenham vergonha, hipócritas falhados, e deixem-me viver em paz a minha sexualidade!" E mais não digo...
 

publicado por Pensador Insuspeito às 11:03
sinto-me:

19
Fev 09

 

Oh sim!... Estou em êxtase, quase a atingir um orgasmo intelectual. As ideias voltaram a povoar o meu cérebro. Tenho de aproveitar ao máximo estes breves momentos de glória, enquanto a musa (ou deveria dizer muso?) inspiradora ainda está por cá...

 

Ouço dizer que um ilustre cardeal me chamou de anormal. Who cares? Felizmente, não tenho o prazer de conhecer o dito senhor e, por isso, estou-me nas tintas para o que ele possa pensar e dizer a respeito da minha pessoa. E para desgosto do senhor cardeal há muito que o conceito de (a)normalidade deixou de seguir as rígidas normas ditadas pela Igreja. Apetece-me então mandar o ilustre membro da cúria romana àquele sítio malcheiroso de onde não deveria regressar, mas desde a mais tenra idade fui habituado às regras da boa educação e a respeitar todas as pessoas. Digam lá se eu não sou um anjo? Afinal, o M. tinha toda a razão.

 

Passemos por isso ao que realmente importa. Não, não vou falar da disenteria do meu canário, nem dos freaks da minha escola, nem da bruxa da minha vizinha. Tudo isso são coisas absolutamente normais. Vou falar-vos do mediúnico caso Freeport. Sim, leram bem. Mediúnico. Afinal não é o nosso inefável primeiro-ministro que diz que poderes ocultos andam a tramar uma campanha negra contra a sua impoluta pessoa? Pois bem. Parece que andaram a construir um mamarracho lá para os lados de Alcochete, na margem sul, em área de protecção especial do Estuário do Tejo, e que era o maior outlet da Europa. Isto de Portugal ser um país pequeno e ter as maiores coisas da Europa sempre me fez uma grande confusão. Mas avancemos senão o pensamento e a escrita resvalam para o obsceno e não há necessidade!... Ontem a imprensa e a televisão digladiaram-se para nos dizerem nada. Afinal os arguidos que estavam indiciados no processo do caso Freeport já não estão. Ou nunca estiveram. Ou nem sequer sabem onde fica Alcochete e muito menos o Freeport. Ou não há arguidos... E também nunca houve tráfico de influências, nem licenciamentos à pressa, nem dinheiro a circular por debaixo do pano. E eu quero acreditar que não, porque afinal neste país de brandos costumes não se passa nada. Absolutamente nada. E quero reafirmar, para que não restem dúvidas, que todas as pessoas se presumem inocentes até ao trânsito em julgado da respectiva sentença. Mas também não quero ser anjinho ao ponto de achar que está tudo bem, como se estivéssemos no melhor dos mundos, e que este país não é ainda um dos mais corruptos dentro do espaço europeu, segundo dizem as estatísticas internacionais. E  todos conhecemos casos de corrupção, ao longe e ao perto, que desprestigiam os poderes públicos, quaisquer que eles sejam. Já não sei o que pensar... Afinal no meio disto tudo quem são os (a)normais?

 

P. S.: Mais um post/pensamento destes e retiro o que disse àcerca da política e dos políticos. Porque afinal eu gosto é de política - só não consigo gostar é dos políticos - e qualquer dia estou a ver-me a percorrer freneticamente os Passos Perdidos da Assembleia da República...

 


17
Fev 09

 

Como era de esperar, o debate de ontem no programa "Prós e Contras" da RTP1 não trouxe nada de novo a respeito da discussão sobre o casamento homossexual. Os mesmos estafados argumentos, os mesmos tiques homofóbicos, as mesmas agressões verbais. A meu ver, o único mérito que estes debates podem ter é colocar na discussão pública um tema que obviamente passará ao lado da grande maioria dos portugueses. Porque a vida real, o país real é outra coisa. Existe, de facto, muita homofobia em Portugal e ela está objectivamente do lado do "não". E eu poderia dar aqui o meu testemunho de que essa homofobia é real e não é invenção de alguém que acordou de mal com o mundo e de repente se lembrou de lançar umas atoardas.

