Um blogue pessoal mas... transmissível

11
Mar 09

 

Quase não me restam palavras para te dizer o que sinto neste momento. Mas ainda guardo algumas para te dizer o quanto sinto a tua ausência… O quanto a tua ausência afoga em mim as palavras que ainda tenho para te dizer... Dizias-me que palavras não passam de palavras. Mas acredita que estas palavras são sentidas. Acredita que mesmo poucas palavras são melhores do que o silêncio de duas pessoas que ficam sem mais nada para dizer uma à outra. E esse silêncio por incrível que pareça é um silêncio ensurdecedor. Já tive momentos desses quando ainda não tinhas entrado na minha vida. Mas tu chegaste sem hora marcada e trouxeste contigo um amor que eu julgava não merecer, brindaste-me com uma ternura que eu julgava não existir, fizeste-me sorrir como há muito eu não sorria, surpreendeste-me como jamais alguém conseguiu surpreender-me…


Não sei ao certo porque te foste embora da minha vida, nem quando resolveste partir para não mais voltar. Ou talvez para voltares quando finalmente caíres em ti e precisares de um carinho, de um abraço, ou simplesmente de alguém com quem possas desabafar, com quem possas contar, a quem possas confiar os teus dramas e segredos, sabendo que nunca serás julgado. Não sei ao certo quando te perdi. Se é que alguma vez te tive! Se é que alguma vez foste meu! Se é que alguma vez te entregaste totalmente a mim!

 

Queria dizer-te que há dias em que sinto um vazio enorme. É como se faltasse algo essencial à minha vida. É como se tu fosses o ar que preciso para continuar a viver… Ao mesmo tempo, sinto uma imensa surpresa. Eu que, na minha auto-suficiência, dizia não precisar de um amor assim. Mas tu apareceste na minha vida e tudo mudou. Vejo agora as minhas palavras negadas pelos meus próprios sentimentos… E então percebo como é fácil falar de ânimo leve, quando não estamos no meio da tempestade…

 

Queria dizer-te que há dias em que a solidão é um sentimento insuportável… É nestes dias que sinto mais saudades tuas, essa palavra que povoa o nosso imaginário colectivo e que de tão usada já perdeu quase toda a sua significância. Sim, saudades. Não sei se sabes do que estou a falar. Aquele sentimento que provoca um peso no estômago e faz doer até o músculo mais insignificante do teu corpo. Mas doer mesmo. Não sei se alguma vez sentiste essa dor. Mas acredita que dói muito... É nestes dias que a dor da tua ausência se faz sentir com mais força. E fico assim, triste, melancólico, como se apenas a tua presença ao meu lado me pudesse trazer algum conforto. Por isso, é nestes dias que em nome da tua ausência me remeto ao silêncio e fico por aqui, frente a um ecrã de computador, frio, distante, impessoal, a dizer-te umas palavras que para mim soam a tudo… mas que para ti soam a nada…

 


14
Fev 09

 

 

Desculpem lá qualquer coisinha, mas este poema é dedicado ao M., que (ainda) é o grande amor da minha vida. AMO-TE, M!!!

 

Não posso deixar que te leve
O castigo da ausência,
Vou ficar a esperar
E vais ver-me lutar
Para que esse mar não nos vença.
Não posso pensar que esta noite
Adormeço sozinho,
Vou ficar a escrever,
E talvez vá vencer
O teu longo caminho.
Leva os meus braços,
Esconde-te em mim,
Que a dor do silêncio
Contigo eu venço
Num beijo assim.
Não posso deixar de sentir-te
Na memória das mãos,
Vou ficar a despir-te,
E talvez ouça rir-te
Nas paredes, no chão.
Não posso mentir que as lágrimas
São saudades do beijo,
Vou ficar mais despido
Que um corpo vencido,
Perdido em desejo.
Quero que saibas
Que sem ti não há lua,
Nem as árvores crescem,
Ou as mãos amanhecem
Entre as sombras da rua.

 

Pedro Abrunhosa
 

publicado por Pensador Insuspeito às 12:16
sinto-me:

01
Fev 09
 

Quase todos nós já ouvimos esta canção muitas vezes e penso que a opinião é igualmente consensual ao afirmar que há qualquer coisa de mágico na voz rouca mas profundamente encantadora de Brandi Carlile, e nesta música em particular, e por tudo isso não nos deixa ficar indiferentes.


O mesmo aconteceu comigo de imediato… Mas esta música ganhou outra importância quando o M. me chamou a atenção para o facto de ela estar a passar na rádio quando nos encontrámos pela primeira vez... Desde então, ficou a ser a "nossa música". Nesta música, relembro os bons momentos de uma linda história de amor. À bonita letra desta música acrescentaria apenas que "you were made for me"!

 

AMO-TE, M.!!!

 

 

 

Brandi Carlile - "The story"

 

All of these lines across my face
Tell you the story of who I am
So many stories of where I've been
And how I got to where I am
But these stories don't mean anything
When you've got no one to tell them to
It's true...I was made for you

I climbed across the mountain tops
Swam all across the ocean blue
I crossed all the lines and I broke all the rules
But baby I broke them all for you
Because even when I was flat broke
You made me feel like a million bucks
Yeah you do and I was made for you

You see the smile that's on my mouth
Is hiding the words that don't come out
And all of my friends who think that I'm blessed
They don't know my head is a mess
No, they don't know who I really am
And they don't know what I've been through like you do
And I was made for you...