 

Quanto ao tema do casamento homossexual e para não repetir o que já disse aqui, apenas quero reforçar que numa sociedade demo-liberal se devem respeitar as minorias, neste caso a homossexual, e promover a igualdade de direitos, neste caso o acesso ao casamento civil. Porque ao fim e ao cabo é disso que trata. O que neste e noutros casos poderia ajudar na compreensão do problema era a formação básica em direito nas escolas, para que se acabe de vez com a promiscuidade existente entre os conceitos de casamento do ponto de vista civil e do ponto de vista religioso/sacramental. É simples alcançar estas diferenças e aceitar o que elas significam, mas foram séculos duma vincada mistura entre lei canónica e lei civil que dificulta agora o saudável distanciamento de ambos os conceitos e realidades. A questão fundamental é a seguinte: o tempo passa e as realidades subjacentes a cada tempo modificam-se, e o mesmo acontece para o paradigma de pensamento que corresponde a uma determinada época. Por diversas razões, torna-se obsoleto, e as modificações que se sucedem no entretanto, que, na maioria das vezes são desprezadas por serem contra corrente, acabam por se generalizar a tal ponto que é necessário arranjar-lhes um enquadramento jurídico de forma a defendê-las e a reconhecê-las em igualdade com as outras que existiam anteriormente, e continuarão a existir, sem que com isso haja confusão entre ambas. Uma coexistência pacífica é mais do que suficiente. Não será preciso grande capacidade intelectual nem qualquer competência especial para perceber isto. É preciso ser apenas politicamente incorrecto e contra ventos e marés afirmar o óbvio…

 


11
Fev 09

 

A propósito da notícia do Público de que a "Igreja pode apelar ao voto contra partidos que apoiam casamento entre homossexuais", apeteceu-me colocar aqui este vídeo (sobre a foto que acompanha a notícia, alguém comentava o seguinte: "Na foto estão dois hipócritas: um que que não se assume mas quer que a sociedade aceite, e outro que quer que a sociedade repugne mas não se assume!" Eu não diria melhor!)

 

Porque afinal o amor deve ser para todos...

 

 

 

Bjorn Borg - Love for all

 

publicado por Pensador Insuspeito às 16:39
sinto-me:

31
Jan 09

 

 

No passado dia 24, estreou na televisão norte-americana "Prayers for Bobby", um filme baseado no livro homónimo de Leroy F. Aarons, que conta a história verídica da vida e o legado de Bobby Griffith, um jovem gay que se suicidou em 1979, devido à intolerância religiosa da mãe e da comunidade onde nasceu e cresceu. Ao saber da homossexualidade do filho adolescente, Mary Griffith (Sigourney Weaver), uma dona-de-casa extremamente religiosa, inicia uma campanha para o "curar", até que Bobby (Ryan Kelley), num acto de dor e desespero, se lança de uma passagem superior de auto-estrada com apenas 20 anos de idade.

 

 

 

Na sequência desse trágico acontecimento, Mary Griffith reconsidera a sua fé e as crenças que lhe tinham sido incutidas sobre a homossexualidade. Desde então, tem empreendido uma autêntica cruzada, alertando para os preconceitos e a violência de que os jovens gays e lésbicas continuam a ser vítimas na sociedade norte-americana, além de se ter tornado uma das mais visíveis activistas da "Associação Nacional de Pais, Familiares e Amigos de Lésbicas e Gays" (PFLAG), associação que luta para que os pais compreendam e aceitem a homossexualidade dos seus filhos. Um filme obrigatório para pais e não só… Enquanto não chega a Portugal, vejam o trailer.

 

 


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