All of these lines across my face
Tell you the story of who I am
So many stories of where I've been
And how I got to where I am
But these stories don't mean anything
When you've got no one to tell them to
It's true...I was made for you
Oh yeah it's true... I was made for you

 

publicado por Pensador Insuspeito às 22:32

13
Jan 09

Vou confessar-vos algo sem interesse nenhum. Nem sei se o devia fazer, pelo menos neste momento. Tinha-vos dito que estou a atravessar uma fase complicada da minha vida. Sim, é verdade. A dor de uma separação muito recente ainda preenche de negro os meus dias. Estou a levantar-me do chão e por isso agarro-me a tudo, nem que seja a este cantinho insuspeito onde posso dizer tudo o que me vai na alma e no pensamento...

 

Foi no verão passado que conheci alguém que apesar de tudo ainda me é muito especial. Naqueles dias de Agosto, os nossos olhares cruzavam-se insistentemente com o desejo inconfessado de nos conhecermos pessoalmente. Alto, tímido, olhar penetrante e corpo atlético. Foi ele que deu o primeiro passo. Sem que eu esperasse, deu-me o contacto dele e assim começou uma bela história de amor. Combinámos através de sms um encontro ali no mesmo sítio em que nos conhecemos e em que surgiu pela primeira vez aquela atracção mútua que parecia querer suspender o tempo unicamente pelo desejo de que aquelas longas tardes de verão jamais acabassem para não ficarmos privados um do outro. Aquele primeiro encontro deixou-me sem palavras e fez despertar em mim sentimentos que há muito tinham adormecido. Sentir-me novamente amado e desejado por alguém foi a melhor coisa que me aconteceu nos últimos tempos. Aquela tarde de sábado em que falámos pela primeira vez mexeu comigo e regressei a casa com um sorriso rasgado nos lábios e uma alegria indizível no coração.

 

Desde então começámos a sair todos os fins-de-semana porque a nossa vida pessoal e profissional não nos permitia estar mais tempo juntos. Falávamos de tudo e de nada, riamos com a inocência dos primeiros anos, saíamos para jantar e curtir a noite num qualquer bar da moda. Era tão bom estar com ele frente a frente, só nós dois, olhos nos olhos, mãos nas mãos. Conversava com ele e perdia-me completamente no seu olhar, imaginando um futuro para nós dois em que pelo nosso amor pudéssemos enfrentar tudo e todos e rasgar horizontes insuspeitados. Num desses encontros, já sob o manto diáfano das estrelas e envolvidos pelo silêncio da noite, demos o primeiro de muitos beijos. Um beijo longo e desejado que resistiu ao tempo e à separação. Ainda hoje sinto o sabor dos seus lábios e o calor do seu corpo, ali junto ao mar, apenas com o barulho das ondas a entrecortar de espuma o afago das mãos e o desejo incontido que percorria os nossos corpos, ávidos de amor e de prazer. E o seu sorriso, tão tímido e tão lindo... Os seus olhos, tão tristes e tão expressivos...

 

A partir desse dia tudo se precipitou nas nossas vidas. O meu coração ficou irremediavelmente descompassado, os meus dias eram vividos em função do seu amor, a minha vida ganhou uma beleza que não sabia existir. Que se passaria comigo? Era simples e óbvio. Bastava render-me às evidências e escutar o que me dizia o coração: estava loucamente apaixonado pelo meu M.. Hoje, apesar da separação, continuo a dizer como nos dias em que a palavra amor enchia de beleza as nossas vidas: o teu anjo ama-te e tem imensas saudades tuas, meu diabinho!

publicado por Pensador Insuspeito às 00:32

12
Jan 09

 

Este soneto de Florbela Espanca retrata de modo desconcertante o meu actual estado de espírito...

 

Saudades! Sim... talvez... e porque não?...
Se o nosso sonho foi tão alto e forte
Que bem pensara vê-lo até à morte
Deslumbrar-me de luz o coração!
 
Esquecer! Para quê?... Ah! como é vão!
Que tudo isso, Amor, nos não importe.
Se ele deixou beleza que conforte
Deve-nos ser sagrado como pão!
 
Quantas vezes, Amor, já te esqueci,
Para mais doidamente me lembrar,
Mais doidamente me lembrar de ti!
 
E quem dera que fosse sempre assim:
Quanto menos quisesse recordar
Mais a saudade andasse presa a mim!
 
Florbela Espanca

10
Jan 09

Hoje acordei assim. Melancólico. Apaixonado. Nunca pensei sentir-me assim. Sentir tanta saudade de alguém. Nestes momentos, a saudade para mim é um misto de tristeza e alegria. Tristeza por não ter a pessoa que amo ao meu lado e alegria porque é nestas alturas que recordo com mais insistência os momentos bonitos que passámos juntos e que ainda me fazem sorrir. Enfim, é simplesmente a saudade, um sentimento tão nosso e tão difícil de definir... Um dia destes voltarei a falar-vos disto.

 

Por hoje fica aqui a letra da música que escolhi para colocar no meu blog. Para mim é uma música lindíssima e que além disso me transmite uma grande paz e tranquilidade. Preferi postar a letra na língua original porque assim mantém toda a sua força e profundidade. Espero que gostem.

 

 800×600

 

Titulo da Música: Like A Rose On The Grave Of Love 
 

Intérprete: Xandria
 

 

Come like the dusk
Like a rose on the grave of love
You are my lust
Like a rose on the grave of love

I curse the day I first saw you
Like a rose that is born to bloom
Don't look at me the way you do
Like the roses, they fear the gloom

Your thorns, they kissed my blood
Your beauty heals, your beauty kills
And who would know better than I do?
Pretend you love me!

Indeed, reality seems far
When a rose is in love with you
Slaves of our hearts, that's what we are
We loved and died where roses grew

They watched us silently
A rose is free, a rose is wild
And who would know better than I do?
Roses are not made for love

publicado por Pensador Insuspeito às 23:34

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